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Lee "Scratch" Perry dichavando o estúdio
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40 anos ecoando no Universo
Foi em 1967 que surgiram as técnicas de remix e dubplate, big-bang do Dub, genêro vital na raíz da música eletrônica
08.02.08 20:55
Poucos lugares no mundo são tão encobertos por um véu de realismo fantástico quanto a Jamaica. Um halo de experiência mística, religiosidade e superstições herdadas do continente africano envolve a vida do jamaicano assim como doses maciças de cultura pop, ultra-violência e marginalidade. Há um senso de obscuridade, revolvido no seio da cultura popular jamaicana, que dissolve os fatos comuns da realidade, em detrimento da própria realidade - na Jamaica, tudo é um grande porvir, engendrado por uma "mística natural" e, no mundo objetivo, nada está feito. "Na Jamaica não há fatos", resume, enfim, o velho adágio popular - apenas lendas. Ou, talvez, apenas muita ganja na cabeça.

Ganja
Ganja
Fato é que, musical desde sua origem, o povo da ilha caribenha legou à música a veiculação deste estado humano e social de consciência, principalmente depois que deixou de reproduzir discos americanos, nos anos 40, para começar a burilar a suas próprias expressões. Após uma curva ascensional do calipso para o ska, deste para o rocksteady e juntamente com o reggae, a Jamaica encontrou o seu ponto de evolução musical supremo no dub - gênero que se tornaria uma árvore genealógica para o desenvolvimento da música urbana e eletrônica em geral e o mais forte sinônimo da mente criadora jamaicana. Para entender esta influência, no entanto, é preciso remontar à sua origem, que é, em certa medida, ainda desconhecida.

BIG BANG DE ACETATO
A tese mais aceita é de que tudo começou com um Grande Acidente em Spanish Town no Ano de 1967. Poderia parecer improvável na época, mas tal acidente seria responsável por germinar, ao longo das décadas seguintes, o nascimento e a proliferação de dois dos maiores frutos que o país já ofereceu ao mundo: o dub e a cultura do dubplate - discos de acetato com versões exclusivas distribuídos a DJs e produtores, amplamente usados por artistas e engenheiros de música eletrônica de hoje. "Na verdade, o primeiro dubplate de dub nasceu bem depois de 1967. O que nasceu no final de 1967 foram as versions (versões), fato que deve ser considerado como o Big Bang do dub", observa o pesquisador carioca Chico Dub, que, ao lado do jornalista Bruno Natal idealizou o documentário Dub Echoes, sobre a influência do dub na música eletrônica.

Em perspectiva histórica, no entanto, parece possível afirmar que a cultura do dubplate como a conhecemos hoje (entranhada no ambiente da música eletrônica como veículo para remixagens) se desenvolveu a reboque do nascimento do dub, cujo alicerce principal é o remix. Ainda que cantores jamaicanos, após conquistarem as disputas dos shows de calouros do rádio local (uma paixão nacional), gravassem acetatos exclusivos para os sistemas de som, não havia a noção de que aquilo poderia ser retrabalhado e lançado como version da música original ou que pudesse ser um dubplate para outros produtores. "É possível afirmar isso. Porque, depois da febre das versões, engenheiros de som cortavam dubplates exclusivos de dub ou de toasts pros sound-systens. Assim, uma mesma fonte musical podia render N versões diferentes, muitas delas exclusivas", explica Chico Dub.

Discoteca ambulante, protótipo do soundsystem
Discoteca ambulante, protótipo do soundsystem
A origem desta idéia remete ao Grande Acidente de Spanish Town, que, na época, era mais que apenas um bairro jamaicano: era um território sagrado de disputas entre soundsystems (sistemas de som comandados por DJs falastrões e invocados que já existiam desde os anos 40, então tocando os últimos sucessos do R&B americano) e o DJ Ruddy Redwood, conhecido como Mr. Midnight, uma sumidade. Redwood, assim como todo DJ jamaicano na época (e ainda hoje), sabia que para sobreviver naquela Profunda Selva Negra, era preciso ter exclusividade, chegar antes, tirar o acetato ainda quentinho do forno e ferver a pista.

