Replay: o chefão James Murphy volta ao Brasil
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Replay: o chefão James Murphy volta ao Brasil
Show do LCD Soundsystem é hoje em São Paulo e amanhã em BHZ
16.10.07 17:50
James Murphy e a trupe do LCD Soundsystem desembarcam no Brasil pela terceira vez em três anos, agora para mostrar o bom momento e as músicas do elogiado Sound Of Silver, segundo trabalho do quinteto referência na musicalidade e no jeito nova-iorquino de ser.

E se a brisa conservadora que assola Nova York desde 2001 jogou toda a poeira cool para a Costa Oeste e a Europa, é justamente em recantos como este que o grupo legitimou competência musical e versátil no já batido campo do dance rock (ou rock dance, tanto faz). Turnês com Arcade Fire, line-up certo de Coachella a porões germânicos, a banda tem ainda como líder o dono de um dos selos mais bacanas dos últimos anos, a DFA Records.

Como Rapture e Radio 4 não são mais lá toda essa coisa e Sound Of Silver passou de vez o cetro para o chefão e sua banda, James é grande ícone da música alternativa norte-americana no momento - posto que tem Beth Ditto do Gossip como primeira-dama. Recebamos então com honras outra visita dessa curiosa figura, que vai até Tóquio visitar as mais baratas e organizadas lojas de disco do mundo, que precisa emagrecer por questões cárdio-essenciais e do Brasil só deseja bons momentos de diversão e uma boa churrascada, já que das últimas passagens por aqui ele lembra pouco.


Primeiro era disco punk, agora new rave... O que virá a seguir, a disco heavy metal?

Eu realmente não sei. Tenho 37 anos, não faço a menor idéia. Na new rave tem coisa boa e muita porcaria, como qualquer outro momento ou gênero. Eu acho que não deve surgir nada inteiramente novo tão cedo mesmo. E isso é OK, é assim que as coisas são.

Pergunto isso porque há dez anos havia algo quase a "se lutar", o estabelecimento da música eletrônica. Agora não há nada.

Mas é assim que as coisas são. A música de fato não mudou muito, pequenas coisas foram incorporadas, outras esquecidas que talvez até voltem no futuro. O básico continua, como o baixo por exemplo.

O baixo em Sound of Silver é um elemento importante, a construção de algumas músicas lembra muito a composição de faixas mais eletrônicas.

Você fala bastante de música eletrônica, mas eu nunca penso em música eletrônica. Isso para mim é na maioria das vezes aquilo chato que alguns produtores criam de computadores, de máquinas eletrônicas. Não é o que faço, e eu penso mais em dance music, música dançante, em seu sentido simples só que muito maior.

Eu ouço muitos álbuns por causa do meu trabalho, e sempre caio nos de dance music primeiro, são mais acessíveis, pop de verdade e é isso que eu quero. Não tenho mais tempo de ficar analisando e ouvindo um monte de disco de rock. Dance soa melhor, eu prefiro.

Esse é um álbum mais dançante e sem muitos elementos característicos das bandas de dance punk da época do primeiro disco do LCD. Qual foi a principal diferença de um para o outro?

Acho que não muita, a não ser que eu trabalhei cada música com muito mais cuidado, muito mais tempo. Não que tempo livre seja resultado de música boa, eu apenas me concentrei mais neste trabalho.

De que maneira você cria? Insights eventuais que você desenvolve, reuniões com a banda para extrair sonoridades, vontades...?

Crio sozinho na maioria das vezes. Tenho um estúdio, os instrumentos e fico tocando até sair alguma coisa.

E seu novo sub-selo, o Death From Abroad? Como tem sido este trabalho?

Muito bom! Eu viajo muito, visito lojas de discos em Londres, na Europa, em Tóquio e tem muita coisa lançada que eu sempre quis trazer aos EUA, então é perfeito. Fora o material que tem chegado em casa e música que descubro e vou atrás, é um trabalho de pesquisa que eu gosto.

(N. do A.: Gucci Soundsystem e Mock & Toof são alguns dos artistas do DFAbroad, que tem como lema "Der Créme Auf La Musik Internationalez")

A associação com o Luaka Bop de David Byrne é inevitável, não?

Não, o David buscava música estrangeira que soasse estrangeira e que pudesse ser lançada no mercado americano. Eu apenas busco música que soa internacional e seja feita em outros países.

Depois de todo falatório sobre o álbum do Radiohead ser lançado de graça na Internet, você acha que o formato de álbuns vai permanecer inalterado? Você não pensa em se tornar 100% digital?

Jamais, não existiria coisa mais chata que isso. Não há sentido nisso, quero ser o que eu sou, continuar sendo como sou. E eu na real não ligo a mínima para Radiohead.

E como estão seus planos e os da banda para 2008? Você e Pat Mahoney lançaram esse mês uma compilação Fabric Live>, fale um pouco sobre esse CD.

No momento, alguns concertos ainda, depois volto para cuidar mais do selo e aí eu não sei. Eu na verdade prometi a um amigo muito doente que se ele melhorar, eu vou perder emagrecer bastante. Então estou num regime pesado, preciso emagrecer por questão de saúde.

O Fabric Live foi legal só que difícil de fazer. Quando Pat (Mahoney, baterista do LCD) e eu tocamos, geralmente é durante as turnês e para clubes pequenos, festas para amigos. Ter que mixar algo para ninguém, num CD a ser lançado, é trabalhoso. Teve muita disco music, era difícil o acerto da mixagem porque as baterias mudavam de velocidade o tempo todo.

Você lembra qual foi a festa mais legal de toda sua vida? Há alguma chance de um DJ set seu aqui no Brasil?

Todas as festas da DFA. Mesmo quando eu era novo, moleque, nunca fui em uma festa mais divertida do que as que nós mesmos fizemos. Eu vou tocar no Brasil sim, num clube que chama Vegas, estamos negociando.

Para encerrar, uma pouco de polêmica. Você também acha que os hipsters de Nova York deveriam ser mortos?

Não. A cidade na verdade ainda é a mesma, as coisas são sempre iguais. Também não penso ir para Los Angeles só porque todo mundo fala. Existem pessoas que vivem música, noite, se divertem, e outras que apenas seguem. Você precisa dos dois tipos para ter diferentes tipos de pessoa ao seu redor. Tudo seria muito chato de uma maneira só.

De qualquer situação pode surgir amantes de música. Gente que só coleciona discos e odeia e critica tudo é muito chato. Não quero essas pessoas por perto.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
13 comentários
Gaía Passarelli
eu fiquei que nem a Juliana...
Juliana Natal
Juliana Natal(14.11.07)
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juro que não conseguia nem dançar ficava só olhando!... os caras mandaram muito bem mesmo!
sete
sete(14.11.07)
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Cover de Throw. Enough said.
rrafa
rrafa(14.11.07)
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A experimentação em cima de Losing My Edge foi demais. Bis. Temporada foda.
Aversa
Aversa(14.11.07)
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Melhor show do ano sem dúvida nenhuma...
Os caras ontem detonaram!!