Uma geração poderosa de fotógrafos especializados em cobrir clubes, festivais, raves e outros espaços dedicados à música eletrônica tem firmado nome no Brasil nos últimos anos. Em São Paulo, se destacam profissionais como Fábio Mergulhão, João Sal, Carol Lorack, Atena Kasper e Alex Korolkovas. A seguir, Atena, Fábio e Carol contam venturas, desventuras, casos cômicos da profissão, além de elegerem suas fotos mais-mais feitas até hoje.
Atena Kasper
"O melhor é conhecer e fazer novos amigos a cada noite de trabalho. As pessoas estão felizes, sorridentes, e normalmente ficam muito felizes ao serem clicadas. Minha lista de amigos que conheci na noite é bem grande. O pior: ser confundida com fotógrafa particular. Tem gente que abusa, fica pedindo foto toda hora e quer que eu mande depois. Quando é um amigo, eu faço com prazer. Se não é, me dá a maior preguiça. Ah, muita fumaça no ambiente também é chato. Prejudica muito o meu trabalho. Difícil de responder qual a melhor foto que fiz até hoje, porque eu gosto de muitas fotos que fiz. Mas acho que a mais estética, mais perfeita, foi do David Carreta na Circuito Clube de Inverno + Aniversário de 8 anos do rraurl.com. Aliás, nessa noite eu fiz fotos incríveis. Uma boa iluminação nas festas ajuda muito. E eu não sei se isso define meu estilo, mas normalmente abuso bastante das luzes do ambiente. Adoro riscar a imagem com cores vibrantes. Como fotografo principalmente noites de música eletrônica, acredito que esse método é mais conviniente. Sobre uma situação engraçada, todas as noites têm suas histórias. Não saio de um clube ou festa sem ter dado muitas risadas. Mas no último semestre, a situação mais engraçada e que marcou muito foi na noite em que o Richie Hawtin, Adam Beyer e Marco Bailey tocaram no D-Edge. Não sei se fui a única, mas flagrei cenas que renderam boas risadas mais tarde. Marco Bailey e a mulher dele quase tirando a roupa no camarote e o Hawtin na pista, provavelmente bem louco de catuaba, se segurando na bordinha do camarote".
Fábio Mergulhão
"O melhor da profissão é fotografar o que gosto: música. O pior são aquelas pessoas que nunca vi antes pedindo para serem fotografadas. Na minha opinião, a melhor foto que já fiz em uma festa foi uma do Mau Mau, no Skol Beats de 2002, que é capa do livro "Todo DJ Já sambou". Meu estilo de fotografar é resumido em atitude, luz e ação. Uma situação engraçada da qual lembro foi quando tive que ficar 4 dias com um jornalista inglês para fazer uma matéria e ele não tomou banho nenhum dia. O cara fedia".
Carol Lorack
"Gosto de fazer fotos à noite porque as pessoas estão mais soltas, num clima diferente. Na maioria das vezes, os lugares são super coloridos por causa da iluminação e isso rende ótimas imagens! É muito legal quando tenho a oportunidade de fotografar alguém que eu gosto, dá pra trabalhar e curtir também! O pior é fotografar eventos grandes e lotados. É muito estressante... você tem que ter um cuidado redobrado com seu equipamento, e é muito mais cansativo. E tem a fumaça, que estraga qualquer foto! Uma das fotos que eu mais gosto foi uma do DJ Lukas, na Circuito de 3 anos. É uma foto muito expressiva e sintetiza bem o clima da festa! Quanto ao estilo de fotografar, eu vou mais para o fotojornalístico. Minha busca é sempre pela espontaneidade. Situação engraçada? Não consigo lembrar... Mas tem umas esquisitas. Lembro de uma vez em que eu tava no Skol Beats e um menino muito colocado veio na minha direção me encarando, como se fosse um zumbi".