E Brasília, como anda?
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E Brasília, como anda?
O hype pode estar atrasado, mas a Capital se renova com festas "freestyle" e efervescência em blogs, rádio e jornais. Cultura sound system também ganha destaque
27.11.08 16:35
Bras.ilha, DF. Sexta ou sábado à noite, há algum tempo não muito distante...
Bras.ilha, Distrito Federal, Brasil. Sexta ou sábado à noite, há algum tempo não muito distante...


Após um período notável, as opções de entretenimento ligadas à cultura eletrônica na capital do País se resumiam aos eventos pseudo-undergrounds de minimal techno e festinhas regadas à farofada FM, além, é claro, das irregulares e datadas manifestações houseiras. Pistas criativas e descompromissadas deram lugar às propostas agora "inteligentes", "posers" ou meramente caça-níqueis. Era chato e difícil de sair à noite, com raras exceções.

No entanto, mesmo que timidamente, alternativas emergentes ligadas sobretudo ao cenário indierocker-eletrônico passaram a ganhar corpo no DF, reforçando a tese de que algo não ia bem. O ano era 2007, e a molecada muito antenada à Internet e ao que acontecia no exterior (além da cidade apresentar renda domiciliar muito alta, há uma proximidade quase que natural com pessoas ligadas a embaixadas e afins) se deu conta que a nova febre passava bem longe da noite local. O chamado "mainstream-underground eletrônico" (se é que isso existe...) torcia o nariz e fazia cara feia para os Justices, DFAs, Ed Bangers, Kitsunès, bloghouses, new-ravers, chip-tunes, bootlegers, etc e tals, sendo que, para alguns, isso não poderia nem sequer ser classificado como música eletrônica.

Mesmo que tenha se desenvolvido aos trancos e barrancos e que ainda apresente deficiências ou inconsistências visíveis, pode-se dizer que o cenário disco-punk-electro-rocker é hoje uma realidade na cidade (e das bem interessantes, diga-se de passagem). Neste texto serão expostas as pessoas, iniciativas, núcleos e artistas que contribuíram para o desenvolvimento da cena e/ou são responsáveis por sua sustentação.

NOITE ::
ONDE AS MUDANÇAS OCORREM DE FATO

No que tange às festas e eventos, existem 3 núcleos hiperativos que vem produzindo e evoluindo bastante de 2007 para cá. Segue.

A Indiecent Music é uma crew composta pelos DJs e bloggers Fábio Pop, Vitão Milionário e Lirou, que começou ligada à cena indie, mas que se soltou e hoje é responsável por divertidos projetos multifacetados e bem freqüentados tais como a Jello Shots, Shock!, Discoteca Kamikaze, dentre outras. Essa turma cuida do blog super visitado e foi responsável por trazer para Brasília figuras como Bezzi, Bo$$ In Drama, Database, Roots Rock Revolution e Larry Tee.

Palquinho da Jello Shots
Palquinho da Jello Shots
Chefiada pelo DJ, host e performer Fernando Cunha, figura bem popular na noite da capital federal, a Blush Produções é responsável por eventos que acontecem religiosamente todos os finais de semana (só para citar alguns: Elástica, Grind, Electrorockers, Disco Fever, Glam Shot!). Em suas festas, é comum a presença dos DJs Raven Roxx, Thays Hungria, Bruno Engel, dentre outros, e das poderosas gogo drinkers Camila Maia e Luísa Bianchetti. Há uma forte presença da estética 80s nas festas, por onde já passaram, por exemplo, Montage, Mixhell, Madame Mim e André Pomba.

Pop, rock, electro, funk-rio e tudo que pode ser associado aos termos "bagaceira" e "trash" são fatores em evidência nas produções da Vodka Blush. Também de periodicidade semanal, os eventos são marcados pela heterogeneidade de seu público e pelo clima quente da pista de dança, onde não existe espaço para preconceitos musicais e/ou sexuais (Insexto, Lollipop e Bubble Gum são alguns dos projetos). A equipe é composta por [andie], Mya, Hiroshima & Nagasaki, The Porn Queen Rocks, Otávio Chamorro, Hall e agregados variados.

