Depois de lançar no ano passado o excelente CD
Yearbook 1, os suecos do
Studio retornam com o volume dois de sua saga misteriosa. O mistério aqui parece ser a maior motivação do duo, que além de rechear seus trabalhos com idéias e nomes vagos, serem avessos a entrevistas e todo o hype que circula no mundo da música, se recusam também a entrar em qualquer tipo de rótulo. Em sua página no MySpace, eles se definiam como um projeto de "Experimental Afro-beat Pop". Outros já se referem a eles como uma jóia do
Balearic Beat. O que isso quer dizer pouco importa; o que interessa mais aqui é que o Studio consegue misturar as mais diversas influências e elaborar um trabalho tão coeso que, por incrível que pareça, não soa nada muito estranho para quem os ouve pela primeira vez. Como eles conseguem fazer isso talvez seja o verdadeiro mistério por trás de tudo.
O DUO
Dan Lissvik e Rasmus Hägg começaram a lançar seus trabalhos sob o nome Studio em 2001. A produção era extremamente esporádica, com remixes e EPs aparecendo de vez em quando, e sempre lançados pelo seu próprio selo, o Information. Foi só ano passado que todo esse material conseguiu finalmente juntar um CD inteiro.
Yearbook 1 era na verdade uma coletânea de faixas que já haviam sido lançadas em vinil no álbum
West Coast e no single
No Comply. As poucas faixas com vocais e as grandes viagens instrumentais que reuniam diversos estilos fizeram com que Yearbook 1 fosse um álbum que não soava totalmente retrô nem vanguardista demais. Apesar do lançamento restrito que um pequeno selo independente consegue atingir, o disco virou objeto de culto por fãs de todos os lados.
YEARBOOK 2Mais que um CD de remixes,
Yearbook 2 é um trabalho que traz versões do Studio para músicas de artistas que vão desde Kylie Minogue até o Shout Out Louds. Cada faixa tem a cara do duo, fazendo com que o CD pareça ser um trabalho original e inédito. Veja o exemplo da versão de "2 Hearts", da Kylie: o que era apenas uma faixa pop de pouco mais de três minutos com muita maquiagem glam é esticada em mais de oito, com Kylie e seus susurros duelando com acordes de guitarras flamencas embaixo de um clima hipnótico. Alias, faixas longas são lugar comum para quem já colocou uma de 16 minutos em
Yearbook 1, então não espere nenhum mix muito curto - tarefa essa nem um pouco difícil, uma vez que a música do Studio vai crescendo aos poucos, sempre juntando novos elementos, como se eles reservassem sempre uma surpresa para o final.
Logo na primeira audição, algumas influências já começam a ficar claras, como o Air, Prins Thomas, Lindstrom, dub, funk... Indo um pouco mais longe, conseguimos chegar até ao som do Art Of Noise e dos Pet Shop Boys, New Order, A Certain Ratio... Para Dan e Rasmus, trabalhar a eletrônica ao lado do puramente acústico é algo normal.
"Escape From Chinatown", de Brennan Green, poderia muito bem servir como trilha sonora para uma tarde em que o Kraftwerk decidiu sair e tomar um café com Giorgio Moroder, enquanto "Turn the Radio Off", do Love Is All, começa pegando emprestado os acordes da frenética "Psycho Killer" dos Talking Heads e acaba como uma grande jam section entre amigos que se encontraram em alguma casa de praia. "Brown Piano" do A Mountain Of One nos leva ao mundo ambient do The Orb, Sueño Latino e Underworld.
"Impossible", do Shout Out Louds é a mais dançante do CD, bem animada e pra cima, com potencial até para tocar numa rádio mais moderninha. "Love on a Real Train" fecha o álbum como se estivessemos vendo todas as fotos tiradas durante a viagem que o Studio nos levou.
Yearbook 2 chega as lojas em 23/jun.
Os mais misteriosos são o THE KNIFE!