Depeche Mode - Music for the Masses
O disco que os transformou na mega-banda que são hoje
27.09.07 17:25
Chegava a ser impressionante. Não parecia que era mais um álbum daquela banda que todos já conheciam há nada menos do que seis anos e seis discos. Ou, a esta altura, achavam que conheciam.
Quando o Depeche Mode lançou Music for the Masses há exatos vinte anos, eles já eram meio que estabelecidos, especialmente na Europa, como a mais bem sucedida e durável banda de tecnopop. Já haviam superado a desconfiança de serem só mais alguns ingleses a fazer "musiquinhas de computador", mas não passavam muito de uma banda pop de segundo escalão. Ou pelo menos é o que parecia. Até então.
É certo que o disco anterior, Black Celebration (1986), já mostrava que eles estavam se distanciando da ingenuidade inicial e flertando com um lado mais obscuro. Mas nem assim era possível prever: Music for the Masses foi (e é, porque simplesmente não envelhece) uma obra prima, como não se esperava que eles fossem capazes de cometer. O amadurecimento de Martin Gore nas letras (ele nunca havia escrito algo tão bonito quanto "The Things You Said" sem soar meio adolescente ou até piegas antes, convenhamos) e, principalmente, a evolução da banda em arranjos e melodias era inacreditável. E, é bom lembrar, tudo em apenas um ano.
Já a primeira faixa, "Never Let Me Down Again", mostrava que uma palavra que se tornaria permanente na história do Depeche havia sido agregada à fórmula: refinamento. Não era mais uma questão de soar pessimista e fazer uns arranjos meio sombrios aqui e ali, mas sim de fazer esse lado sombrio soar incrivelmente elegante. A prova definitiva está bem ali, aliás, no maior hit de toda a história da banda: "Strangelove". Se por um instante você for capaz de abstrair a superexposição (e, pior, os muitos remixes toscos) o que sobra é um pop ultra-dançável sim, mas também elegante, muito superior à média, inclusive a atual.
O fato é que, depois de tanto tempo, finalmente o DM parecia ter encontrado sua vocação natural. Depois do tecnopop bobinho dos dois primeiros discos (Speak and Spell e A Broken Frame, de 81 e 82) compatível até com a então pouca idade de seus integrantes, das insinuações industriais do terceiro e quarto (Construction Time Again e Some Great Reward, de 84 e 85) e do acerto de eixos de Black Celebration, eles chegavam ao ponto. Em que outro disco, por exemplo, caberia a estilosa e moderna "Behind the Wheel"? Essa música aliás é tão sintomática que até a voz de Dave Gahan aparece mais perfeita que nunca, como se finalmente tivesse achado seu lugar.
Mas, além de sua qualidade, Music for the Masses é, sem dúvida, o maior divisor de águas da carreira do Depeche Mode também por transformá-los de "banda local" inglesa a sucesso mundial.
Pela primeira vez eles venderam milhões nos Estados Unidos e fizeram uma turnê de grande porte naquele país, lotando estádios de costa a costa (o que inclusive gerou o projeto 101, com um disco duplo ao vivo e um documentário do consagrado diretor D.A. Pennebaker). Ficaram maiores lá do que jamais haviam sido em sua terra natal e viraram inspiração para toda uma geração de DJs e produtores. Que o diga o pessoal de Chicago e Detroit, que nunca hesitou em citá-los como referência-mor das cenas house e techno.