Cabe notar o trabalho desenvolvido por DJ's, produtores e colaboradores importantes como Montana, Telma & Selma (aka Irmãs Ferrugens), Gonzalo Insônia, Daniel Black P, Cookie Valentino e mais uns tantos que estão sendo esquecidos, além de algumas festanças promovidas por cursos da Universidade de Brasília (BioVinil, Festa da Arquitetura, Realize suas Fantasias, Sem Limites!) e núcleos de manifestações diversas que fornecem apoio (Temprano Lounge, SóSomSalva).

HÁ UNIÃO, MAS NÃO HÁ LOCAIS
Volta e meia ocorrem ainda eventos que envolvem parcerias entre as produtoras, o que é um fator que contribui positivamente com o desenvolvimento da cena. Um grande problema é a dificuldade de se encontrar um bom local para abrigar os projetos. O Landscape Pub, localizado no nobre bairro Lago Norte, é uma das opções mais utilizadas, porém, o acesso é difícil. Como em quase todos os locais da cidade, há de se ter carro para ir, e sofre ainda pela estrutura aquém do satisfatório. O Espaço Galeria, que fica no Conic, centro da cidade, é um inferninho (no bom sentido do termo) visivelmente em decadência, oferecendo aos notívagos mais motivos para não ser freqüentado do que o contrário. Ressalta-se também que é pouco comum achar festas durante a semana corrente, sendo que as opções se restringem quase sempre às sextas e sábados.

SOUND SYSTEMS AJUSTADOS
Outro braço da música eletrônica que há tempos dá vida à cidade e que merece louvores hoje, por se encontrar em uma fase mais amadurecida, é a cena dub-ragga-dancehall e afins, capitaneada pela turma do Confronto Sound System (Afonso "El Rocker", Pedro "Rei Zula", Claudius "Ogro", Alexandre "Fish" e Marrie). Responsáveis por disputados bailes realizados de graça em vários pontos do centro (além dos famosos "Churraggas"), essa turma garante ao público rebolation fino, que pode ser caracterizado como o divertido "arrasta-coxa" dos intelectuais e alternativos da capital federal. Nas seleções (que conta com precioso acervo em vinil), além do forte apelo ragga nota-se a insurgente presença dubstep e dos pancadões miami-bass, kuduro e funk-rio, estes últimos apresentados por ninguém menos que Nego Moçambique e pelo projeto S-A-F-A-D-O.



Cabe lembrar, em meio a outros tantos, de algumas figuras ligadas à essa corrente: DJ Bola e a patota do Batidão Sonoro S/A, Megaton Dub, Mak e Gardenal (Em Massa Produções, mesmo que meio sumido), Jetson, Percussion Brothers.


Todo o charme do The Random
Todo o charme do The Random
MÚSICA ::
OS ARTISTAS LOCAIS QUE PROMETEM

E agora, o mais importante: música, que sempre merece espaço. O The Random é uma ótima resposta a angústia por que muitos passavam. Os srs. Tony Roballo (aka Tomas Seferin), artista plástico e produtor musical responsável pelas composições do respeitado Delta-W, dentre outros projetos experimentais (que passou parte de 2007 fazendo curso engenharia de áudio na SAE, Paris), e Rogi d'Or (aka Mr. Lango), DJ, produtor musical e ex-piloto de corridas, se uniram e passaram a produzir bebendo na "nova" estética sonora. O resultado pode (e deve!) ser conferido abaixo.

