Netlabels podem existir de baciada, mas de vez em quando você tromba com um que é um verdadeiro tesouro oculto. É o caso do Jahtari, baseado em Leipzig, uma cidade cheia de fábricas e galpões abandonados na ex-Alemanha Oriental. Comandado pelos DJs Disrupt e Rootah, o site do selo oferece alguns dos ritmos dub reggae computadorizados mais loucos do planeta. Além disso, tem artigos super-interessantes e visuais bem bacanas (confira as "capas" das mixtapes) que expressam um grande amor por consoles de vídeo game de oito bits (Jah-tari, pegou?).
O selo foi fundado pelos DJs Disrupt e Rootah em 2004. Disrupt emergiu da cena de punk e gabba enquanto Rootah era um DJ de techno. Disrupt também teve uma fase onde ouviu muito techno tipo Aphex Twin e Mille Plateaux. Logo depois, conheceu Rootah e ambos começaram a seguir o dub techno futurista do Basic Channel, seu projeto paralelo Rhythm & Sound, e Pole. "Mark Ernestus e Moritz von Oswald [Basic Channel] tiveram um papel importante na época também por causa da sua loja Hardwax, em Berlin, que era nossa principal fonte de discos novos, primeiro techno, mais tarde dub e reggae. Foi muito educativo."
NADA DE NOSTALGIAO respeito pelo passado do dub é óbvio no site do Jahtari: entre as mixtapes tem especiais do selo Studio One (a lendária casa jamaicana que prosperou nos anos 60 e 70) e uma coletânea com alguns dos primeiros dub e reggae a usarem sintetizador, lá nos anos 80. Mas o Jahtari não é um selo deitado em nostalgia, vale esclarecer: "Recebemos muitas faixas de pessoas que apenas tentam recriar e emular o som clássico: King Tubby, Augustus Pablo. Isso não faz sentido. Primeiro, é impossível conseguir a mesma vibe. E, depois, o máximo já foi alcançado com mestres como Lee Perry e Lloyd Bullwachie Barnes. Sempre vai ser uma emulação inferior de algo que já foi feito melhor," teoriza Disrupt.
"A nossa idéia é sempre ter uma raiz de dub ‘clássico' nas nossas faixas, um ‘riddim', e daí partir para vários tipos de sons e estilos. No fim, a sensação ainda vai ser de dub clássico, mas soando diferente," resume o DJ e produtor alemão. "E temos tecnologia. Hoje em dia, tudo que você precisa é de um laptop e Ableton Live. Sempre vai soar como computador, não tem jeito, mas é assim que é. E o lance é fazer isso trabalhar a seu favor. Dub old school feito no computador pode soar interessante, assim como techno tocado por uma orquestra sinfônica."
VINIL... FINALMENTEArtistas do Jahtari, além dos dois sócios-fundadores, incluem o quarteto dinamarquês Bo Marley, o inglês fanático por dancehall Pete Murder Tone, a dupla de San Francisco Blue Vitriol e outros personagens de um expansivo underground do subgrave como Gringo Starr, Volfoniq, Noisebeyondsilence e Ras Amerlock. Não faz muito, saiu o primeiro vinil do Jahtari, através do selo inglês Werkdiscs, um EP com duas poderosas obras dub de Disrupt. Depois veio um EP de Julien Neto. Existe também em CD e vinil o álbum
Bo Marley vs Disrupt e, só em CD, a primeira coletânea do selo,
Jahtarian Dubbers Vol. 1.
"Claro que sempre pensamos em prensar vinil (
afinal, os MP3s do site vem até com barulho de chiado de bolacha N. do E.) mas custa muito e precisávamos de um distribuidor que aceitasse vender nossos discos. Felizmente, achamos um então muitos discos estão a caminho. Graças a Deus. Dub TEM que ser estar em vinil."
Quem é: selo comandado por DJ Disrupt (Jan Gleichmar) e DJ Rootah (Cristoph).
Como é: Espacial, amplo, lento e lisérgico, ou seja, dub, mas informado pela música de hoje em dia e feito em laptops.
O que ouvir: A coletânea
Jahtarian Dubbers Vol. 1 e o álbum
Bo Marley vs Disrupt.
Para quem gosta de: Mad Professor, Jah Shaka, Lee Perry, Rhythm & Sound e Basic Channel.
Publicado originalmente no site Spannered
http://pakupaku.celeonet.fr/joomla/content/view/14/42/
já estou ouvindo algumas coisinhas por aqui..
http://rraurl.uol.com.br/cena/texto.php?id=3464
Vibronics...