Planeta Terra é candidato a melhor festival de 2007
Platéia aplaude durante live do Vitalic no DJ Stage
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Planeta Terra é candidato a melhor festival de 2007
Sem atrasos ou filas, festival também teve ótimas apresentações
12.11.07 03:45
Com shows históricos de Devo e The Rapture, horários rigidamente pontuais e boa locação, o Planeta Terra é sério candidato a melhor festival do ano em sua primeira edição grandiosa.

ESTRUTURA

Perto dos problemas que festivais anteriores apresentaram (no-show de headliners, roubos, filas, atrasos) o estreante realmente fez bonito. O local, um terreno de antigas fábricas no final da Marginal Pinheiros, foi bem ocupado por três palcos diferentes e bastante espaço para o público circular, tirar fotos que poderiam ser impressas e coladas pelas parades em formato lambe-lambe, comer pipocas e algodão-doce ou comprar cervejas e picolés pelos ambulantes que circulavam, sem compliações. Sem filas e comportando confortavelmente as cerca de 15.000 pessoas presentes (de acordo com a organização) o principal problema notado foi a má acústica do Indie Stage, que em alguns momentos prejudicou as apresentações do Datarock e do CSS, e a saída desse mesmo palco por um corredor lateral, que apesar de espaçoso, era único.

A festa começou às 17h30 e acabou cedo por volta das 03h, o que também foi motivo para críticas - muito bom o esquema de chegar de trem durante a tarde, mas não funciona depois da meia-noite e aí resta gastar os tubos em táxis ou se arrumar para pegar carona com amigos. Quem foi de carro, mesmo gastando R$30 por uma vaga, se deu bem: os estacionamento eram amplos, em espaços vizinhos à tal Villa do Morumbi e não teve drama da hora de sair.

Sem relatos de acidentes ou furtos e com cerca de trinta atendimentos no posto médico durante toda a noite (a maioria por problemas como dor-de-cabeça ou enjôos) e sem a tradional parafernália de marketing, que apesar de intenso no palco e no laranja em todos os cantos, foi suave e prevaleceu a estrutura da antiga fábrica

O foco foi, então, a música, como tem que ser. Público e bandas estavam inspirados, a vinda tardia de um Devo ainda em plena forma, o encerramento Dirty Dancing do Datarock, o fiel público do CSS cantando junto cada letra, a catarse dance-rock do Rapture, a bebedeira da Lily Allen no palco, tudo isso fez a noite ficar entre as mais legais deste ano.

O Devo que me perdoe, mas Vitalic é fundamental
Desafiado pelo Planeta Terra a escolher entre ele e o Devo - como se duas atrações dessas fossem corriqueiras por aqui - escolhi o francês. Não me arrependi.
Se eu tivesse de escolher uma palavra para definir o live de Vitalic, seria "reconfortante". Sim, reconfortante, porque serviu para lembrar que, numa pista, nada supera o techno. Nada mesmo. Depois de uns dois anos só ouvindo colherinha batendo, eu já estava com saudades de um gravão sacudindo o peito. Deu até flashbacks de algumas noites memoráveis - Mau Mau no Skol, Liebing em Arujabel, Varela na Loca...
Vitalic é um monstro. Mas é um monstro gentil, com um pé no pop. Esse é o segredo: todas as suas faixas, mesmo as mais rápidas, têm um toque "disco", uma sensibilidade pop que o destaca da aspereza do EBM. Vitalic faz discoteca industrial. Ele é o filho bastardo de Giorgio Moroder com o Nitzer Ebb. Mais importante de tudo, o francês faz música que é dele e de mais ninguém. Você ouve trinta segundos e sabe de onde veio. E isso é cada vez mais raro.
Como sempre, o live termina cedo e de repente. Dura menos de uma hora. Ele tocou "My Friend Dario", "La Rock" e "Bells", mas esqueceu "You Prefer Cocaine", "Juliet India" e "You Are My High". Isso é que é talento: as músicas que ele deixa de fora do set são melhores do que os hits de meio mundo.
Vitalic tem um dom raro: faz música eletrônica para cantar junto. Não é à toa que até indies ortodoxos e roqueiros de carteirinha têm se convertido. Se fosse o careca naquele palcão em vez da Lily Allen ou do Kasabian, tinha gente lá até agora.

(André Barcinski)
VITALIC FOI DESTAQUE DO DJ STAGE

O festival era composto pelos dois palcos para bandas - Main e Indie Stage - e mais uma tenda menor, lembrando em alguns momentos as pequenas tendas dos primeiros Skol Beats, onde rolaram as apresentações dos DJs.

Renato Ratier abriu a noite para um público meio variando, de danças esquisitas, mas não demorou para a pista começar a esquentar. Na apresentação do Jon Carter, que teve até um momento kuduro, a pista respondia bem. Mas foi só com o show do francês Vitalic que a coisa realmente pegou fogo. Querido do público techno/electro brasileiro, Pascal Arbez-Nicolas tocou os hits que a audiência esperava - "My Friend Dario", "La Rock" - junto com homenagens a outros sons (só eu ouvi "20hz" do Capricorn ali?) e muita distorção com momentos tirados do álbum mais recente (V Live) mas nunca apresentados aqui.

Quem já viu o show do Vitalic sabe o que esperar, mas mesmo assim a reação do público foi acima de qualquer expectativa: quem chegou na hora de "La Rock", por exemplo, viu pessoas ensandecidas, gente subindo nas grandes, pulos e socos no ar, debaixo de uma forte luz vermelha, estrobos e o som mais alto do festival. Após esperar pelo bis que não veio, o público foi expulso da tenda por uma versão de "Mas que Nada" do BEP. E pouca gente conseguiu ver os três shows do final: Devo, Rapture Vitalic, já que as apresentações eram simultâneas, mas são escolhas que esperamos que mais festivais como esse nos permitam fazer.

COBERTURAS - PALCOS

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fotos: Alberto Boni

Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
me and my bang
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