Flash Content
The Random - When I Call You (mp3)

Flash Content
The Random - Voyage (mp3)

French touch+ritimia micro-house+presença electro-maximal+originalidade à la Ninja Tune... Isso existe? É a impressão sonora ao se ouvir o The Random, que demorou certo tempo para vingarem na noite brasiliense, mas hoje são figuras facilmente encontradas nos finais de semana. Administram também o selo Disco Disco Records, que promete em breve lançar coisas do próprio duo e de outros artistas (um tal EP do Superpose é uma
Leo Faroff
Leo Faroff
promessa...), e integram a produção do programa de rádio NüBEAT (explicado a posteriori).

Outro que merece destaque é o projeto bootleger Faroff, de Leonardo Bursztyn. Só a trajetória do geniozinho já é digna de nota: compositor e guitarrista da banda indie Móveis Coloniais de Acaju, o rapaz, que é atualmente bolsista do programa de doutorado em economia de Harvard (Cambridge, Boston), vira e mexe desembarca na cidade com suas esquisitices musicais, que fundem preciosidades pop à balcan beats, Beatles ao disco-punk, The Doors e soul music, além de outras loucuras, que garantiram ao dinâmico performer papel de destaque em um dos maiores eventos de mash-up do mundo, a Bootie, onde foi inclusive convidado para ser residente e realizar turnê. Apesar de suas apresentações em Brasília serem irregulares, seu som dissemina sentimentos contraditórios frente ao público, com o consenso de que é no mínimo inquietante, não sendo possível sair indiferente ao que é apresentado. O rapaz cutuca fundo, e meche com os nervos de muita gente...

Flash Content
Faroff - Metallica vs Ting Tings vs The Beatles - Enter Day Tripper (mp3)

Flash Content
Faroff - The Beatles vs Datarock - Fafafa my car (mp3)

Flash Content
Faroff - The Beatles vs LCD Soundsystem vs The Kinks - The Brits are playing at my house (mp3)

NETWORK ::
ESPALHANDO A PALAVRA

Por fim, cabe expor os poucos canais de comunicação existentes, que tratam de música eletrônica em geral mas que há algum tempo vêm dando relativo espaço à cena disco-punk-electro-rocker da cidade. Além do blog da Indiecent Music, há os portais Dotmagazine (em ascensão) e Tuntistun (que já foi muito ativo) e a coluna semanal "Madrugada B.e.a.t.s" do jornal Correio Braziliense. Em julho, estreou na Rádio Cultura FM 100,9 MHz (o canal alternativo mais ouvido) o programa de música eletrônica NüBEAT, que vai ao ar todos os sábados das 22h às 00h e que surgiu para ocupar a lacuna deixada pelo cultuado Electron. Fazem parte de sua produção os rapazes do The Random, além de Cláudio Bull (DJ e vocalista da banda indie Superquadra), Pablo Ornelas (instrumentista do grupo de trip-hop Eletrojazziz) e Miguel Galvão (DJ, aka 141b), autor dessas linhas.

O hype agoniza no restante do mundo, mas em Brasília encontra o seu ápice só agora, o que de certa forma é até preocupante. Muitos dos agentes responsáveis pelo andamento da cena se encontram envolvidos por algo em que parecem acreditar que ainda vai durar muito tempo... Resta torcer para que estes se demonstrem abertos e sejam dinâmicos o suficiente para que novas tendências e estéticas possam ser devidamente aceitas e absorvidas, caso contrário, a insistência em sustentar rótulos e/ou modismos pode gerar o mesmo empobrecimento promovido por defensores e promotores de alguns estilos criticados ao início. Será que estes vão ter também medo do novo e do diferente? É viver para ver (ou escutar...) e torcer para que a pista aberta prevaleça.

