Black Devil Disco Club - Eight oh Eight
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ficha técnica
Nota: 4.3 / 5
Ano: 2008
Selo: Lo Recordings
Estilos: 70s, space disco, dark disco, italo disco
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Black Devil Disco Club - Eight oh Eight
Os personagens e a estéticas do BDDC retornam, fechando a trilogia disco iniciada em 1978
23.07.08 11:30
Quando Bernard Fèvre e Jacky Giordano uniram forças nos fins dos anos 1970 e lançaram seu Black Devil Disco Club, fatto a mano com sintetizadores, loops recortados-e-colados de fitas de rolo e uma bateria acústica, desencadearam uma série de alegorias e teorias conspiratórias sobre o álbum, a ponto de colocarem em dúvida a autoria do mesmo: pensava-se então que poderia ser um projeto paralelo de algum produtor de disco mais popular lançando mão do artifício para escapar do hedonismo fútil e festivo que assolava as pistas de então. Criaram, desta forma, uma enorme mítica em torno do projeto, apesar da raridade - fruto de seu insucesso - e do seu conseqüente pequeno alcance, deixando-o com uma aura de
BDDC @ D-Edge (2007)
BDDC @ D-Edge (2007)
esquisitice produzida por vanguarda. Os anos e a derrocada disco cuidaram para que o LP fosse esquecido, até que em 2004 Bernard reeditou seu disco de estréia, para dois anos depois lançar 28 After, que, como o primeiro álbum, continha apenas seis faixas e apontava para uma trilogia, uma opereta épico-futurista cantada em três atos.

Pois é a condensação da mesma nuvem de poeira cósmica que serviu de matriz para os demais lançamentos de Bernard que forma Eight oh Eight, lançado em junho, mais uma vez com seis faixas. Aos que conhecem o trabalho da dupla, de certa maneira, soa como se os 30 anos que separam um trabalho do outro fossem ligados por um portal temporal, com uma baldeação por 28 After. Não se trata aqui de conservadorismo ou de falta de arrojo artístico, no entanto: a assinatura estética do BDDC é tão particular que antes de se render a modismos esperou trinta anos para que o modismo voltasse a se render ao BDDC. Soa como se fosse uma história contada com os mesmos personagens, uma trilogia formada por vocais distorcidos, "eeee-yeee-a-aiiiis", "tchu-tchurrrus", synths kitsch, beats acelerados e pinceladas B sci-fi. Parece que a dupla estava ali, latente, esperando apenas pelo terreno propício para germinar com todo furor.

DARTH VADER MEETS MORODER
E o adjetivo furor não é usado em vão para descrever Eight oh Eight: trata-se de um álbum obrigatório para qualquer um que se interesse por música, e não apenas pela música cuja função é animar pistas. O álbum é inteiro permeado por uma tensão constante criada pelos beats acelerados de disco proto-acid, que se chocam com a morbidez dos vocais e synths saídos de trilhas para filmes trash: a imagem soa ridícula, mas é impossível deixar de imaginar um Moroder usando o vocoder emprestado do capacete de Darth Vader nos vocais. Disco music para se dançar com a morte, e nesta tensão reside a beleza de "8on8".

Essencialmente se trata de um álbum cuja voz de Bernard está em primeiríssimo plano: as onomatopéias, notas musicais produzidas por voz e que às vezes podem ser entediantes, são absolutamente essenciais aqui, simplesmente por serem parte de uma gramática estética tão própria do duo. As próprias faixas do disco, da maneira como estão dispostas, reforçam a tensão entre elogio à vida e canto de morte intra-faixas: "With Honey Cream", otimista, abre o álbum com os dois pés na porta, pontuada por percussão, elementos acústicos e voz chorosa, se choca contra a seguinte "Open the Night", que leva a tensão até o limite do suportáve, para explodir em vocais colados, duplicados e alucinados de vocoder. "Is Sorrow" eleva novamente o humor com suas palminhas, "tchururus" nos vocais, batidas enviesadas e sucessivas camadas de distorção de synths, e assim sucessivamente. Existe uma organização permeada por uma lógica que busca altos e baixos emotivos entre as faixas, e de tal organização esquizóide emerge beleza.

Eight oh Eight fecha (ou pelo menos deveria fechar) uma trilogia de disco mórbida que presta tributo ao cinema: três álbuns que contam uma história ainda um tanto indecifrável, mas que, para aquele que a ouvir com atenção, fará emergir imagens de espaço e de terror, incômodas algumas vezes, nada silenciosas e de beleza épica. Cinema para cegos.

Facundo Guerra
Facundo Guerra (facundo @ vegasclub.com.br)
Rosas são vermelhas, violetas são azuis, eu sou esquizofrênico e eu também.
comentários
Facundo Guerra
Facundo Guerra (30.07.08)
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Corretíssimo, Carlos. Mal de texto escrito com pressa. Obrigado pelo Pasquale!
Carlos
Carlos (29.07.08)
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" E o adjetivo furor "

furor é substantivo, é o NOME de um estado, nome de um modo de se estar, ou nome de um sentimento, exemplo : "esse disco causa (um estado de, um sentimento de) furor".
Thiago V. R. Cunha
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Genial! Dark disco em sua essência com direito a loops old-school e sintetizadores estridentes em versão espacial. Derrete uma pista de dança em poucos minutos. Must have!
Felicio Marmitex
Felicio Marmitex (24.07.08)
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"Cinema para cegos", genial!
Thiago Del Poço
Thiago Del Poço (24.07.08)
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muito bom, muito bom mesmo.
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