Quando recebeu "On The Beach", do conjunto The Paragons (ouça abaixo), a idéia e o procedimento eram os mesmos: tocar, verificar a pulsação do público, e, caso este respondesse, tocar mais umas três ou quatro vezes durante a noite. No entanto, a bolachinha chegara da masterização com um pequeno problema: estava sem os vocais. O engenheiro Byron Smith seqüelou! Até que recebesse a versão completa, Redwood experimentou tocar a versão, por assim dizer, instrumental. Depois que a versão original ficou mais e mais conhecida, a versão instrumental era mais e mais pedida pelo público - pois, além de poderem cantar junto, o instrumental abria oportunidades para que qualquer jovem jamaicano pudesse agarrar o microfone e dar o seu recado - o rap, em sua encarnação mais primitiva, nascia aqui.

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The Paragons - On the Beach (mp3)
The Paragons - On The Beach (vocal version - Difícil achar a versão sem vocal, quem tiver, seja generoso nos comments)

Augustus Pablo
Augustus Pablo
PIONEIROS NA DEMOCRACIA MUSICAL
Naquela ocasião, obviamente, o dubplate de "On The Beach" não era, ainda, um dubplate propriamente dito. Só a partir do Grande Acidente é que surgiria a Grande Idéia. A noção de que um disco com masterizações diferentes poderia ser distribuído aos produtores e DJs e virar, ele mesmo, uma nova música, seria posta em prática progressivamente a partir daquela data até o ano de 1972/73. Foi neste período que King Tubby, técnico de estúdio de Duke Reid, don de parte considerável da indústria musical jamaicana, se ligou no apelo popular dos dubs (como ficaram conhecidas as versões instrumentais, dali em diante sempre presentes no lado B de singles de sucesso) e, principalmente, nas possibilidades visionárias que a idéia oferecia. As culturas do remix e do dubplate nasciam, simultaneamente, aqui.

Pelas mãos de produtores e/ou técnicos de estúdio como Tubby, Lee "Scratch" Perry, Clive Chin, Prince Far I, Jack Ruby, Tapper Zukie, Scientist, Mad Professor, entre dezenas de outros, o dub foi, ao longo da década de 70 e 80, tomando a sua forma mais conhecida - para os interessados em mapear esta transformação, Java Java Dub (mixado por Errol Thompson, com os primeiros sopros de Augustus Pablo), Aquarius Dub (do sino-jamaicano Herman Chin-Loy; minimalista ao extremo) e Blackboard Jungle (de Lee "Scratch" Perry, com mixagem surrealista de King Tubby e participação do proto-rapper Dillinger - ouça abaixo faixa do rapper), lançados entre 1972 e 1973, disputam entre si o título de "primeiro álbum de dub da História" e formaram a primeira dentição da ala mais radical e psicodélica do estilo.

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Lee Scratch Perry, Lee 'Scratch' Perry - Black Panta (mp3)
Lee "Scratch" Perry - Black Panta

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augustus pablo - java (mp3)
Augustus Pablo - Java

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Dillinger & King Tubby - Jah Jah Dub (mp3)
Dillinger & King Tubby - Jah Jah Dub

EXPERIMENTALISMO POR NECESSIDADE
Enfurnados em estúdios muitas vezes construídos pelos próprios produtores (Tubby, por exemplo, tinha grande conhecimento do funcionamento eletro-técnico da música), eles definiram o esqueleto do estilo: a seção rítmica formada pelo baixo & bateria ascendia ao primeiro plano; guitarras, naipes de metais e rajadas de teclados, escaleta e órgãos eram elementos terciários; o vazio entre ambos os planos era puro éter, formado por audaciosas manipulações de diferentes tipos de efeitos (eco, delay, reverb, phaser), vocais decepados (que sobrevoavam a faixa como fantasmas) e barulhos alienígenas. De repente, inocentes sucessos do reggae e do rocksteady da ilha ressurgiam remixados, povoados por trevas, excentricidades siderais e meditações etéreas em planos inimagináveis.

