The Kills - Midnight Boom
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2008
Selo: Domino
Estilos: rock, garage, indie, pop
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The Kills - Midnight Boom
Terceiro álbum da dupla é dançante e despojado, recheado de potencial pop
27.02.08 19:50
Não há muitos segredos por trás do novo álbum do Kills, Midnight Boom. O disco será lançado no dia dez de março, pela Domino Records - casa de Franz Ferdinand e Bonde do Rolê - e marca um considerável salto qualitativo na discografia do grupo. Formada em 2000 pela dupla Alison Mosshart e Jamie Hince, a banda é hoje um retrato mais bem acabado da sonoridade que ambos já experimentavam em meados dos anos 90, com seus antigos projetos - Discount e o Scarfo.

Naquela época, Alison cantava letras facilmente assimiláveis sobre bases instrumentais dançantes, mas o som do Discount era de rock mais puro, visceral. Depois de se unirem como uma dupla, o Kills ainda lançou dois álbuns antes de Midnight..., que renderam comparações ao White Stripes e soam hoje como divagações de um grupo que ainda tentava encontrar seu lugar no espaço.

Se a sonoridade desse último disco é a assinatura definitiva do duo, é difícil dizer. Mas fica claro que é nesse trabalho que os arranjos instrumentais operados por Jamie encontram sua mais afinada sintonia com os versos grudentos de Alison. Midnight Boom é rock de garagem rasteiro - nenhuma música chega aos quatro minutos de duração, e as faixas de maior destaque mal passam de dois minutos de exercício minimalista entre bateria, baixo e voz.

PÉLVIS A BAILAR
Toda a batucada é programada, então não espere por compassos orgânicos inventados por um baterista de carne e osso. As batidas vêm com fidelidade canina ao compasso, em ritmo convidativo para pélvis que gostam de requebrar. Exemplo é "Cheap and Cheerful" - hit absoluto do álbum já lançado em formato single -, que se desenrola sobre uma linha de baixo viciosa e eventuais sons de fanfarra. "It's alright to be Mean" ("tudo bem ser má") canta Alison com uma voz safada que - apesar de não convencer pela afinação -, funciona bem junto aos arranjos dançantes e de fácil digestão.

"U.R.A. Fever" abre o álbum com o som de uma linha telefônica chamando e tem um daqueles refrões que grudam no fundo do ouvido. A música também já ganhou as lojas e tem clipe que mostra a faceta glamu-tosca do grupo, bem similar àquela do começo dos anos 2000, época da formação da banda.


Vídeo de "U.R.A. Fever"

CO.CU?
Apesar de quase todas as músicas soarem bem e darem vontade de dançar, o Kills dificilmente escapa de parecer anacrônico, como provam "Tape Song" e "Hook & Line". Poderiam ter saído de algum álbum do Hole, caso Courtney Love tivesse aderido a uma groovebox ao invés de insistir na crueza histérica promovida por suas guitarras. Mas as referências a paisagens passadas não param por aí - como é possível ouvir "Getting Down" sem pensar na new wave nerdinha de um Devo da vida? Difícil. Assim como não é fácil ler o título da explosiva "M.E.X.I.C.O.C.U." e deixar de imaginar se Alison realmente é poliglota e entende de trocadilhos.

Midnight Boom é um álbum que, apesar de não fazer nada além do que já vem sendo experimentado desde a superação do punk, garante alguns novos hits de consumo instantâneo. Alison e Jamie sabem explorar bem o potencial pop de suas músicas, e para a proposta de uma banda como o Kills, a cara desse álbum parece ser o mais próximo do ideal que eles poderiam chegar.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil (marcvs @ rraurl.com)
twitter.com/marcvs
comentários
Jade Augusto Gola
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achei ótimo, "cheap and cheerful" é o que essas bandolas tipo Raveonettes e Vive La Fete precisavam: cair mais na farra.
Rodrigo
Rodrigo (03.03.08)
0AprovadoQueima
Ixi, faz tempo que a matéria tá a ali no cantinho e ninguém comentou. Isso prova que as bandas indies podem colocar elementos eletrônicos que for, que indiezismo já morreu mesmo.