Poesia e música em performances polêmicas e personalidades marcantes
22.07.08 16:30
O Spoken Word é uma forma de performance artística que envolve literatura (seja poesia, letras de música ou mesmo contos e estórias) quase sempre em conjunto com a música, que neste caso ocupa o segundo plano. A performance geralmente ocorre no palco, onde o artista lê em voz alta seu trabalho (ou de outros autores) para uma platéia.
É uma arte que geralmente lida com textos de protesto ou confissões pessoais, com cunho bastante alternativo, muitas vezes com temas sociais e políticos. A performance não é exclusiva de artistas ligados à música e a literatura: vários atores e atrizes, como Claire Bloom, William Shatner, Vicent Price e Dennis Hopper também já se apresentaram nos palcos de spoken word dos EUA. Num contexto mais atual, a série de coletâneas Late Night Tales sempre encerra suas edições com convidados escolhendo faixas de spoken word.
Segue uma pequena lista de músicos e poetas do universo do Spoken Word.
LYDIA LUNCH Mito vivo da cena underground nova-iorquina, era vocalista e guitarrista do Teenage Jesus And The Jerks, uma das principais bandas da No Wave, movimento musical e artístico do final dos anos 70 e início dos 80 do qual também faziam parte bandas como o Sonic Youth, Suicide e Swans. É também atriz de filmes experimentais e escritora. A poesia de Lydia é marcada pela forma agressiva e franca com que fala sem pudores sobre sexo e sexualidade, dominação/submissão e opressão - ela própria se define como uma "predadora sexual". Suas apresentações são sempre marcantes e polêmicas. Um fellatio em dois microfones enquanto recita é só algumas de suas performances.
LAURIE ANDERSON Performática artista multimída americana, Laurie é uma das principais artistas experimentais do nosso tempo. Seja criando seus próprios instrumentos (violinos eletrônicos feitos com fita magnética, bastões de luzes que simulam sons humanos, etc) seja realizando filmes experimentais, o trabalho de Laurie já avança por três décadas. Seu primeiro single "O Superman" (1981) embora tivesse oito minutos de duração e um instrumental nada dentro dos padrões da música pop, se tornou um grande sucesso comercial e a tirou do restrito universo artsy. Seus temas preferidos sempre lidam com o surrealismo o non-sense. Já se apresentou no Brasil algumas vezes, e é casada com o Lou Reed.
PATTI SMITH Considerada a "avó" do movimento punk graças a seu álbum Horses de 1975, Patti Smith é uma poetiza que se enveredou pelo mundo da música ainda no começo dos anos 70, e sua história está totalmente ligada ao underground de Nova Iorque. É herdeira direta de escritores "malditos" da geração beatnik americana como Allen Ginsberg, William Burroughs e Jack Kerouac. Sua influência como força feminina dentro da música pode ser percebida em artistas que vão desde Madonna, Pj Harvey até Courtney Love. No final dos anos 80, se retirou do meio musical para se dedicar à família e as poesias e só reapareceu no final dos anos 90. O trabalho de Patti é bastante contestatório e político, e atualmente ela se envolveu com questões como a guerra do Iraque e o impeachment do presidente Bush. Se apresentou brilhantemente no TIM Festival em 2006 e entrou para o importante "Rock'n'Roll Hall Of Fame" no ano seguinte.
FARAH Bom ver que a neo-disco não é só hedonismo. Um exemplo é o trabalho da texana Farah, da turma do selo Italians do It Better (aquele da já histórica compilação After Dark, que apresentou Glass Candy e afins). No disco ela canta duas faixas, "Dancing Girls" e a morfínica "Law of Life", poesia cética e existencialista a listar as condições errantes do mundo, versos recitados em inglês e persa (influência de sua mãe iraniana). "Burn the idea of consciousness/In the shuddering blindness/We hear thunder/We see clouds" (Queime sua idéia de consciência/na arrepiante cegueira/nós ouvimos trovões/nós vemos nuvens). Farah mandou um VHS dela recitando seus textos para Johnny Jewel, o grande instrumentista do selo de Portland, que ficou fascinado e criou suas étereas bases minimalistas de disco. O MySpace de Farah já mostra bom material suficiente para um EP. A ver.
HENRY ROLLINS Ex-vocalista da banda punk/hardcore Black Fag (1981-1986), e atualmente na Rollins Band, Henry também lançou uma série de álbuns de spoken word, onde apresenta histórias pessoais, como seu difícil relacionamente com o pai violento, seus anos sob forte treinamento disciplinar no exército, lutando pelos direitos humanos e também pelos direitos dos homossexuais - embora seja assumidamente heterossexual. É também ator, tendo participado de séries de TV e filmes de sucesso. Se apresentou com sua Rollins Band no Brasil em 1994/1995.
