Lindstrøm & Prins Thomas - Lindstrøm & Prins Thomas (Eskimo)
02.12.05 03:45
Começo dos anos 80 do século passado e, sufocada por gritos de "disco sucks", a disco virava entidade moribunda nos Estados Unidos. Moribunda se falamos de seu formato mais típico ou puro, ao passo que a época já anunciava que o gênero viria a ganhar novos corpos ao copular com sintetizadores, drum machines e o que mais o advento da eletrônica trouxesse. O hip hop se dilatava e o electro ditava tendências na música negra. Nas bandas de uma Europa menos afetada pelo declínio propagado pelos americanos, a linhagem ganhou terreno fértil para flertar com as tecnologias recém-ascendidas: Itália. Com Giorgio Moroder e um largo séquito de conterrâneos, nascia a ítalo disco.
Quase três décadas depois, à parte de Morgan Geist e sua turma Environ e Daniel Wang e seu Balihu, a Europa do Norte - em especial a gélida Escandinávia - é o provável maior pólo de irradiação da neo-ítalo disco. A região se destaca com a produção de gente que não sabe bem se é tudo vintage ou mero cafonismo, se quer o análogo ou o digital. E é por aí que chegamos a Lindstrøm & Prins Thomas - rapazes noruegueses que são, agora, referência primeira quando o assunto é a nova disco de capa sintética.
Há alguns anos buscando espaço com lançamentos pelo seu selo próprio, Feedelity, Hans-Peter Lindstrøm ganhou a atenção dos muito celebrados Playhouse, da Alemanha, e Eskimo, da Bélgica, com o disco "I feel space". Caiu também nas graças do povo disco punk do DFA, no que remixou com primor "Tribulations", do LCD Soundsystem, e "Tito's way", do The Juan MacLean, esta com o parceiro Prins Thomas - com quem divide a gerência do Feedelity. E é também em dupla que debutam em álbum: "Lindstrøm & Prins Thomas" foi lançado no último novembro pelo Eskimo.
Figura à frente o single "Turkish delight", já devidamente emplacado no gosto do esquadrão electro-disco europeu: Tiefschwarz, Headman, Ivan Smagghe, Munk. De som similar ao da trilha de Moroder para o filme "Scarface", de Oliver Stone, "Boney M Down" homenageia, óbvio, Boney M: um dos mais pirados homens da disco, autor das surreais "Daddy cool" e "Rasputin". O disco é todo house lenta, de fino bom-humor, ou disco cósmica carregada por baixos que remetem àqueles do pós-punk e um belo esforço por latinidade. Há quem diga que Lindstrøm & Prins Thomas serão tão grandes quanto os Röyksopp. Há quem garanta que eles nunca foram menores.