The Glimmers - Are Gee Gee Fazzi
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ficha técnica
Nota: 3.4 / 5
Ano: 2008
Selo: lançamento independente
Estilos: funk, rock, electro, acid
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The Glimmers - Are Gee Gee Fazzi
Muitos músicos tocando em prol do funk e da acid no debut dos belgas
04.04.08 17:25
Os Glimmers fazem parte de um grupo muito específico de DJs e produtores que surgiram nessa primeira década de anos 2000. Geograficamente, eles estão concentrados em Gent, capital da província de Flandres, na Bélgica. Musicalmente, têm em comum um ecletismo insaciável que os leva de uma ponta a outra do espectro de influências sonoras, passando pelo jazz, synth-pop, new wave, rock psicodélico, etc. Como se não bastassem características em comum para enquadrá-los em uma "micro-cena", essa turma compartilha mais uma similaridade relevante: eles formam duplas.

Com essas dicas, muitos já devem saber quem são os tais garotos de Gent. Não que 2 Many DJs e os próprios Glimmers estejam próximos de serem novidades ou de surpreenderem - todos já passaram um punhado de vezes pelo Brasil com sua mistura musical esquizofrênica -, mas hora ou outra retornam aos nossos ouvidos com boas novas. No caso do Glimmers, a última notícia (que passou sem fazer muito barulho no noticiário) é o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, Are Gee Gee Fazzi, nesse começo de ano. Mas o disco não pode ser encontrado em lojas, pois é distribuído pela dupla em suas apresentações.

SAI A DISTORÇÃO, ENTRA O FUNK
O trabalho é fruto de sessões instrumentais gravadas pelos belgas com músicos convidados, como Anu Pillai, do Freeform Five, e Lindstrøm. Boa parte da sonoridade que aparece nas discotecagens da dupla também está no álbum, então espere por releituras para "Physical", de Olivia Newton-John, e "Esta Si, Esta No", de Chimo Bayo. Tudo foi retocado com bateria orgânica, baixos invariavelmente mais destacados em relação aos originais e harmonias redesenhadas.

A fórmula lembra muito o trabalho que o Soulwax já vez em seu Nite Versions, em que o grupo reinterpretou músicas de gente como Daft Punk. A diferença é que em Are Gee Gee Fazzi o resultado fica mais funkeado, com mais balanço e menos distorção. Ao invés de guitarras, o duo preferiu compor os arranjos com linhas de grave possantes, percussão rica em cowbells e samples extraídas de antiquários musicais. Por cima de tudo há sintetizadores de timbres ácidos, típicos da new wave e da house oitentista, dando ao álbum uma cara de que só poderia ter sido feito pelos filhos de Gent.

CONTATOS INTERGALÁCTICOS
Entre os destaques do álbum está "Music For Dreams", fruto de uma noitada no estúdio em Oslo com Lindstrøm e Prins Thomas. Os synths da faixa mergulham fundo na disco espacial da dupla norueguesa, cheia de arpejos hipnóticos e efeitos sonoros intergalácticos. Por debaixo do arranjo pulsa um baixo preguiçoso, que dá seu recado em algumas poucas notas. A primeira faixa do disco, "Frantic", chama atenção com sua urgência desesperada, que se intensifica a cada virada de compasso.

Mo Becha e David Fouquaert
Mo Becha e David Fouquaert
Are Gee Gee Fazzi é cheio de contribuições ilustres, em parte porque os Glimmers também são homens de negócio bem conectados no meio musical. Eles são os fundadores da famosa gravadora Eskimo (isso explica a participação de Lindstrøm e Prins Thomas), que já lançou trabalho de artistas ilustres como Optimo e Chromeo. Apesar de estarem afastados da direção do selo, a agenda de telefones herdada dessa época deve ter rendido algumas pontas interessantes nesse debut.

A neo-Miss Kittin Princess Superstar empresta seus vocais libidinosos à primeira parte de "Wanna Make Out", acompanhada pelo contra-baixo administrado por Anu Pillai, do Freeform Five. Vale ressaltar, aliás, que boa parte das bases instrumentais foi gravada ao vivo mesmo, com instrumentos sendo tocados pra valer. No ótimo cover de "Physical", por exemplo, as baquetas foram assumidas por Stéphane Misseghers - integrante do dEUS -, que também dá uma palhinha nos vocais.

FORA DO COMPASSO?
Are Gee Gee Fazzi é um álbum competente. Não apenas por reunir diversos músicos (e fazer parecer que foi tudo gravado por uma única banda), mas também por apostar na inesgotável fórmula funkeada dos anos 70. Afinal, quem resiste a baixos bem administrados, grooves encorpados e a bateria dançante?

Talvez o disco pudesse causar mais impacto há alguns anos atrás, quando essa baciada de influências mascarada sob o signo do rock surpreendia pra valer. Hoje, o cardápio belga dificilmente causará sobressaltos, mas ainda garante um óleo extra a pélvis enferrujadas.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil (marcvs @ rraurl.com)
twitter.com/marcvs
comentários
Murillo
Murillo (26.04.08)
0AprovadoQueima
é incrível! merecia uma nota maior, seu Marcvs [2]
"I'd much rather go out (with the boys) " é uma das músicas mais lascivas lançadas até agora, com aquela levadinha acid então... ui!
infatuation
infatuation (05.04.08)
0AprovadoQueima
glimmers eh lindao!
mas 3.4 já é uma nota boa
Jade Augusto Gola
0AprovadoQueima
é incrível! merecia uma nota maior, seu Marcvs
ico matias
ico matias (04.04.08)
0AprovadoQueima
eu gostei bastante do album, ou vi em loop numa madrugada dessas de trabalho.