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Black Kids tem uma carreira não muito diferente de todas as outras bandas do momento: primeiro lançaram faixas mal produzidas no MySpace, depois foram descobertos pelos caçadores de hype, caíram nas mãos de remixers renomados e foram apontados como promessa para o ano que estava por vir. Tudo isso aconteceu muito rápido. O primeiro EP da banda,
Wizard of Ahhhs, é de agosto de 2007. A esta altura, já haviam conquistado toda a massa blogueira que aos poucos entendia e festejava o southern rock oitentista do quinteto americano. Foram considerados "Best New Music" na bíblia indie Pitchfork, ganharam destaques especiais em inúmeras publicações (lista que inclui
The New York Times e
Rolling Stone), e saíram em turnê ao lado de artistas grandes - hypes passados como Kate Nash.
Aquele gelo na barriga do primeiro álbum - em comparação com as demos -, ser pior, melhor, diferente ou sem identidade não é diferente aqui. A banda, que agora está sob os cuidados do selo nova-iorquino Almost Gold (responsável pelos lançamentos do Does It Offend You, Yeah?, do Calvin Harris e do Walter Meego),teve seu álbum produzido por Bernard Butler (ex-Suede e produtor do Cajun Dance Party, da Duffy, da Aimee Mann), colocou, essa semana, todas as faixas
em seu MySpace.
FESTA ESTRANHANos primeiros acordes de "Hit The Heartbreaks", já se percebe o upgrade pelo qual a banda passou. Os vocais, que antes tinham um quê de soturno escondidos nas toscas camadas instrumentais do EP, agora estão à frente das outras linhas em um som mais límpido e menos ecoado. A potente voz de Reggie Youngblood é favorecida, em um instrumental espaçado, durante as estrofes, e dialoga timidamente com as garotas, sempre em coro, entusiasmadas e marcando gostosas harmonias na companhia de synths leves, oitentistas, como se tivessem saído de um álbum do A-ha.

A bateria é pesada, um pouco suja, cheia de metais e super bem casada com as linhas de baixo, sempre tímidas e (às vezes) irritantemente lineares. Esta é uma banda de rock. As guitarras estão em todos os lugares, ácidas, pulsantes, com uma pegada funky e até agressiva, paralelas aos sintetizadores apaziguadores e outros barulhinhos pegajosos, como que saídos de trilhas de desenhos animados. As garotas gritam demais em todo o percurso do CD, o que se torna um tanto cansativo após a quarta faixa de coral agudo.
Como esperado, todas as faixas do EP de 2007 sobreviveram a este lançamento. É claro, com mais apuração técnica e um esmalte pop necessário para quem quer invadir um mercado um pouco menos propenso a experimentação. "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You", a faixa que conquistou as pistas de todo o mundo (com ajuda brasileira da dupla Twelves, diga-se de passagem), está ainda mais empolgante e até mais legível que a versão demo.
Das novas, destaque para a faixa que dá nome ao disco, "Partie Traumatic" (que aliás, seria uma melhor opção de faixa introdutória) e as duas últimas, "I Wanna Be Your Limousine" e "Look At Me (When I Rock Wichoo)", que formam um bom combo para finalizar este CD, que está longe (mas nem tanto) de entrar nas listas dos tops de 2008. A fórmula deles se mostra clara e está mais limpa do que nunca, o problema é que às vezes bate uma vontade de as sujarem novamente.
De começo é meio estranho o nome e talz... mas mandam bem! Legal ver matéria aki!
:)
O cd é bom, mas prefiro as demos mesmo!
XOXO