Programação noturna começa hoje (sex, 20/jun), com Justice, Yelle e Roísín Murphy
Yukimi Nagano (Little Dragon)

BARCELONA: Na quinta-feira o sol forte acompanhou as atrações do primeiro Sónar by Day, cuja programação musical foi dividida em quatro espaços. Além da música, uma exposição dedicada ao futuro e passado do cinema interativo e uma feira de discos e bugigangas completaram o dia de abertura.
Os principais shows ao vivo se concentraram no Sónar Village, um amplo espaço montado no miolo do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (
CCCB). A grama sintética completou o clima de fim de semana no parque, e não foram poucos os que assistiram aos shows sentados, sob a sombra das árvores espalhadas pelo local. O ponto alto foi a performance do Little Dragon, banda sueca que mistura R&B com sintetizadores e levada funky (leia entrevista com o grupo
aqui). Como o clima estava animado, cantaram o hit-depressão "Twice" logo de cara, e encerraram atrasados com a ótima "Blink", para o desespero dos organizadores que sinalizavam ao fundo do palco. "Recommendation" e "After the Rain" foram outros bons momentos da apresentação de Yukimi Nagano e sua trupe.
DESDE ESPAÑA, EL CLUB RAP!O grupo espanhol de
rap dançante Chacho Brodas fez sucesso no Sónar Village, apesar de alguns problemas com a aparelhagem de som. Rimaram sobre bases agitadas, improvisaram um cover de "Sex Machine", de James Brown, e fizeram como manda a etiqueta MC - "nasty" cantado para lá e para cá, embalado por pedidos de mais agitação para o público.
Chaco Brodas

Os outros palcos protagonizaram o lado mais experimental do festival. No Sónar Hall se apresentaram os projetos britânicos
Pram e
ZX Spectrum Orchestra - esse último um quase-Kraftwerk composto por uma dupla de nerds vestindo camisa social e gravata. Esses foram alguns dos shows mais concorridos do dia, e em alguns momentos os seguranças chegaram a controlar a entrada de pessoas para evitar tumulto. Quem encerrou ali foram os finlandeses do
Pan Sonic, um verdadeiro desafio para qualquer um que preze pelo bom funcionamento dos tímpanos. O Sónar Hall se transformou em uma selva impenetrável de ruídos e freqüências distorcidas. O rosto fechado da dupla e as projeções de imagens desintonizadas nos telões tornou o espetáculo ainda mais perturbador.
No Sónar Dome e no Sónar Complex a coisa foi mais calma. O show cênico do grupo espanhol
Arbol, acompanhado por violinos e por um xilofone digital, foi um dos mais concorridos. Além dele, teve também a apresentação quase estática do projeto
Lucius Works Here e a farofa pastilhada do
Bass Clef - britânico que faz uma mistura de breakbeat, IDM e samba. Como se não bastasse, ele ainda toca trompete e usa apitos enquanto pula e agita a platéia. Um prato cheio para a multidão que enchia o espaço.
BASS CLEF @ SonarDôme O primeiro dia de festival terminou e o sol ainda dava as caras em Barcelona. A lua cheia só apareceria algumas horas depois sobre o horizonte do Mediterrâneo, para a animação do pessoal que saía do CCCB em direção à praia. Hoje o Sónar dia tem Yo Majesty, Tender Forever, Quiet Village,
Daedelus, Konono Nº 1 e
El Guincho, que apresentará cinco canções de seu (ótimo) álbum
Alegranza ao lado de Ryan McPhun, do grupo neo-zelandês
Ruby Suns, numa saraivada eletro-tropicalista que animará os ares de Barcelona.
Fotos: Renata Macedo, Juan Sala e Óscar García