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Quase-Cinema
27.05.09 21:181 comentário
O Quase-Cinema é um software gratuito, totalmente brasileiro, criado por Alexandre Rangel, o VJ Xorume.

Amanhã, dia 28.05, no Museu Nacional, Auditório II, às 19h00, em Brasília, será lançada sua versão 2.0. A entrada é franca e depois você poderá baixar o programa no site www.quasecinema.org.

O VJ Xorume fará uma palestra sobre o software, explicando suas funcionalidades e depois apresentará o live movie "Heaven Cartridge", uma narrativa livre com trilha sonora do DJ Komka, que conta "a história de alienígenas fazendo arqueologia no futuro, encontrando Brasília, imaginando o que seria isso aqui...".

O criador do programa diz que o nome Quase-Cinema foi dado em homenagem ao artista brasileiro Hélio Oiticica, que assim batizou os seus projetos de experimentação audiovisual tecnológica - "um campo de experiências transgressivas dentro do universo das mídias ou das imagens e sons produzidos tecnicamente". Xorume conta mais na entrevista abaixo.

BeteRum: Tem idéia de quantas pessoas já baixaram o Quase-Cinema?
Xorume: A primeira versão do software teve cerca de 5 mil downloads, de usuários de mais de 100 países.

BeteRum: Qualquer um pode usar seu software, é difícil para aprender?
Xorume: O software pode ser utilizado por qualquer pessoa. Ele foi criado para ser prático. Creio que a maior utilidade seja para VJs, artistas de vídeo e instalação, cenógrafos de teatro e shows e diretores/montadores de cinema.

BeteRum: Porque escolheu fazer um software para VJ?
Xorume: Pela razão do potencial criativo possível de se explorar em lives com música eletrônica. Fui editor de vídeo analógico (U-Matic, Beta, Amiga Video Toaster) e depois de vídeo digital. A expressão com montagem em tempo real é como uma fusão do imediatismo linear analógico com a liberdade da não-linearidade digital.

Tela do Quase-Cinema


BeteRum: O que te inspirou a fazer o Quase-Cinema?
Xorume: A versão 1 foi criada como meu projeto de diplomação no Bacharelado em Artes Plásticas da UnB. O software nasceu a partir da minha motivação de criar uma ferramenta dinâmica para edição de vídeo e apresentações improvisadas de vídeo arte. Além das minhas apresentações, o software funciona como uma ferramenta de democratização cultural, permitindo a expressão artística de outras pessoas.

BeteRum: Algum software serviu de exemplo?
Xorume: Alguma inspiração veio do Resolume, mas tentei fazer o design da interface e funcionalidades de acordo com as minhas necessidades de expressão imagética.

BeteRum: Qual a linguagem você utiliza?
Xorume: A versão 1 foi programada em Director/Lingo. A versão 2 foi programada na linguagem C++, utilizando as bibliotecas openFrameworks (www.openframeworks.cc). Uma das vantagens dessa combinação é que a nova versão funciona em Linux, Mac OS X, e Windows (XP e Vista).

BeteRum: Além de seu software você também faz as suas próprias imagens?
Xorume: Sim, tenho uma produção ativa em 3 vias: pesquisa, criação de animações 2D/3D e captação/edição de imagens.

BeteRum: Você tem um background de arte interativa e 3D?
Xorume: Meu background, além de artístico, é na área de finalização de vídeo e programação multimídia. O projeto que desenvolvi anteriormente foi uma maquete interativa de Brasília, utilizando os softwares livres Blender e Python.

BeteRum: Quanto tempo levou para desenvolver o Quase Cinema, teve parceiros?
Xorume: Demorei, programando sozinho, cerca de seis meses para desenvolver a versão 2 do software. O projeto ganhou da Funarte, no início de 2009, uma bolsa de estímulo à criação artística, possibilitando a minha dedicação integral ao projeto.
Tags: quase, cinema, vj, xorume
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Celebrar Brasília
17.04.09 00:041 comentário
O Celebrar Brasília é a comemoração do aniversário da cidade em grande estilo. A temática é arte, música e ecologia, e entre as atrações artísticas e culturais, o evento recebe VJs e DJs para colorir as paredes do Museu Nacional, no Complexo da República, dia 25.04, às 18h00.

A cidade, inaugurada em 21 de abril de 1960, comemora seus 49 anos. Obra de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Os responsáveis por propor a presença de VJs neste mega evento foram Alexis (VisualFarm) e Boca (Desconstrução), a produção fica a cargo da Parkshow e Monday.



As projeções contarão com um arsenal de projetores de 6.000 ansilumens e irão cobrir praticamente toda a abóbada do Museu. O VJ Boca dá uma idéia do tamanho do espaço: "Não dá pra ter noção do tamanho do Museu, por foto parece uma bolinha. De perto você vê que é maior que uma nave espacial".

O Celebrar traz pela primeira vez ao Brasil os ingleses do Inside Us All, eleitos os VJs número 1 do mundo por dois anos consecutivos no Top 20 VJ da revista DJ Mag (2007 e 2008).

Estes não foram os únicos motivos para o convite do grupo, seu envolvimento com entidades que defendem o meio ambiente também contou.