Miguel Galvão (ou Jisko Kid, que já usou 141b)
Miguel Galvão (ou Jisko Kid, que já usou 141b)
141b
comentários
33 comentários
Resgate
Resgate(06.03.09)
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A única coisa que me preocupa nesse papo todo é essa busca constante pelo ultimo modismo existente, num papel inverso ao que sempre foi idealizado na raiz da música eletrônica, e sempre foi executado aqui na cidade de uma maneira tão peculiar. Aqui nunca fomos atrás de modismos, aqui gerávamos moda. E o mundo era outro, e a dificuldade de se ter acesso as musicas e novidades existentes no mundo eram muito piores, comprar disco em dolar era terrível. Aqui se ouviu acid house na década de 80, Hardcore no inicio da década de 90, aqui o antológico primeiro album do LFO, que na época era a maior novidade existente virou hino antes de qualquer lugar do brasil, assim como a 1 rave em 1991. MENTOK 1. O Primeiro Lounge do Brasil foi no Wlöd em 1996, antes do conceito cair nas graças do modismo. Fora o IDM, Dnb, chicago house, detroit techno, acid techno, todos esses estilos foram tocados de uma maneira tão presente em momentos importantes na história que hoje é possível ter essas "cenas" ativas
Resgate
Resgate(06.03.09)
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Pois é...depois de um período os houseros "irregulares" voltaram a ativa. As décadas passam, os modismos iniciam e acabam, e o house sempre estará com seu espaço garantido.
Se por um momento ele estava recluso, talvez estivesse fazendo o que sempre faz em seus momentos mais delicados, buscando na sua longa história a volta a sua raiz fortificando seus valores e conceitos fundamentais, que são os pilares de sua longa existência.

www.oresgate.com
Claiton Cunha
Claiton Cunha(11.12.08)
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Mas o q tbm é característico de Bsb? Acho q a maioria q é daqui e conhece vai dizer: Panela!
Panela da ignorância, da intolerância, da soberba, da convicção pessoal de que nada além do que está de acordo com os critérios (extremamente subjetivos) pessoais de cada um pode ser digno de mérito.
O q é pior é q geralmente são pessoas bem informadas, que desenvolvem bons trabalhos, mas deixam-se levar por uma ignorância proposital, ñ conseguem fugir da tentação de falar mal do trabalho dos outros, em vez de se preocupar em melhorar seu próprio trabalho.
Acho q por esse caminho nunca vai se conseguir ter "satisfação" (I can't get no!), e Brasília vai sempre parecer uma cidadezinha cheia de defeitos.
Eu me divirto bastante em todas esses lugares, com todos esses produtos da nossa cultura, e com ctza me preocupo com a qualidade desses. Em todos esses lugares me divirto, me satisfaço e fico orgulhoso da cultura feita aqui e a cada info q saibo vejo q o trabalho feito por todos é sério.
Claiton Cunha
Claiton Cunha(11.12.08)
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Techno, Ragga, House, Farofa, Dubstep, Trance, Hip Hop, Rock n' Roll, o q quiser se encontra em Brasília, sempre vai ter ao menos um pequeno grupo trabalhando e olhando além dos limites do quadradinho. E fazendo muitas vezes um trabalho de qualidade inquestionável em qquer parte do mundo, menos em Brasília.
Komka, Allan Villar, Marko, Delta, Random, Confronto, Funk the System, Nego Moçambique, The First Stone, Burn In Noise, Bash, Mil bandas de rnr desde sempre, isso só citando o q vem de primeira a cabeça e só "criadores" de música. Se contarmos os "intérpretes" ainda pode-se incluir mais pelo menos 10 ou 20 djs e ao menos uma centena de ótimos músicos. Qualidade inquestionável, se for analisada de acordo com a proposta.
Rodrigo Lobbão
Rodrigo Lobbão(03.12.08)
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Outra coisa, achei contraditorio no texto foi criticar a cena farofa fm, sabendo que nessas festas ou lugares eu escuto de rihanna em bootleg com alguma faixa de rock, funk carioca, uns dance da decada de 80, tipo kon kan etc.
Isso é ser underground hoje em dia?
Justice daqui a alguns anos pode parecer datado, assim como andar com tenis sneakers coloridos, calças de aerobica 80's e bonezinho ala MC...