Jovem paulistano que relembra seus primeiros contatos com um bolachão do Guns N'Roses.
Foram várias as histórias que
chegaram aqui na redação narrando episódios com nossos amados discos de vinil. Doces lembranças de infâncias ambientadas por histórias da cachorinha em LP colorido, primeiros discos de Kraftwerk, Elis Regina e descobertas underground com The Shame.
Fora histórias de discos perdidos e descobertos em boates e outras buscas infindáveis por bolachões.
Mas o vencedor, pela criatividade e bom humor, foi texto de
Daniel Lopes, de São Paulo, que vivia o
turning point da puberdade musical ao adquirir seu primeiro disco do Guns. Ele foi agraciado com um par número 43 do Nike Vynilheadz e um par de convites para a festa de hoje no Clash. Saca só.
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Esta não é mais uma história de final feliz.Fala de vinil, música, ídolos, adolescência. Mas, sobretudo, de decepção.O ano era 1991, e estava bem no começo. O cabeludinho de bermuda xadrez, camiseta preta e tênis com silvertape era eu, aos 13. Em meio àquele tsunami de descobertas, surgiu a primeira e mais intensa paixão. Aquela que ficaria marcada para sempre na alma e no coração, e que apesar de ultrapassada e fora de moda, até hoje desperta as mais verdadeiras emoções: o Guns N' Roses.
Finalmente eu descobria meus primeiros ídolos incondicionais. Uma banda contemporânea com a qual eu realmente me identificava, e não o bololô de Beatles, Zeppelins e Stones que meus pais e tios recomendavam. A loucura faz você pregar pôsteres pelo quarto inteiro, saber cantar todas músicas de cabo a rabo, pensar em fazer uma tatoo igual à do Axl e não cansar de repetir a fitinha K7 no walkman. E é exatamente aí que entra o vinil.
Eles estavam prestes a lançar álbum novo, do qual só se sabia o nome (não, naquela época o disco não vazava na internet). E eu, molequinho ansioso e deslumbrado, ia diariamente à Disconcert, tradicional lojinha de discos, para ver se tinha chegado o tal objeto de desejo.
Quando o carinha que trabalhava lá via o mala entrar para perguntar sobre o Guns, já fazia uma cara de desgosto tão grande que eu muitas vezes dava meia-volta, consciente da resposta que receberia.
Certo dia minha mãe atendeu um telefonema. Era para mim. Com 13 anos, não costumava receber muitas ligações. "Só pode ser o maninho da Disconcert", pensei. E era.
Corri para a lojinha na mesma hora com o dinheiro contado, mais excitado do que se estivesse indo ao puteiro perder a virgindade. Chego na loja ofegante e o cara não tem mais aquela cara de desgosto. Abriu um sorriso amarelo e disse: Demorou, mas quando veio, "veio" logo dois!.
Dois? Como assim? Assim:
Use Your Illusion I e
Use Your Illusion II. E o meu dinheiro só dava para um. Depois de 43 minutos de dúvida, escolhi o primeiro. E por capricho do destino ou conseqüência desse trauma, ficou como o único até hoje. Nunca tive vontade de juntar mais dinheiro para comprar o outro.
(por Daniel Lopes)
kkkk