Jota Wagner, 33 anos, faz parte de um restrito grupo de DJs cujas carreiras ajudaram a escrever um pouco da história da música eletrônica brasileira. Atualmente, Jota acumula em onze anos de trabalho uma experincia notável (fundamento importantíssimo quando se avalia um bom DJ) comandando pistas de dança dos mais importantes e históricos clubs do país, três turnês internacionais e diversos projetos de festas realizados, entre eles o de maior sucesso: a noite mensal Colors, dedicada à house music.
Sua música empolga desde os mais conceituados clubs do país grandes platéias através de DJ sets focados no experimentalismo e na pesquisa de sons não convencionais sempre embalados pelo groove universal da house music, a mãe de todas as vertentes da musica eletrônica. No case de Jota Wagner, nada de hits super conhecidos ou músicas de apelo fácil. Jota faz questão de usar uma combinação sempre inusitada de suas pesquisas para construir com mixagens rápidas e empolgantes sua odisséia musical que vai de sets de duas a quatro horas de deep, funky e tech house music.
A História
Jota Wagner começou sua vivencia musical aos 14 anos de idade ao comprar sua primeira guitarra elétrica. A máxima punk "do it yourself" adquirida desde então ao montar suas primeiras bandas faz parte da vida do DJ até hoje, como se notará no discorrer de sua biografia. De meras brincadeiras de garagem sua vida musical foi se transformando em divertidas empreitadas, viagens inesquecíveis e bebedeiras adolescentes. Aos 19 anos, Jota já tinha se apresentado em casas seminais na historia da musica alternativa dos anos noventa como Armageddon, Retro, Black Jack, Hitchcock entre diversos outros bares e festivais, alem de ter sua banda elogiada pelos principais jornais e revistas dedicados ao rock alternativo no boom das novas bandas brasileiras do inicio da década passada.
E foi justamente na época em que sua vivência rock'n'roll atravessa seu momento mais intenso que Jota conheceu a cultura das raves inglesas, trazidas ao Brasil como movimento cultural pela primeira vez pelo jornalista e DJ Camilo Rocha através de artigos como correspondente da revista General e depois divulgando as primeiras incursões no gênero por DJs e agitadores brasileiros a partir de 1.995. Encantado com o que conheceu e experimentou, se uniu ao irmão e também DJ Wander A. , vendeu guitarra, amplificador e o que mais tivesse, largou a banda (que continuou ativa por mais alguns anos, chegando a lançar um vinil pela gravadora Monstro Discos com composições de Jota) e começou a praticar as técnicas de DJing em festas que fazia com os amigos em sítios de sua cidade natal, Jundiaí.
Campinas
Jota e Wander já tinham algumas raves amadoras na bagagem quando conheceram através do website Rraurl.com o DJ Dr. Dan, que na época também desbravava Campinas com sua festa Cosmic Lab. Do contato entre os trs surgiu um projeto que se tornou o embrião da cultura eletrônica na cidade: a festa mensal Chain Reaction. Durante dezoito meses, (de 1.996 ao ano seguinte) a festa uniu os pouquíssimos conhecedores da então chamada música eletrônica em festas realizadas em bares undergrounds e gays da cidade. Em um tempo em que os donos dos lugares sequer sabiam o que era uma "pick up", a Chain Reaction levou a Campinas pela primeira vez DJs como Andrea Gram, Gil Barbara, Camilo Rocha, entre tantos outros. Apesar de ter nascido e morrido em pouco mais de um ano de vida, a noite foi responsável por reunir pessoas e apresentar a música eletrônica underground a personagens que após o fim do projeto se dedicaram a continuar a construção de uma cena sólida que hoje existe em Campinas. Responsáveis por projetos como o club Play e o Kraft gastaram seus sapatos dançando na Chain Reaction.
Após o fim do projeto, Jota Wagner ainda se uniu aos DJs Mirr e Wander A. para tocar a festa dominical Sunheaven, que teve um ano de vida no Central Bar até que o club fechou suas portas.
São Paulo e Rio de Janeiro
Após dois anos e meio tocando projetos importantes em Campinas, Jota Wagner teve seu trabalho divulgado também pelo resto do país através das pessoas interessadas em música e festas eletrônicas. Os convites para festas e clubs em São Paulo e Rio de Janeiro foram ficando cada vez mais freqüentes e na virada do milênio Jota já tinha se apresentado em vários das principais festas e casas destas duas capitais como por exemplo os clubs Lov.e, A Loca e Stereo em So Paulo e Bunker 94, Caroline Café e Les Artistes, no Rio de Janeiro, entre outros (veja lista de clubs no final da biografia).