ANNE CLARK Durante as últimas três décadas a inglesa Anne Clark vem fazendo uma bem sucedida mistura de música eletrônica e spoken word, chegando até a compor vários hits de pista, como "Sleeper in Metropolis", "Wallies" e "Our Darkness". Vinda do cenário punk do final do anos 70 na Inglaterra, o trabalho de ano no princípio era uima dura crítica à sociedade e a falta de caráter humano, e hoje ainda mantém a mesma ideologia, porém tratada de forma menos agressiva. Anne é presença garantida nos principais festivais e eventos ligados à cultura gótica e industrial européia. Leia a entrevista exclusiva que ela deu para o rraurl nest link.
Momento de pH baixíssimo parte 5: e Patti Smith como avó do Punk, vir ao Brasil e entrar naquele embuste do Hall of Fame enquanto 1 em 10 pessoas q se dizem, no mínimo, "afeitos" à estética própria da Punkadaria sequer já ouviram falar de MC5. Me salva, Rimbaud, me salva...
PS: Guzs Guzs, se eu fosse a decadentona, no momento em q me desafiassem eu pegaria o primeiro deles e daria o lugar, mas com uma condição: eu sentaria no colo. Décadence avec elegance, toujours...
...afirmava para a imprensa de celebridades (eles juram que desprezam esse tipo de jornalismo mas a luzinha vermalha da cam acende e eles pegam fogo nas virilhas) que achava patético que as pessoas fizessem tanta questão de sentar na primeira fila. Aí alguem então sugeriu que ela cedesse a cadeira pra alguem que estivesse no fundão e ela, com cara de ultrajada, respondeu: "Claro que não vou ceder, seria uma ofensa para com MEU amigo ...(o nome do estilista jabazeiro) que tanto trabalho teve em me convidar e me receber aqui."
Raul, não reduza a "realeza" Beatnik ao Burroughs mesmo pq quem não era sexualmente ambíguo nessa época estava out (qqr semelhança com o final dos 90 NÃO é mera coincidência), incluindo o neo-macho do Dennis Hopper. Neste registro "bicha", prefiro Quentin Crisp cuja afetação tipicamente Cool Britania atravessou o Atlântico e atingiu em cheio o pessoal da Costa Oeste dos EUA. No mais, adoro o resto do teu post, principalmente o trecho "...até os pobres-coitados q arranjam um boteco para extravasar a pequenez a q este mundo sufocante os reduz e encontram reverberação em uma pletéia q projeta neles suas próprias frustrações, muito pouca coisa mudou... " Brilhante! Tb concordo sobre o "estilo de vida alternativo" que os fakes brasileiros de plantão vendem (como dizia Paulo Francis, "ah, essa canaille brasileira) e me lembro da esposa de um de seus expoentes, uma atriz ruim que conseguiu um certo allure por participar de Tropa de Elite e que durante esse soporífero evento chamado SPFW
E, sinceramente, Alisson, adoro, amo, idolatro todo o colorido q vc troxue para o rraurl, as resenhas estão excelentes, as pautas cativantes, as análises pungentes e as opiniuões contundentes. Mas ter a pachorra de fazer algo sobre spoken word e não mencionar NENHUM artista negro é uma cara-de-pau sem tamanho, suficiente até para borrar quase tudo q vc trouxe de bom para o site até agora. Cara-de-pau pq sei q vc sabe bem melhor do q isso...
PS: Guzs Guzs, se eu fosse a decadentona, no momento em q me desafiassem eu pegaria o primeiro deles e daria o lugar, mas com uma condição: eu sentaria no colo. Décadence avec elegance, toujours...
Aí alguem então sugeriu que ela cedesse a cadeira pra alguem que estivesse no fundão e ela, com cara de ultrajada, respondeu:
"Claro que não vou ceder, seria uma ofensa para com MEU amigo ...(o nome do estilista jabazeiro) que tanto trabalho teve em me convidar e me receber aqui."
Rsrsrsrsrs, gentalha, gentalha, GEN-TA-LHA!
Neste registro "bicha", prefiro Quentin Crisp cuja afetação tipicamente Cool Britania atravessou o Atlântico e atingiu em cheio o pessoal da Costa Oeste dos EUA.
No mais, adoro o resto do teu post, principalmente o trecho "...até os pobres-coitados q arranjam um boteco para extravasar a pequenez a q este mundo sufocante os reduz e encontram reverberação em uma pletéia q projeta neles suas próprias frustrações, muito pouca coisa mudou... "
Brilhante!
Tb concordo sobre o "estilo de vida alternativo" que os fakes brasileiros de plantão vendem (como dizia Paulo Francis, "ah, essa canaille brasileira) e me lembro da esposa de um de seus expoentes, uma atriz ruim que conseguiu um certo allure por participar de Tropa de Elite e que durante esse soporífero evento chamado SPFW