O experimentalismo jamaicano, no entanto, nada tinha de científico (embora um de seus maiores produtores se chamasse Scientist). Na verdade, uma boa dose de empirismo pseudo-técnico e pura necessidade - um do-it-yourself muito mais selvagem do que aquele do punk ou da atual cena grime britânica - foram os ingredientes da revolução. "A necessidade foi mesmo a mãe da invenção neste caso", teoriza o pesquisador mineiro Leo Vidigal. "Mas isso só foi possível porque vários dos artífices que estavam por trás das mesas de som já tinham um bom conhecimento acerca das entranhas da sua aparelhagem, pois começaram no meio fazendo trabalho de manutenção. Pode-se dizer que a intuição e o espírito inventivo que estão na base da concepção do dub tinham um sólido embasamento técnico. Os equipamentos eram o coração do estúdio". Além disso, havia por trás do sucesso do dub uma acirrada competição entre os maiores estúdios da ilha e a fervorosa paixão com que o jamaicano consumia as novidades surgidas por lá.

King Tubby cortando um dubplate
King Tubby cortando um dubplate
E foi ao longo das três décadas posteriores que o dubplate assumiu, principalmente na música eletrônica, a sua faceta definitiva: pequenos acetatos de 12, 10 ou 7 polegadas "cortados" com sons exclusivos, distribuídos a dedo entre produtores e DJs. Antes de Redwood e "On The Beach", o dubplate era, se muito, uma ferramenta interna dos estúdios de produção. Só então é que começou a virar uma importante máquina de irradiação de sons exclusivos prontos para serem retrabalhados em estúdio. Hoje, dub, remix e dubplate, nascidos do mesmo gene, podem ser considerados a suprema tríade da realização jamaicana contemporânea. Há quem diga até que o inocente acetato incompleto tocado por Ruddy Redwood não só levantou no oceano da música uma onda de remixes e possibilidades que ainda não quebrou até hoje, como é um dos pontos-chaves no desenvolvimento da cultura dos DJs - é o que dizem, por exemplo, Bill Brewster e Frank Broughton, autores de Last Night a DJ Saved My Life: The History of Disc Jockey.

Se você não captou a emissão de sinal, ajuste suas antenas: o dub reuniu, em sua mística, conceito e técnica grande parte dos conceitos que norteiam o produtor de música eletrônica de hoje. Os principais: o remix; o produtor como artista principal; o estúdio como instrumento criador; o mash-up; a ênfase na batida e nos efeitos como espinha dorsal da estrutura de criação; a importância da track (ou seja, da faixa avulsa, distribuída entre os DJs); a incorporação do toaster (o MC) no ambiente dub, fornecendo o template para o rap. O antropólogo Hermano Vianna, no lendário texto Filosofia do Dub, publicado no caderno Mais da Folha de S. Paulo, ia além: "Sem dub não haveria hip hop, tecno, drum' n' bass ou mesmo o mais recente sucesso de Britney Spears ou Zeca Pagodinho". Isso numa época em que sampler e Ableton não passavam de um sonho distante.

Mestres louvados nas ruas jamaicanas (capture screen do documentário "Dub Echoes")
Mestres louvados nas ruas jamaicanas (capture screen do documentário
É incrível, mas, ainda que seja um consenso entre os produtores de música eletrônica mais antenados, o dub ainda padece de um certo anonimato. "Acho que o desconhecimento tem três origens: o dub está longe de ser uma música para as massas; o preconceito pelo fato de ser proveniente da Jamaica; e a falta de interesse que a música jamaicana causou na mídia e gravadoras durante anos após a morte de Bob Marley", palpita Chico Dub, que confessa ter realizado o Dub Echoes para preencher esta lacuna. O rraurl.com convocou alguns novos nomes que estão fazendo e pensando o dub no Brasil para comentarem a influência do estilo na música - que eles produzem ou escutam - e traçarmos aqui um pequeno inventário das estripulias do som jamaicano e de como ele se espraiou em outros estilos, confira.