O Brasil vivia neste momento uma ressaca pós estouro mundial do drum'n'bass nacional de artistas como Marky, Patife e Xerxes e São Paulo se tornara ento a "cidade mais Techno do país" com dezenas de festas de sucesso e grande parte da programaço dos clubs dedicadas a este estilo musical. Em 2.001 a cidade enfrentava um grande dilema: onde ouvir e dançar house music?
A Colors na história da house music
A série de festas "Rebolado" organizadas pelo DJ Luiz Pareto, mostraram que havia público para a house em São Paulo. No entanto, nem o sucesso destas festas foi suficiente para que os responsáveis pela programaço dos clubs abrissem os braços ao estilo. Em 2001, diversos projetos dedicados à house music estavam "dando um tempo" e a única opção para os amantes do estilo era a festa Jack, que acontecia uma vez por mês às terças feiras no top club Lov.e capitaneada pelo DJ Marcos Morcerf.
A falta de opçes em São Paulo aliadas à necessidade de Jota em mostrar ao público sua visão da house music fizeram com que o DJ criasse, inicialmente em parceria com o DJ Mr. Gil a festa Colors, todas as quintas feiras no extinto bar THC, no Itaim. Com o propósito de ser sempre uma excelente opção para os fãs do estilo, a noite recebia sempre um DJ convidado dividindo a pista com Jota e Gil. O formato sobreviveu por alguns meses até que Mr. Gil se desligou da festa e algumas edições depois, Jota convidou seu parceiro de vários outros projetos, o irmão Wander A. para organizar a festa em um lugar diferente. Foi então que a Colors "pegou".
A mudança nas locações e o novo gás na divulgação fizeram com que a Colors atravessasse seu primeiro aniversário já como sucesso de público e forte apoio de amigos e da mídia especializada, também interessada em house. De seus áureos tempos até hoje, a festa já realizou mais de setenta edições, viajou o Brasil, fez uma turnê com a dupla Jota e Wander pelo Reino Unido, recebeu como convidados os principais DJs do país e grandes nomes internacionais, fez projetos nos melhores clubs de São Paulo e foi indicada a prêmios como o da coluna Noite Ilustrada, que anualmente elegia os principais representantes de cada categoria através da votação dos leitores.
Conforme a Colors ganhava notoriedade, diversos projetos e noites fixas dedicadas à house foram criadas ou voltaram à ativa, alem de DJs e núcleos que se dedicavam a outras vertentes musicais voltaram seu foco ao estilo. Hoje, a cena paulistana de festas houseiras voltou a ser a melhor do país e uma das melhores do planeta. A Colors de Jota Wagner continua ativa como nunca!
Experiências Internacionais
Desde 2.006, indicado por DJs internacionais que tocaram na Colors e conheceram seu trabalho, Jota Wagner procura se apresentar no continente Europeu semestralmente em festas e clubs do cenário underground no velho continente. O DJ já mostrou sua música para públicos de cidades como Londres, Glasgow, Manchester, Aberdeen, Brighton, York, Nottingham, Santiago de Compostela, Córdoba, La Coruna e Cádiz. Os DJs sets de Jota agradaram tanto ao exigente público britânico quanto aos promoters e DJs residentes das festas, deixando as portas abertas para mais e mais viagens.
Produções
A partir de 2.003, Jota e seu irmão Wander A. perceberam que não havia mais como adiar o próximo passo de suas carreiras: começar a produzir e lançar suas próprias músicas. Dois anos depois, o competente Festival Cultura Inglesa incluía a categoria música eletrônica em sua nona edição, premiando novos talentos e live performances. O projeto Beat Brothers, criado pelos dois irmãos junto com Rogério Martinelli, venceram não só a nova como também a edição seguinte do prmio, no ano de 2.006. As premiações e o impulso gerado pelo bi-campeonato foram investidos no estúdio da dupla em Jundiaí. Atualmente, Jota já lançou remixes por selos como Spinifex, Arabica Records, Grooveland Music, Conya Records, alem de produções próprias através de seu selo independente, Lunatic Jazz Records. As músicas de Jota Wagner já foram tocadas por DJs importantes da house underground como Q-Burns Abstract Message, Luke McKeehan, Murray Richardson, Asad Rizvi e Funky Transport.
