Ratatat - LP3
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ficha técnica
Nota: 4.7 / 5
Ano: 2008
Selo: XL Recordings
Estilos: rock alternativo, eletronico, dub
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Ratatat - LP3
Dupla nova-iorquina inova mais uma vez e cria clássico instrumental
25.06.08 12:25
Álbuns instrumentais precisam mostrar mais personalidade que um CD "normal" para conseguir cativar seu receptor. A falta de um refrão imediato e letras sensíveis ao espelho do cotidiano levam o criador a buscar identidades comuns ao seu ouvinte. No entanto, a vontade de remeter a velhas ideias e sabores pode estragar até o mais promissor dos lançamentos, se não houver uma boa dosagem de personalidade. E*Vax e Michael Paul Stroud, a dupla Ratatat, conseguem com LP3 transformar antigos paradigmas musicais em arte própria, sem soar nenhum pouco desonesto ou gratuito.

É música introspectiva, daquelas feitas para se ouvir na ordem apresentada. Daquelas que passeiam por várias culturas nas seis cordas da guitarra elétrica da dupla, com maior destaque do que nunca, que almeja soar estranha mas vive esbarrando em releituras de fórmulas populares. "Shiller" abre o álbum com um tom espacial, quase extraterrestre. Talvez a semelhança com a grave música de abertura do seriado X-Files ajude a moldar sua descrição, é verdade. O sintético e estranho se deixa convencer pelos riffs épicos que, de tão pomposos, passam quase por excessivos. Mas na verdade só anunciam (assim como trombetas já o fizeram) a chegada de algo maior.

ratatat logo

WELCOME TO THE WORLD OF...
Após tamanha introdução, "Falcon Jab" não poderia se mostrar mediana. Apostando na improvável união das guitarras latinas com os vocoders franceses, os americanos ganham pontos não só pela ousadia, mas pelo excelente funcionamento do experimento. "Mi Viejo" faz jus ao nome espanhol e incorpora percussão quente ao delicioso jogo de dedilhados americanos, acompanhados por pads climáticos. Estranhamente, me lembra uma das propagandas clássicas do Malboro. Dá quase para sentir o calor de uma fogueira no meio deserto... Enquanto tranqüilos sintetizadores, batidas levemente quebradas e ar infantil são temática de pelo outras três canções ("Bruleé", "Gipsy Threat" e "Black Heroes").

Com cara de trilha-sonora de comercial, mas com ar experimental surge o single "Mirando". Anti-hit imediato que compra o cérebro e ganha a cintura com seu miúdo sintetizador 8-bit; aqui com um pouco mais de destaque do que os, agora, característicos solados de guitarra. E a trilha do Atari continua nos quase dois minutos de "Flynn", mesmo que a mudança de ratatatgêneros tenha sido drástica. Afinal um dub etéreo sussurrado pareceria deslocado se já não tivéssemos assumidos que qualquer cartada aqui é válida. Dúvida? Chame qualquer artista de R'n'B para colocar o vocal em "Dura" e "Mumtaz Khan", que eu lhe apresento dois potenciais número 1 para as paradas da Billboard.

LP3 possui um espírito de unidade fortíssimo, mesmo utilizando estilos musicais completamente diferentes de uma faixa para a outra. Mais estranho ainda é o jeito que as músicas se destacam quando colocadas lado-a-lado. Fugir dessa seqüencia pode destruir o devaneio inteligente planejado pelo Ratatat, o que torna difícil eleger as melhores (e piores) do álbum, mas faz com que seja fácil chamá-lo de clássico. E não estamos falando o nome do LP (o segundo álbum dos nova-iorquinos se chama justamente Classics).

Raphael Caffarena
Raphael Caffarena (raphael @ rraurl.com)
bad rabbits and good habits.