DUB = MÚSICA ELETRÔNICA

REMIX
O remix foi a realização absoluta e incontestável do dub jamaicano. Na sua raiz, dub e remix são indissociáveis, um nasceu a partir do outro. Em 1967, foi o fenômeno das versions, catalisador da experiência definitiva que seria o dub - e o remix e o dubplate. Entre 1968 e 1971, quando surgiu o primeiro som com as características do dub ("Voo-Doo", version de "Hard Fighter", do cantor Little Roy, produzida por Lynford Anderson - ouça abaixo), no entanto, pouco se sabe o que aconteceu - provavelmente os produtores estavam assimilando a idéia, sondando o mercado local e incrementando os estúdios.

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Little Roy + Lynford Anderson (remix) - Hard Fighter + Voo-Doo version (1971) (mp3)
Little Roy - (Hard Figher) Voo-Doo

A partir do momento em que os produtores passaram a criar (e lançar) uma nova música retorcendo outra, estavam criados o dub e o remix - e, por extensão, quase tudo que se sabe de música eletrônica hoje. "Nós não conheceríamos a música eletrônica como ela é nos dias de hoje se não fosse a técnica do dub e do remix", confirma o produtor e DJ paulistano Dubstrong. "Não existe estilo de música eletrônica, feita com máquinas e softwares, que não tenha influência, direta ou indireta, dessa técnica. Da mesma forma que com o dub pela primeira vez o produtor era o artista principal, na musica eletrônica também. O foco é em quem produziu ou remixou". No universo jamaicano, o remix serviu de plataforma para o dub. Hoje, no entanto, a prática está difundida em todo e qualquer estilo de música imaginável, basta que tenha à mão um produtor disposto a remontá-la.

PRODUÇÃO
Ícones da vanguarda da música clássica como Karlheinz Stockhausen já haviam explorado as possibilidades de um estúdio e nomes do pop como George Martin, em Sgt. Pepper's, avançaram parcialmente neste terreno - com ajuda externa. Mas só foi com os produtores de dub, entre 1970 e 1973, que a engenharia de som, o estúdio e o produtor se unificaram para dar sua grande contribuição para a música popular mundial. "(Com o dub) foi a primeira vez que o ‘papel principal' na criação de uma musica não era do cantor, do compositor ou do músico, mas sim do engenheiro de som", opina Marcus "MPC" Paulo, produtor do coletivo carioca Digitaldubs. "Foi a primeira musica concebida por um técnico, então o principal ali era a sonoridade, os timbres e como a operação criativa do estúdio e das máquinas poderiam ser explorados para fazer aquela musica ficar melhor e original". Tese que o intelectual do dub Leo Vidigal reafirma: "Hoje as etapas de composição, produção e pós-produção estão praticamente fundidas para muitos criadores, principalmente na chamada música eletrônica. E isso é dub". Não era à toa que gênios como Brian Eno veneravam os produtores jamaicanos como sendo os verdadeiros criadores da música eletrônica.

SOUNDSYSTEM
De um jeito um tanto peculiar, o soundsystem é o coração da música popular jamaicana. Tocando compactos raros da música americana, eles já existiam desde os anos 40. Depois da explosão do som jamaicano nos anos 60, tornaram-se discotecas ambulantes, verdadeiros e potentes sistemas de som a céu aberto nas ruas e descampados ou em salões de dança (dancehalls) que aglutinavam todos os pontos sensíveis da indústria local: havia o DJ (que era uma mistura de MC com disc-jockey, tocando os discos e cantando junto); o toaster (MC que cantava de improviso em cima dos dubs); e funcionava como termômetro para testar novas faixas, de olho na reação da pista. Depois que a idéia aportou na Inglaterra (começo dos anos 80) e nos EUA (começo dos 70), a cultura do soundsystem alicerçou os estilos de música cujo centro vital são a pista, o MC e o live act (era comum produtores fazerem intervenções na música em tempo real, ao vivo). "Não sei dizer se, sem a cultura do soundsystem, as raves e clubs existiriam ou não", pondera Leo Vidigal. "Mas certamente seriam diferentes, pois o dub trouxe uma mentalidade mais aberta para a música popular, que até os anos 1970 era ligada unicamente a certos padrões de produção pouco questionados".

