Festejando como se fosse 1990 e o Blur fosse a maior banda do mundo - deixando o lad rock do Oasis restrito a torcedores de futebol - o trio de Liverpool Wombats lança seu álbum de estréia,
The Wombats Proudly Present... A Guide To Love, Loss & Desperation, com cara de
de indie pop radiofônico.
As fotos de divulgação da banda não negam, os Wombats são "POP, POP & POP". Eles ousam dançar ao som de Joy Division e fazer um refrão pegajoso citando a musa da mulher comum britânica, Bridget Jones. Com algumas exceções - as baladas dos meninos tendem a ser chatas e arrastadas - as 13 faixas poderiam ficar no top 100 da lista de melhores da NME. E sem nenhum preconceito aqui - só porque a música foi moldada para ser hit ela deixa te der importância? -, vale lembrar do caso daqueles outros meninos de Liverpool que começaram fazendo canções de rimas bobas e infantis.
Iniciando com "Tales of Girls, Boys & Marsupials" um coral de um minuto a la Futureheads, composto por palmas e muita mudança de tons, os meninos se apresentam de forma inocente, quase delicada demais. Até que ela é interrompida por uma clássica camada de pop punk britânico e "Kill The Director" - melhor música pop em tempos - se inicia. Matthew Murphy canta com voz de puberdade no compasso de uma bateria gingada, até o momento em que ela explode num grito muito educado, anunciando a chegada do refrão.
Com teclado saído dos 80s, "Lost In The Post" tem cara de momento-superação de filmes açucarados, enquanto "Party In A Forest (Where's Laura?)" são lembranças de um verão feliz. Tudo levado por riffs de guitarra e bateria mais forte que o baixo ou ocasional teclado.
Celebrando a ironia, a banda canta "Let's Dance To Joy Division" numa das mais animadas do disco, de deixar fãs de Ian Curtis rubros de tanto dançar. "Backfire At The Disco" parece ter ser resultado de um confronto do Maximo Park versus Libertines.
AMORES ERRANTES
As letras do trio circulam entre o cotidiano, porém quase sempre envolvendo uma garota, aquela que nunca poderá ser deles, aquela que é uma stripper e aquela que é pra casar. Não tão descritivas como as do Arctic Monkeys, não tão pesadas como a dos Cribs e não tão engraçadas como as do We Are Scientists, os meninos não envergonham, mas definitivamente não serão lembrados por sua profundidade e conteúdo.
Com alvo nos clubes-garagens de todo mundo, o Wombats peca pela extensão do álbum. Se as faixas funcionam separadamente e tem potencial de alta circulação na MTV, juntas e seqüenciadas, elas tendem a cheirar à repetição.
Contudo, esse é o "fenômeno indie" do ano, o álbum já alcançou o primeiro lugar dos mais vendidos no Reino Unido, a agenda de shows conta com mais de 50 datas em todo o mundo (sendo que a grande maioria já se encontra esgotada), e o MySpace do trio já está na casa dos milhões há tempos.
Se a história se repetir - e ela sempre se repete - os meninos lançarão um álbum mais maduro ano que vem e, com exceção do mainstream, ninguém mais se importará com o que eles têm a dizer. Exatamente como aconteceu com o Kaiser Chiefs em 2007, maiores e mais chatos do que nunca.