DENARC culpa a popularização das raves pelo aumento de consumidores da droga em SP
Incrustado em uma rua tranqüila e arborizada do bairro do Butantã, em São Paulo, funciona o prédio do DENARC - o famigerado Departamento de Investigações sobre Narcóticos. O órgão estadual, que em 2007 completa 20 anos de atividades, foi criado após a extinção da antiga DISE (Divisão de Investigações sobre Entorpecentes) e é o braço da Polícia Civil responsável pelo combate ao tráfico de drogas no estado. Por seus corredores circulam agentes musculosos e personagens burocratas, subindo e descendo pelos poucos elevadores que ainda funcionam no edifício.
A sigla do departamento é conhecida nas histórias da vida noturna paulista, seja pelas blitze realizadas em clubes - que tiveram sua expressão máxima na famosa operação "Dancing" - ou pelas ações em raves que chegam a prender dezenas de freqüentadores em uma única festa. Em 2007, a morte de um jovem no Rio de Janeiro pelo suposto uso exagerado da droga apertou ainda mais o cerco a eventos de música eletrônica, e tornou o ecstasy um
conhecido vilão que perambula pelas classes medianas e mais abastadas da sociedade brasileira.
AS DROGAS E A PISTASegundo um balanço ao qual o
rraurl.com teve acesso, as apreensões de comprimidos triplicaram nesse ano. Enquanto em 2006 foram detidos cerca de quatro quilos de pílulas, em 2007 o DENARC apreendeu mais de 12kg. Para Rubens Eduardo Barazal Teixeira, delegado-chefe da Divisão de Inteligência do órgão, o aumento foi causado, "sem dúvidas", pela popularização de "festas frenéticas e ambientes propícios ao consumo" no país.
Delegado Barazal

A quantidade de cocaína apreendida dobrou de duas para quatro toneladas do ano passado para cá. Todos as apreensões são encaminhadas a uma empresa incineradora de Osasco, que só ontem (18/12) queimou mais de uma tonelada de entorpecentes.
Rubens afirma que a maior preocupação da polícia não é em relação às raves, que do seu ponto de vista são apenas locais que propiciam o uso. "Hoje a lei não trata mais o usuário como criminoso. Nosso alvo são os traficantes de médio e grande porte. Para nós, uma ação dentro de uma festa pode ser mais bem sucedida se conseguirmos um telefone ou um contato importante do que se prendermos alguns traficantes pequenos com cinco balinhas no bolso. É o que chamamos de 'ação controlada'".
Segundo o delegado, a maior parte da droga que chega ao país entra através dos aeroportos. "É comum levarem cocaína, que é barata na América do Sul, para trocar por ecstasy em países como Tailândia e principalmente Holanda, que são grandes produtores. O lucro é duplo, porque eles compram as pastilhas baratas lá e vendem muito mais caro aqui". Apesar de ser mais raro, o ácido lisérgico (LSD) também ocupou a rotina da polícia em 2007, vindo especialmente de países asiáticos.
REDUÇÃO DE DANOSAlém das ações de combate direto ao tráfico, o DENARC conta também com uma divisão de prevenção, responsável por palestras e ações com a comunidade. Apesar de não ser entusiasta de políticas de redução de danos como a que obriga a instalação de bebedouros em clubes, Barazal acredita que a informação é um caminho eficiente para enfrentar o problema. "Não é um bebedouro que vai resolver, mas sem dúvida só vamos ter uma sociedade melhor quando houver autonomia crítica. Não é apenas através da repressão que o problema das drogas vai se resolver."
vamo se droga!!!!!!