LCD Soundsystem faz show grandioso para poucos
Show em plena terça-feira e com ingressos caros teve pouco público
14.11.07 16:50
Uma das bandas mais queridas da descolândia de São Paulo ocupou o palco do Via Funchal para a primeira apresentação "solo" em palcos brasileiros - antes disso o LCD Soundsystem já tinha vindo tocar nos festivais Nokia Trends (2004) e Skol Beats (2006). A lembrança da banda ao vivo era boa mas para quem é fã esse show tinha gosto mais especial, também por ser o show pós Sound of Silver, o seminal álbum de 2007 que cimentou a importância de James Murphy e sua trupe nos anos 00.
A apresentação começou às 23h15, o que deu um tempinho para encher pelo menos a frente do palco, já que atração anterior, o projeto techno The Field, foi prejudicado pelo som baixo e pela falta de público. Dava medo que a atração principal desanimasse ao ver dois terços do Via Funchal vazios. Mas que nada: o LCD entrou com "Us v Them" e emendou com "Daft Punk is Playing at My House", colocando todo mundo para cantar e dançar junto, próximos do público. James Murphy, com a mesma camiseta que usou na apresentação no Skol Beats 2006, parecia tímido e um pouco bêbado, se limitando a, entre músicas, dar tchauzinho, dizer que eles sempre gostam de vir ao Brasil, explicar que não sabe falar português e arriscar alguns "obrigadôs" . Quem chamou a atenção mesmo foi o baterista Pat Mahoney, alma da banda, que ficana ao lado do cantor e bem na frente do palco durante todo o show. Trajando um duvidoso calção amarelo, destruiu a bateria.
Na sequência veio "Time to Get Away", que serviu de introdução para "North American Scum". Então surge a linda "All My Friends" cantada por James Murphy e todos os fãs ao mesmo tempo, clássico do futuro e hino de uma geração tão sincera quanto cínica.
COMOÇÃO
Não foi difícil ver gente cantando a letra a plenos pulmões e chorando e, nessa hora, o LCD chega a lembrar uma de suas principais influências, o New Order, que causou comoção similar ao se apresentar no mesmo Via Funchal há alguns meses. Está lá o mesmo equilíbrio perfeito entre eletrônica e rock, a letra de música com identificação poderosa, baixo forte, baterista virtuoso e tecladista mulher super cool. Não por acaso, no fim do show, a banda mostrou seu lado mais punk e menos disco em um (excelente) cover de "No Love Lost" do Warsaw (pré-Joy Division).
Mas a banda é americana, tem raízes dançantes e sabe do seu papel de destaque no cenário musical. Entendeu o que o povo queria e o show prosseguiu com "Get Innocuous", "Tribullations", "Someone Great" sempre em versões extendidas e barulhentas, bem eletrônicas e bem dançantes. E terminou com a única balada da banda, "New York I Love but You're Bringing me Down", que também encerra Sound of Silver.
Debaixo de um globo de espelho gigante, com aquele jeito meio nerd meio cool, desencanados mas ao mesmo tempo afiados e certos de terem conquistado a pequena-grande platéia, o LCD se despede de novo, deixando nos fãs presentes a boa sensação de ter visto finalmente a banda direito: de perto!
O LCD Soundsystem se apresenta hoje em Belo Horizonte dentro do festival Eletronika e depois no Rio (16/11, no Circo Voador) e em Brasília (17/11).