Conheça e comemore os trinta anos da saga dos homens-robô
17.07.08 13:25
Quando o Kraftwerk lançou The Man-Machine trinta anos atrás, a música eletrônica estava longe de ser levada a sério. Agora, é parte fundamental da cultura pop. Ouvir os discos clássicos do Kraftwerk é como voltar ao marco zero da eletrônica, ir direto à fonte de onde nasceu o que há de mais legal na música que escutamos nas últimas décadas.
De uma certa forma, pode-se dizer que The Man-Machine é o segundo volume de uma trilogia evolutória do quarteto alemão, iniciada em 1977 com o álbum Trans-Europe Express e encerrada com Computer World, de 1981.
Em Trans-Europe Express, o Kraft ainda soava como "homens normais", exibindo emoções puramente humanas em músicas como "The Hall Of Mirrors". Computer World mostrava os quatro integrantes já funcionando a base de microchips - deixando, todavia, claro que mesmo as máquinas têm sentimentos. The Man-Machine captura o momento da sua transformação, enquanto ainda eram seres meio homem meio máquina - havia uma certeza de que um ser humano habitava dentro delas.
A REVOLUÇÃO HUMANA DAS MÁQUINAS A frieza das cidades em seu desenvolvimento desenfreado, das máquinas e robôs sem sentimentos próprios, a opressão e a falta de sensibilidade são os temas do álbum. Ralf Hutter, Wolfgang Flur, Karl Bartos e Florian Schneider estavam no auge da criatividade. Cada faixa de The Man Manchine é ao mesmo tempo um single em potencial, com vida e histórias próprias - mas também se completam, transformando o álbum numa deliciosa viagem.
As semelhanças com o filme Metropolis (1927) de Fritz Lang são grandes: em 2026, uma cidade vive sob o domínio de um tirano, e cujo rígido sistema de castas separa Pensadores dos Trabalhadores - estes, condenados a viver escravizados pelas máquinas que fazem a metropolis funcionar. O filho deste tirano, Freder, se revolta com a situação e vai viver com eles, se apaixonando pela jovem Maria, defensora dos direitos trabalhistas. Freder descobre que um cientista está criando um robô para substituir a mão de obra humana e faz com que ele tenha as feições de Maria, infiltrando-o na sociedade trabalhista, causando discórdia e destruição. A tecnologia, a arquitetura, a valorização da cultura e a importância do sentimento humano são forças importantes no filme, e são temas recorrentes no trabalho do Kraftwerk em todos estes anos.
A atualidade do som de The Man Machine é algo surpreendente. Por mais datado que os sintetizadores de 1978 possam soar, é fácil perceber como eles deram origem à toda a geração synthpop/new romantic dos anos seguintes (Gary Numan, Soft Cell, Human League, Devo, Depeche Mode, etc), a toda a cena techno dos anos 90 e como isso está sendo levado em frente até hoje, com cada vez mais bandas sendo influenciadas pelo Kraft. Não é exagero dizer que com esse álbum, o Kraftwerk fez para a música eletrônica o mesmo que Andy Warhol fez para a arte pop, abrindo seu leque de opções, experimentando as novas tecnologias e produzindo um novo olhar sobre a arte, fazendo com que a música eletrônica se tornasse algo mais acessível ao público, sem perder sua verdadeira essência, e abrindo o caminho para as futuras gerações.
Fãs mais radicais podem argumentar que Trans-Europe Express é o trabalho mais importante do Kraftwerk (todo artista que o escutou nos anos 70 mudou seu estilo de fazer música) ou que Computer World é mais forte e influente, mas mesmo estes não podem negar que The Man-Machine, com apenas seis músicas e pouco mais de trinta e cinco minutos de duração, é com certeza um dos álbuns mais importantes e essenciais para a evolução da música eletrônica.
AS FAIXAS DE THE MAN-MACHINE "The Robots" ("Die Roboter") é uma das músicas que mais tem a cara do Kraftwerk, verdadeiro hino. Vocais robóticos, beats quebrados, rápida, direta. A letra que diz ""I'm your slave, I'm your worker" liga a faixa não só a Metropolis, como também às idéias socialistas/fascitas, com trechos também cantadas em russo - não é à toa que a cor vermelha e a postura militar são fortes nas fotos e artes do disco. É nessa hora que os famosos robozinhos com as feições dos membros do Kraft aparecem no palco durante os shows...
"Spacelab" fala de novas formas de tecnologia e o eterno fascínio do homem pelo espaço. Camadas de instrumentos e melodias vão se sobrepondo, criando uma atmosfera doce e harmoniosa, com clima de filme de ficção científica.
"Metropolis" ao mesmo tempo complementa e faz um contraponto com "Spacelab". Enquanto essa tem um clima otimista, "Metropolis" tem vocais quase tediosos, sombrios, talvez mostrando que a vida dentro da cidade não vai nada bem. A comparação com a vida que os trabalhadores oprimidos do filme não é exagerada.
"The Model" ("Das Modell") traz modelos que só se preocupam com a beleza externa, a falta de sentimentos humanos. Um dos cartões de visita do grupo e um dos seus maiores sucessos comerciais, chegando ao topo da parada inglesa em seu relançamento em 1982, regravadas por artistas que vão desde The Cardigans até Rammstein.
"Neon Lights" ("Neonlicht") - a mais longa e experimental do disco, mas que serve como intermediária perfeita entre a "The Model" e a faixa título, duas das melhores faixas do álbum. "Neon Lights" foi regravada pela banda OMD, pelo Simple Minds, e é claro, pelo Señor Coconut.
"The Man-Machine" ("Die Mensch-Maschine") - A transformação dos homens-máquina já está completa. As batidas quebradas e a seqüencia rítmica avisam que o Kraftwerk está no comando.
A CAPA Com design de Karl Klefisch e foto de Günther Fröhling, os quatro seres kraftwerkianos estão imóveis, com maquiagem na cara, parecendo algo meio militar, meio manequim de plástico. A cor vermelha predomina, dando toque soviéticos/fascistas à arte, baseada no trabalho construtivista de El Lissitzky.
A capa já inspirou diversas releituras, desde Richard X (que no seu disco Girls On Top colocou o rosto da Whitney Houston em cima do pessoal do Kraft) até às Meninas Super-Poderosas.
Alisson Göthz (alissongothz @ gmail.com) live from vlad dracul's castle, romania
Linda matéria ... Lindo album ... um dos mais perfeitos e olha que é dificil demais escolher o melhor deles ... porque Kraftwerk é realmente uma Usina de Força ... T ++++ andre242
Com certeza, um disco que revolucionou a musica eletrônica no final dos anos 70 e que logo depois nos anos 80 foi continuado essa revolução com Computer World. Esse album, The Man Machine, tem um dos melhores classicos, The Robots em sua versão original que hipnotiza os ouvidos mais apurados e que foi a voz de uma geração que viu os primeiros computadores pessoais serem introduzidos no mercado, ver a tecnologia iniciar sua revolução que ecoa até hoje como este classico album que é obrigatório na estante de quem realmente gosta de musica eletronica.
Lindo album ... um dos mais perfeitos e olha que é dificil demais escolher o melhor deles ... porque Kraftwerk é realmente uma Usina de Força ...
T ++++
andre242
a Resenha muito boa.
mas o melhor mesmo foi essa capa-parodia com a Whitney Houston kkkkkkk mashup visual!! demais!!!