Techno: reação contra covers e samples
Aril Brikha vs Shlomi Aber
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Techno: reação contra covers e samples
Theo Parrish explicita questões raciai, Derrick May reclama de aproveitadores e Aril Brikha acusa israelense de copiar seu maior hit.
21.07.08 14:20
Parrish: uma questão de raça
Parrish: uma questão de raça
Theo Parrish, respeitado produtor americano de techno, mostrou revolta ementrevista , dizendo ser contra a "ilusão estúpida que a dance music não tem raça nem gênero, que é apenas a celebração de algum tipo de conceito utópico", opiniões expressas numa crítica contra "artistas brancos com selos" roubando idéias de produtores negros.

"(Música eletrônica underground) é algum dos poucos lugares em que um ladrão tentará copiar sua música, depois mandar para você como se fosse um tributo, na esperança de algum endosso", contou o DJ e produtor ao portal Moodmat.com, de Detroit. "Esses caras acham a fonte dos seus samples se você os usa, depois os copiam literalmente, daí tentam ganhar dinheiro com o seu sucesso... Os ladrões, geralmente brancos, geralmente são os expoentes desse fenômeno", acusa.

DERRICK MAY: "SÃO TODOS APROVEITADORES"
As visões de Theo refletem as de Derrick May, pioneiro de Detroit, que admitiu em entrevistas antigas ter sentimentos ambíguos sobre produtores criando covers de seu hino "Strings Of Life", quase uma assinatura eletrônica.







Derrick May - Strings Of Life (1987) (mp3)

"No fim do dia eles são todos aproveitadores, mesmo sendo boas ou más pessoas, fãs, gente que diz que a música mudou a vida… Não importa, são todos aproveitadores, tudo são negócios", reclama Derrick.

"Quando um grande atleta surge, todo mundo o quer para seu time, não só para ajudar a vencer, mas também para gerar admiradores. Criar um cover é business, é uma máquina de fazer dinheiro e quando as pessoas vêem uma janela aberta parar isso, todo mundo quer pular dentro."

A música ("Strings Of Life") nunca sumiu completamente, os jovens sempre a descobrem, eles não conhecem a versão original então alguns vêem uma oportunidade para obliterar a original com novas versões, num processo que pode gerar dinheiro. Isso vai acontecer sempre", completa Derrick, resignado.

ARIL BRIKAH e SHLOMI ABER
PRODUTOR SUECO DE TECHNO ACUSA ISRAELENSE DE COPIAR QUASE QUE INTEGRALMENTE SEU MAIOR SUCESSO, "GROOVE LA CHORD", DE 1997

Aril Brikha
Aril Brikha
Está rolando nos últimos dias no blog do MySpace de Aril Brikha uma calorosa e polêmica discussão em torno de samples/cópias de faixas e timbres de techno. Aril acusou que sua música "Groove La Chord" (1997), auto-proclamada pelo sueco como o maior sucesso de sua carreira, foi copiada pelo produtor israelense Shlomi Aber na faixa "Efrat", lançada em maio. Ouça e compare.







Aril Brikha - Groove La Chord (1997) (mp3)







Aril Brikha - Groove La Chord (Shuffle Mix) (mp3)







Shlomi Aber - Efrat (2008) (mp3)

Brikha explica o "cover" no post: "após ouvir a faixa no Beatport e conferir o MySpace, (e de descobrir que ele é meu "amigo" lá), eu não posso chegar a outra conclusão senão que minha faixa original não só serviu de inspiração, mas foi provavelmente sampleada."

"No lado B de Art of Vengeance (EP que lançou o hit) tem uma versão chamada ‘Groove La Chord (Shuffle Mix)'. Nesta as cordas são posicionadas em cima da original, mas também por fora - exatamente como a versão de Shlomi Aber. E ao contrário da original, esse outro mix tem as cordas no final, sem beats ou qualquer outra coisa. Bem fácil para samplear, infelizmente."

Shlomi ABer
Shlomi ABer
Aril traz a mesma discussão sucitada por Theo Parrish e Derrick May ao dizer: "vamos chamar isso (a prática de samples) de ‘tributo' ao original, mas também de bootleg. Eu queria encontrar quem cria bootlegs e os lançam em vinil, mas ao menos eles só roubam a minha música e as lançam, não fazem uma versão querendo levar crédito. Eu acho esse incidente problemático porque não só (a música "Efrat") tem as mesmas características da minha música, as mesmas cordas, a mesma nota, mas é tocada da mesma maneira e com os mesmos filtros. Ela foi mais do que sampleada, foi lançada como a faixa original de uma pessoa como Shlomi Aber. Na minha opinião é a maneira mais baixa de se construir uma carreira."

