Benga - Diary of an Afro Warrior
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ficha técnica
Nota: 3.4 / 5
Ano: 2008
Selo: Tempa
Estilos: dubstep
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Benga - Diary of an Afro Warrior
Produtor de 21 anos é um dos nomes mais quentes da cena dubstep
24.07.08 14:25
Depois da new rave, maximal e afins, a polêmica da vez entre as mentes mais ociosas é o dubstep. Um crítico do site Resident Advisor deu sua definição de dubstep como sendo "a IDM para a geração Facebook". Ele vai mais longe, e diz que o dubstep é louvável por ser o único gênero de música eletrônica atualmente que não faz revival de nada, mas solta uma alfinetada logo em seguida: "ser um tipo novo de música eletrônica é ótimo, mas as pessoas precisam poder dançar ao som dela". Uma prova divertida de que o tal crítico não é o único a pensar assim, é este vídeo que apareceu no YouTube há alguns meses. Os comentários dos fãs de dubstep na página do vídeo mostram uma certa revolta, todos eles acusando o produtor de nunca ter realmente ido à uma rave ou festa onde o dubstep dominava e que ele - e também o crítico do RA - eram apenas tolos preconceituosos, daqueles que já de cara não gostam de nada antes mesmo de conhecer a música a fundo.

Talvez seja o clima sombrio, ou as batidas mais lentas, ou o fato de ser um estilo onde as meninas ainda são minoria, que fazem dodubstep uma espécie de novo vilão da cena eletrônica. Ou mesmo o fato das pessoas estarem se tornando mais precavidas contra novos gêneros que surgem e desaparecem na mesma rapidez - elas já descartam logo tudo o que percebem estar de uma hora pra outra sendo comentado demais pela mídia inglesa.

Mas o fato é que o dubstep, e especialmente o trabalho de produtores como Benga, Burial e Skream, merece a devida atenção.

Quem é Benga, afinal?

BengaBenga - codinome do inglês Beni Adejumo - começou a produzir suas próprias faixas aos treze anos, dando os primeiros retoques no que hoje, oito anos mais tarde, conhecemos como dubstep. Marcado especialmente pela exploração dos timbres sub-graves, herdados diretamente do drum'n'bass e do dub jamaicano, e por melodias bem dark e soturnas, o dubstep logo chamou a atenção da mídia e dos notívagos e ravers mais antenados. Juntamente com o Burial e o Kode 9, Benga tirou o dubstep dos buracos underground e o levou para o mainstream. Outros nomes cultuados do estilo são o Skream e o Digital Mystikz, além do brasileiro Bruno Belluomini.

Benga lançou em 2006 seu primeiro álbum - Newstep - através de seu próprio selo Benga Beats, num ano extremamente importante para o dubstep, que viu três álbuns darem força ao estilo: a estréia do Burial (Copyright Laws), do Kode 9 (Memories of the Future) e o homônio do Skream. Depois deles, o dubstep finalmente tomou forma.

Em 2007, ano do super aclamado segundo álbum do Burial, Untrue, o single "Night", produzido por Benga e Coki, foi considerado um verdadeiro hino pelos fãs do gênero.

Diário de um guerreiro africano

Diary of an Afro Warrior foi lançado este ano pela Tempa, principal selo dedicado ao dubstep, e foi alardeado por muitos como sendo o "mais aguardado disco eletrônico do ano". Bom, Diary... não chega a tanto, mas também não decepciona, especialmente aqueles que já estão com os ouvidos cansados de ouvir sempre a mesma coisa.

Benga dá um novo olhar para o dubstep e suas faixas trazem um certa reverência a toda influência jamaicana e africana na música eletrônica, passeando com calma pelo terreno do dub, drum'n'bass, UK garage, grime, e até mesmo pelo techno e o kuduro. Nomes como Mantronix, Tricky, Goldie, Roni Size, Plasticman, Dizzee Rascal, estão todos lá. É essa mistura toda que faz de Benga um artista original dentro deste estilo, produzindo um som que transpira idéias novas e auto-confiança - coisa que para um produtor de 21 anos é muito bom.

Capa da revista X8LR8
Capa da revista XLR8R
"Zero M2" é meio jazzy e nos faz lembrar do clássico "Brown Paper Bag" do Roni Size logo no começo, mas depois se desenvolve em algo novo, enquanto "Crunked Up" e "Light Bulg" pegam forte no dub jamaicano e o eleva as alturas com pinceladas acid. "E-Trips" por sua vez traz timbres de techno misturados com o característico baixo pesadão do dubstep. Algumas faixas, como "26 Basslines" (uma das melhores) e "Night" são perfeitas para as pistas, enquanto outras, como "Someone 20", podem ser facilmente escutadas em casa ou numa longa viagem. Benga se aproveita de um clima meio ficcção científica e o trabalha de formas diferentes nas faixas "The Cut", "Emotions" e "Go Tell Them", essa última com um coro de vozes robóticas meio industrias, sugerindo talvez que o ouvinte se renda à um pista controlada por DJs robôs. "3 Minutes" representa bem o lado ambient dark comum nas produções dubstep.

Dica importante: Diary of an Afro Warrior (ou qualquer outro CD de dubstep) foi feito pra ser escutado num volume alto. Parte da graça está realmente no impacto (ou estrago) causado pelas batidas soturnas em sua caixa de som ou headphone.

Alisson Göthz
Alisson Göthz (alissongothz @ gmail.com)
live from vlad dracul's castle, romania
comentários
Rafael Henri
Rafael Henri (25.07.08)
3AprovadoQueima
no Headphone nããão!
Bruno Real
Bruno Real (24.07.08)
2AprovadoQueima
o cd do benga é genial.. mas quem escuta o podcast do appleblim no RA ou mesmo os últimos tranqueras com o brunão, se assusta ainda mais com os caminhos que este dito "estilo" está abrindo (ou ressuscitando) na música eletrônica atual. dá até pra fazer o basic channel se animar e lançar coisa nova.... :)
Raul Cornejo
Raul Cornejo (24.07.08)
0AprovadoQueima
"Não faz revival de nada?"
Quieto, Chico... calado!
Huhauhauhauahuahuahua.