MC
Quando o DJ jamaicano Kool Herc imigrou para Nova York no início dos anos 70, fugindo de uma crise que abatia a Jamaica, levou consigo tudo que aprendera na ilha, principalmente a cultura do soundsystem, a qual incluía os toasters, que eram os vocalistas que pegavam o microfone para mandar recados, animar o baile e rimar sobre as bases instrumentais. Tanto o rap quanto o ragga (espécie de reposta jamaicana ao estilo americano) surgiram em bailes. Isso já era feito na Jamaica desde meados dos anos 60 - sem falar nos discos de nomes como U-Roy e Dillinger, que eram toasters e ganhavam bases instrumentais aditivadas especialmente para eles -, mas foram os nova-iorquinos que deram continuidade, trocando o reggae e o dub pelo funk e R&B e transformando definitivamente o que na Jamaica era conhecido como toaster em MC. "É fato que sem o dub não teríamos nem o rap, nem o grime, pancadão, kuduro, dancehall...", observa o rapper paulistano Jimmy Luv (foto), mencionando estilos de música urbana cujo centro vital é o MC. "Se não fosse o lado B instrumental dos discos de 7" de reggae, se não fossem os toasters versando sobre essas instrumentais e se não fossem os selectas hoje não teríamos nenhum MC e não existiria o DJ. E como o dub é o pai do remix, também não existiria a figura do produtor para fazer beats. Todo tipo de música urbana moderna não poderia existir sem o dub".

MASH-UP
A técnica de misturar músicas, através de cortes e colagens, ficou famosa graças a nomes como Danger Mouse, 2Many DJs e Girl Talk, com muito merecimento. Mas a idéia de construir uma música a partir de outras não é exatamente uma novidade. "Claro que não havia nenhum 2Many DJs ou Girl Talk na Jamaica", pondera Chico Dub, "mas junções bem rudimentares de músicas em outras eventualmente rolavam. Lee Perry tem alguns sons que emendam trechos de músicas no finalzinho de outras. Quando os discos de 12'' surgem com a Disco, no final dos 70, músicas de dez minutos passam a pipocar na Jamaica de olho no mercado dos soundsystems ingleses. Essas músicas editavam reggae e dub ou reggae e toast numa música só. Esses sons são conhecidos como showcase, discomix, ou então 12'' version. Um som bem significativo dessas edições é ‘News Flash', versions I & II, mixada pelo Errol Thompson, que junta ‘Mad Lloyd', do Willis Rooster, ‘Ease Up', dos Inspirations e ‘Mama Look Deh', dos Pioneers".

DUBSTEP
Com a palavra, o produtor paulistano Bruno Belluomini, conhecido no mundo virtual como Tranquera e embaixador do dubstep brasileiro no mundo: "O dubstep, esse mutante híbrido derivado do UK Garage, pode ser considerado o gênero que mais se aproxima do dub hoje. Ele mantém o subgrave - as baixas freqüências do espectro sonoro - como elemento mais importante da produção. É um estilo que ainda cultiva a cultura do dubplate, do vinil e do soundsystem, sem deixar de conviver e se misturar com outras coisas. Isso tudo faz o dubstep muito mais próximo do dub que qualquer outro tipo de música eletrônica".