PRESETS E A CRIATIVIDADE
O post gerou polêmicos comments, com a participação até de figuras como Christian Smith, Claude Young e o próprio Shlomi Aber, que respondeu mais de uma vez, furioso, ameaçando Aril de processo.
"Isso é típico da nova escola de produtores que não tem respeito por nada. Ao invés de ficar em casa trabalhando em suas técnicas de produção e fazendo alguma programação de som original, eles preferem apenas roubar o que querem e passar pra frente como se fosse deles. É patético. Se esses caras gastassem menos tempo tirando fotos para a imprensa com fones pendurados no pescoço, isso não aconteceria."
Claude Young
"Fiquei muito desapontado de ver Mr. Brikha agindo como um completo idiota, evitando me consultar antes. Para deixar claro, o synth principal, TOCADO do meu Virus TI, preset H46 (presets são timbres pré-prontos embutidos em sintetizadores). O que, para ser sincero, você pode achar em outras mil faixas", admite, levando a discussão mais para o patamar da tecnologia synth do que o processo criativo em si.

"Todos os samples, notas e chaves são originais, não estou roubando parte alguma. O som pode ser um pouco a mesma idéia, mas acho que ele usou o mesmo preset. Eu posso dizer um milhão de faixas que encontrei na web com sons parecidos com os meus. Isso não quer dizer que ao tocar um preset nós somos donos deles".

Aril respondeu que na época em que fez "Groove La Chord", 1997, não existia o Vírus TI, (ele criou a faixa com o Ensoniq SQ-80) e insistiu que não queria saber de ações legais, apenas quis explicitar o ocorrido, dexiando até margem para que sua opinião sobre a questão de cópias, samples e "direitos criativos" da música, pudesse estar errada. "Eu só quero que as pessoas, especialmente a nova geração, saiba a verdade". Leia o post aqui.

SHLOMI NO BRASIL?
E o MySpace de Shlomi Aber entrega: uma mini-tour na América do Sul está programada para o fim de agosto. Detalhes, alguém?

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff (jonty @ skrufff.com)
Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
comentários
Señorita Vê
Señorita Vê (02.08.08)
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Sinceramente nao creio que foi plágio. Pode ser que ele tenha modificado os samplers da melodia principal do "La Chord" mas nao se compara com o 'Groove' de Aril Brikha.
Incomparável.
Juliano Brandão
Juliano Brandão (24.07.08)
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Só digo que o blog do Aril tá fervendo mais que a backstage da DJ Sound nas antigas :D .

Sobre samples e afins... Sim, tem gente (muita) que goza com o (..) dos outros, mas, em 2008, acho que essa questão já tá velha. Desinventem os samplers (os mesmos samplers que, bem usados, fizeram parte da história, tanto do Derrick, quanto do Theo Parish e do Aril) ou esqueçam o assunto. Esse encano pra mim é coisa de dj que ficou velho marrento (pelamor, com todo o respeito e admiração pelos três, e, sim a música do Shlomi é chupada).
Qian
Qian (23.07.08)
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Concordo, Jade, que a questão racial nos EUa é muito mais forte que aqui. Aqui a segregação é social, e nao racial.

Agora, se um branco escreve publicamente algo como "os ladrões, geralmente pretos, geralmente são os expoentes desse fenômeno", você vai sofrer severas retaliações. Pode apostar!
 Togni
Togni (22.07.08)
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Sinceramente , as musicas se parecem pq são 4/4 e usam sinth , mas falar q são idênticas..........
Cada uma conta uma história.
SachA
SachA (22.07.08)
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Não sou produtor musical, mas escutando as duas musicas achei eles extremamente parecidas..meio alem da conta pra ser sincero...entendo a revolta do cara...

E sobre o Derrick May concordo..o cara é um genio da muysica mas nos ultimos anos só tem reclamado!!!

noixxxx

A duvida que fica é o seguinte.....pros produtores: Se a musica original fosse sua....vc se sentiria plagiado?

absss
proximos