Percebendo a tendência atual dos artistas Europeus de editarem e publicarem suas próprias músicas no mercado utilizando-se das facilidades das vendas via internet, Jota Wagner criou em 2.007 o selo independente Lunatic Jazz Records. O DJ ainda usa a estrutura do selo para lançar produções de grande qualidade produzidas por artistas brasileiros e internacionais. Dedicada ao deep e funky house, a Lunatic Jazz já tem seu calendário de lançamentos preenchidos até o final de 2.008, comprovando que não faltam excelentes produtores e trabalhos prontos para animar as pistas de dança mundiais.
Principais clubs onde Jota Wagner se apresentou:
São Paulo:
Lov.e
D-Edge
Clash
Vegas
Manga Rosa
A Loca
Stereo
U-Turn
DJ Club
The Week
Supperclub
Piranha
Small
Black Box
Rio de Janeiro:
Bunker 94
Fosfobox
Zero Zero
Dama de Ferro
Les Artistes
Caroline Café
Exterior:
The Lodge (Londres)
Hidden Garden (Londres)
Shrunken Head (Londres)
Kindergarten (Manchester)
Freakin (York)
Snafu (Aberdeen)
Blueprint (Nottingham)
La Radio (Santiago)
Discoruta (Santiago)
Stereo Club (Cordoba)
Umec (Cadiz)
House Music Café (La Coruña)
Outras Cidades:
Deputamadre (Belo Horizonte)
Up Bar (Belo Horizonte)
Casa Ototoi (Belo Horizonte)
O Lugar (Belo Horizonte)
Pulp (Belo Horizonte)
Josephine (Belo Horizonte)
Vibe (Curitiba)
Nico (Curitiba)
Cats (Curitiba)
Roxy (Curitiba)
Neo (Porto Alegre)
Casablanca (Belem)
Zeppellin (Belem)
Garage (Campo Grande)
Kraft (Campinas)
Play (Campinas)
The Club (Campinas)
Central (Campinas)
Palicari (Campinas)
Velvet Club (Jundiai)
Six Club (Serra Negra)
Café Cancun (Ribeiro Preto)
Festivais e eventos:
Red Bull Live Images (Sào Paulo)
Vivo Open Air (São Paulo)
Hype Festival Sesc (Sao Paulo)
Festival Cultura Inglesa (Sao Paulo)
Lov.e Vibe (Campinas)
Bunker Rave (Rio de Janeiro)
Motorolla Lounge (Campos do Jordao)
Rave Avonts (Sao Paulo)
Groove Nation (Sao Paulo)
Rave Fusion (Sao Paulo)
Twisted Rave (Sao Paulo)
DJs internacionais - apresentações na mesma pista.
Laurent Garnier
Grooverider
Chris Liberator
Asad Rizvi
Jay J.
Murray Richardson
Funky Transport
Joe Silva
Stuart Patterson
Jafar
Phil Weeks
Tom Baker
Paul Soul
Julian Liberator
Bahsamba (Julian Bendall)
James Anderson
Jordan
Allan Bryden
Discografia:
Singles:
- Mind Traveller [Lunatic Jazz Records] - 2007
- The Factory [Lunatic Jazz Records] - 2008
- Spaceman [Lunatic Jazz Records] - 2008
Remixes:
- Brazilian Soul - BSC Crew [Conya Records] - 2007
- All Things Praise - KC Jackson [Grooveland Music] - 2007
- Icarus - Diego Velasquez [Spinifex Records] - 2006
- My Lovely Dilema - Segeke [Arabica Records] - 2006
Compilações:
- Deep House Chapter 4 (Mixed by Harley & Muscle) [Conya Records] - 2007
CHART
- What Day is It - Mike Monday
- Never Enough (Cubase Dan Mix) - Giano - Gourmand
- Reminds Me - Da Sunlounge - Myna
- Transitions - Late Night Society - Transitions
- That Sound - Joe Silva - Lunatic Jazz
- Cuckoo (Motor City Soul Mix) - Brett Johnson - Freerange
- So High - Phil Weeks - Robsoul
- NU - Zoe Xenia - Connaisseur
- There Goes The Neighborhooad - Rylan White feat Olly Brunston - Mimosa
- Still High Together - Bleep District & Kinky Movement - Replay