Cinco perguntas para Steve Bug
Dono do Pokerflat fala ao rraurl.com embalado pelo lançamento da Fabric 37
23.11.07 21:55
Boa parte dos grandes nomes do minimal e do electro-house europeu já passaram pelas prensas de Steve Bug. Dono dos selos Pokerflat e Audiomatique - casa de Trentemoller e Phonique - o DJ acaba de mixar a nova e 37ª edição da série Fabric, dois meses depois do barulhento em torno do volume 36, em que o chileno Ricardo Villalobos mixou um punhado de faixas próprias e inéditas.
Steve falou ao rraurl.com na semana passada sobre a coletânea e suas apresentações no famoso clube de Londres. Admitiu que estranhou ser bookado para fazer sets de abertura da casa e revelou ainda histórias do seu passado, quando trabalhava como cabeleireiro, e da época em que ainda estava na escola.
Você acaba de lançar uma compilação da Fabric. Como é que tocar lá se diferencia de se apresentar em outros clubes?
O Fabric é um grande clube, mas não parece grande quando você está tocando. Parece pequeno pelo modo que as pessoas reagem à música. O sistema de som é incrível e tudo é muito organizado, e todos que trabalham lá são apaixonados por música. Eles têm bookado bons DJs com freqüência ao longo dos anos, então a multidão que vai lá tem bastante conhecimento. Isso é muito importante para um clube - eles têm um ótimo gosto para artistas e estão sempre trazendo novos nomes. Eles começaram a pedir para me bookar muito antes de eu chegar ao nível em que estou no Reino Unido agora.
Então a compilação Fabric é um resumo do que você toca no clube?
O CD mostra meu próprio desenvolvimento no clube. Quando eu comecei a discotecar lá eu era o primeiro da noite. E quando você começa a tocar em um lugar vazio é claro que não toca faixas pesadas, mas coisas profundas. Mas mesmo assim muita gente chegava cedo, assim que o clube abria, e lembro de ficar impressionado em ver como a multidão estava às 22h30. Então o mix não é apenas um set que eu faria na Fabric agora, já que ele mostra o que eu tocaria em um set de abertura, no meio da noite e no final também. Apesar de que tentar encaixar isso em 70 minutos tenha sido uma tarefa difícil.
Você já era um grande nome na Alemanha e ao redor do mundo quando você começou na Fabric, como você se sentia fazendo o warm-up na primeira vez?
Eu me sentia um pouco estranho, mas devo admitir que estava curioso em pensar que estava sendo bookado por alguém que gostaria que eu tocasse na abertura. Mas eu disse "OK, vamos fazer com certeza". Em sets desse tipo você tem a oportunidade tocar tipos diferentes de música, e fazia anos que eu não tocava dessa forma. Você pode construí-lo da forma que quiser e, como eu disse, o público às 22h já estava curtindo - eu me diverti muito.
Sua biografia diz que você foi obrigado a tocar triângulo na escola. Que tipo de estudante você era?
Eu era popular com algumas pessoas, mas era um pouco doido - os professores ou gostavam de mim ou me odiavam. Eu sentia o mesmo pelos professores. Eu era um bom aluno quando eles gostavam de mim e ruim quando não gostavam. Acho isso bem normal. Eu sempre fui melhor em esportes, artes e línguas do que em outras matérias.
Antes de se envolver com clubes, que outras ambições você tinha, que tipo de trabalho fazia?
Eu era um cabeleireiro e eu queria me tornar um costureiro. Então eu vi como costureiros ganhavam mal na Alemanha, e nesse período era algo como 90 Marcos por mês pelos três primeiros anos, o que me impediria de sobreviver. Eu me mudei da casa dos meus pais e tinha que ficar em pé com minhas próprias pernas, então pensei em outra coisa para me virar.
Eu ainda queria fazer algo criativo e, não lembro como, acabei virando cabeleireiro. Encontrei um trabalho em uma loja onde fiquei treinando por três anos e aí trabalhei por outros quatro anos. Eu me diverti bastante e ainda tenho muitos amigos no ramo, muitos deles agora se tornaram free-lancers trabalhando para fotografias e shows. É um trabalho interessante e eles todos parecem estar fazendo um bom dinheiro. O único problema era que eu vivia em uma cidade pequena, todos meus clientes não eram muito aventureiros e queriam o mesmo tipo de corte, o que se tornou muito entediante.
Fabric 37: Steve Bug - Lista de Faixas
1) Sunshine Jones - Anywhere You Are
2) DJ Swap - Consequence
3) Peace Division - Voodoo (It's In The Wall)
4) Tom Pooks - Trouble (D'Julz Remix)
5) Afrilounge - Lux Dementia
6) Ben Westbeech - Hang Around (Wahoo Main Mix)
7) Gene Hunt - Inspire (Abicah Soul Remix)
8) Anja Schneider - Belize
9) Rework- Love Love Love Yeah (Chloé Remix)
10) Mikael Stavöstrand - Can You See Thru My Eyes
11) Adultnapper - Juror No.9
12) Lee Curtiss - Over The Influence
13) Steve Rachmad - Flow Westpoint
14) Mogdax - Kubik
15) Brendon Moeller - Saviour
16) Ryo Murakami - My Soul
17) Matthias Tanzmann - Keep On
18) Phonique - Worked It Out (Charles Webster's First Remix)
19) Echologist - Faith (NY Mix)
20) Ryo Murakami - Monument
21) Rejected - Lost
22) Gui.tar - Red Doggy
e arrebentou foi uma das melhores festa que fui este ano!