A cena musical belga já rendeu uma porção de trabalhos notáveis. Entre os grupos independentes, há os ótimos remixes e covers do Soulwax - recentemente compilados no álbum
Most of the Remixes... - e também o coletivo capitaneado pelos Glimmers, que lançou no começo do ano o bom
Are Gee Gee Fazzi. Mas esses exemplos, amadurecidos na última década, não se comparam (em experiência) à longa estrada pavimentada pelo dEUS, grupo formado na Antuérpia e que acaba de lançar seu sexto álbum de estúdio -
Vantage Point.
Apesar do nome não ser muito comum no noticiário indie, o quinteto está na ativa desde o final da década de 80. Foi nesse período que eles começaram a misturar rock dançante com baladas sentimentais e riffs cruentos. Ainda que seja besteira especular sobre a importância do dEUS na formação da atual cena belga, vale mencionar a participação do baterista, Stephane Misseghers, em boa parte das faixas de
Gee Gee Fazzi, cantando e comandando a percussão. Stephane também esteve por trás das baquetas do Soulwax. Além dele, os outros membros também já deram as caras em outros projetos saídos do país ao longo das últimas duas décadas.
LINEARIDADE - SYNTH x RIFF = BOM ROCK Vantage Point é um álbum de rock cru e sua fórmula quase não se apóia em sintetizadores ou samplers. Com voz, guitarra, bateria e contra-baixo, o grupo amarra todas as músicas - o que faz o resultado soar bastante linear. O fato é que, na maioria das vezes, o dEUS resolve a equação com um bom riff de guitarra. Em alguns casos, eles são tão sonoros e bem compostos que talvez nem fossem precisos vocais ou outros elementos para completar o bom resultado final.
Exemplo dessa facilidade é "Favourite Game". O riff que aparece nos primeiros segundos da música é tão convincente que custa a cansar. Quando a música acaba, é quase instintivo retornar a faixa para ouvir mais uma vez. Esse é um dos momentos

que mais lembra o som saído atualmente de Gent, talvez pela simplicidade dançante do arranjo ou pelos versos de auto-ajuda ordenando: "descanse seus olhos, não há lágrimas para canções de amor". Um verdadeiro mantra para corações quebrados e ansiosos por alívio sentimental.
A música tem ainda outras frases bem boladas, apesar do conjunto não ser um primor de lirismo: "Burning down a flat / To light a cigarrete", "Oh let me hype this dream / My own promo machine". O fim, com o vocalista gargarejando a melodia, é especialmente empolgante.
Outro momento do disco que vale destaque é "The Architect", que segue o mesmo modelo de "Favourite Game". O bom jogo entre guitarras e vocais segura o ouvinte até o fim, junto de um baixo repuxado e de um teclado tímido. A música de abertura, "When She Comes Down", também merece a conferida.
Vantage Point chama a atenção por começar cheio de energia e disposição, mas não segura o pique até o fim. Passados os pesados acordes de guitarra de "Is a Robot", as baladas sentimentais predominam e encerram o álbum de uma maneira menos gloriosa que o esperado. Ainda assim, o novo disco do dEUS é uma boa opção na hora de variar o cardápio indie disponível no mercado.
recomendo o disco the ideal crash e worst case scenario pra quem quer conhecer a discografia da banda, que varia muito em sonoridade de album pra album.