TECHNO/TRANCE
Grosso modo, o techno e o trance, assim como outros estilos de música eletrônica linear, funcionam em duas estruturas paralelas e adjacentes: uma camada estrutural (onde gravitam os elementos percussivos da música, como a bateria e as linhas de baixo) dialogando com uma camada de "éter", de efeitos. Isso é puro dub. Além disso, há a obsessão pelo espaço e pelo futuro. No livro Neuromancer, clássico do cyber-punk escrito por Willian Gibson, os habitantes de um futuro deteriorado consomem largamente maconha e dub. "O minimalismo, a hipnose, a repetição dos grooves e a cozinha (baixo e bateria) foi o mais crucial atributo que o dub ofereceu à música eletrônica", complementa Chico Dub.

DRUM'N'BASS/JUNGLE
Epíteto politicamente correto para o jungle, o drum'n'bass carregava em seu DNA original linhas de baixo jamaicanas mescladas a baterias trepidantes e vocais de ragga - outra herança jamaicana. "O jungle é um orgulho britânico, mais uma dos múltiplos derivados do reggae", exultou na época Tony Gad, baixista do grupo Aswad. Hoje, no entanto, o estilo anda distante de sua origem. "O drum'n'bass teve seu momento mais próximo do dub quando era jungle, mas hoje são poucos produtores e DJs que mantém intimidade com o estilo", compara Belluomini. "No entanto, existe interesse pelo dub sim, basta conferir os lançamentos de selos como Congo Natty e produções de caras como o Digital. O drum'n'bass conseguiu se diversificar e levar para frente alguns elementos típicos do dub, não só apenas a estética sonora. Embora hoje o subgrave não seja mais o foco de grande parte da produção como no auge do jungle, ainda assim ele faz parte desse universo".

DOWNTEMPO
Estilos de música eletrônica mais introspectivos como ambient, trip hop, minimal e downtempo são assumidamente calcados nas bases repetitivas e de baixo calibre de alguns dubs mais cavernosos. Alguns produtores eram especialistas em reduzir um reggae a uma bateria hipnótica e submersa, permeada por linhas de baixo irradiadoras de graves portentosos e estabilizados, decorados com motivos étnicos (javaneses, indianos, africanos) muito antes de produtores como Jah Wobble ou Bill Laswell trazerem para a música eletrônica as colorações da world music - "Java", registrada por Augustus Pablo, entre vários outros exemplos, atesta esse pioneirismo. O Massive Attack chegou a regravar "Five Man Army Dub" (ouça abaixo), um monumental proto-Trip Hop produzido pelo jamaicano Lewin Bones Locks, mas incontáveis outros dubs, sobretudo os da dentição jamaicana dos anos 80 (Scientist pra baixo), inspiraram grupos como The Orb, Orbital e Banco de Gaia. Isso sem falar no povo do ambient dub...

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Lewin Bones Locks - Five Man Army (Dub Massive Attack version)

Rafael Guedes
Rafael Guedes
No pop no style - strictly roots
comentários
17 comentários
DJBORCARD
DJBORCARD(11.06.08)
0AprovadoQueima
tem muito som bom de DUBSTEP no www.beatport.com
obrigado pelas infos abraço..
Igor SM
Igor SM(22.02.08)
0AprovadoQueima
to de boca aberta!
muito boa a matéria.
Motor
Motor (13.02.08)
0AprovadoQueima
QUE MATÉRIA DUCARALEUSSSSSS!

É por essas e outras que esse site é O site!
Porra! me diz a quem agradeço?!?! UMA SALNA DE PALMAS A TODOS VCS DO RRAURL!

;)


...que lindo, mermão! A galera faz liiindo aqui!
C#/*
C#/*(11.02.08)
0AprovadoQueima
tem os brazucas do Echo sound system....eo digital dub....á tem varios ate o SOJA faz uns dubs bem loko...
Gil Fuser
Gil Fuser(11.02.08)
1AprovadoQueima
Quem quiser mais informações sobre o assunto, com "mixtapes" entrevistas, releases e outros relacionados, pode acessar o site dos camaradas www.radiolaurbana.com.br