Um dos objetivos é chamar a atenção para a preservação do Cerrado e evidenciar as iniciativas sustentáveis de Brasília, como a coleta seletiva de lixo.

"Tudo bem que Brasilia não é só o Plano Piloto, mas já é um avanço. Aqui as coisas funcionam e acho que essa idéia é massa. O difícil é divulgar isso. Muita gente ainda mistura, mas os dias da semana são separados por tipo de material, os prédios todos informados e zeladores treinados", explica o VJ do Desconstrução.

Os VJs participantes terão com temática principal de seu trabalho imagens da cidade de Brasília.

Este ano o Celebrar será um "esquenta" para 2010, quando a cidade comemora 50 anos e promete um mega aniversário.

O objetivo é que o nome da capital seja divulgado e todo mundo, e é a primeira vez que Brasília recebe um evento como este. "Acho que é um marco desse tipo de evento em Brasília. Com certeza a visibilidade vai ser tão grande e positiva que ano que vem faremos algo mais legal, mais audiovisual e mais empolgante. Só vendo pra acreditar", diz Boca.

Saiba mais no site do Celebrar Brasília.


Tags: celebrar, brasilia, vj, alexis, desconstrucao, boca, inside, us, all
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Festival Visual Brasil 2009
25.03.09 20:291 comentário


Neste fim de semana, dias 27 e 28.03, acontece a sexta edição do Festival Visual Brasil, em Barcelona, no centro cultural Punt Multimedia.

O evento, que já teve edição por aqui, leva pra Espanha VJs e performances audiovisuais brasileiras, criando uma ponte entre os dois países.

Seu idealizador e organizador é o VJ Eletro-I-Man. Sua performance pode ser vista neste fim de semana, bem como a dos VJs Crazy Monkey, Milena Sá e Gustavo (Embolex).

O público que freqüenta o festival é de artistas multimídia e videomakers, interessados na arte brasileira, numa das cidades mais artísticas do país, permeadas por obras de Gaudí.

Na sexta-feira o público participará da festa de abertura e poderá ver a mostra de vídeos "Hip Hop y resistência", com curadoria de Helio Pelosi.
No sábado, antes da festa, tem mostra de vídeos de diversos VJs brasileiros e as apresentações audiovisuais "Quebrando Rocha", do Submagem, e "Ressaca", de Bruno Vianna, que também pôde ser vista na última edição do FAD, este mês, em Belo Horizonte.

Visite o site do Festival Visual Brasil para assistir vídeos dos VJs participantes e saber mais sobre o evento: www.festivalvisualbrasil.com.

A edição brasileira aconteceu em Belo Horizonte, em 2008, e teve a presença de 10 VJs na mesma noite: Erick Ricco, Dani Fahur, Dado França, Tatu Guerra, Eletro-I-Man, Media FKR, MídiaDub, Córtex, ADDD (VJ 1mpar e DJ Tee). Também participaram os DJs Roger Moore, Pedrada, Yuga, Artech e Duduarte.
Tags: festival, visual, brasil, punt, multimedia, vj, eletro-i-man, crazy, monkey, milena, sa, gustavo, embolex, helio, pelosi, quebrando, rocha, submagem, ressaca, bruno, vianna, fad
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Balinha que faz som
11.03.09 23:561 comentário
Tempo livre e uma saída ao supermercado podem aumentar a criatividade. A prova disso é o Therementos, instrumento audiovisual interativo criado pelo VJ 1mpar, misturando o Teremim a uma caixa de Mentos.

Adicionando uma placa Arduino, sensores e uma simples programação, o VJ fez a balinha tocar.

1mpar é também um dos produtores e idealizadores do Festival de Arte Digital, o FAD.

Se você mora em Belo Horizonte não perca o festival que acontece nas estações do Metrô, de 12 a 15.03. Saiba mais no site do evento: www.festivaldeartedigital.com.br.

Com forte presença internacional, o FAD traz ao público obras interativas, shows, exposições e performances, como a da Tagtool (Áustria) e do Digigarden. 1mpar recomenda a programação de sábado, e destaca os trabalhos de Peter Luining (Holanda), instalações de Bruno Viana, Anaisa Franco e a webart de Lia (Áustria).

Saiba tudo sobre o Therementos na entrevista abaixo.



BeteRum: Você teve algum objetivo específico ao desenvolver o Therementos?
1mpar: Eu já vinha pensando em fazer algo do tipo há algum tempo. Semana passada sobrou um tempo livre e resolvi fazer. Eu tinha comprado dois novos Arduinos e quatro sensores e pensei em fazer algo com eles.

BeteRum: Tem um toque de humor, foi por acaso a caixinha de mentos?
1mpar: Sim, foi meio por acaso. Fui no supermercado e vi a caixa. Achei ela perfeita pra fazer isso, se coubessem as coisas lá dentro. Aí medi e vi que daria. Quando fui pensar um nome este saiu fácil. Só juntei os dois nomes de uma forma interessante. O Teremim e o Mentos. O que mais deu trabalho na verdade foi cortar a caixa, tinha que fazer de um jeito que coubesse tudo lá dentro, e sem ferramentas apropriadas.

BeteRum: E plástico.
1mpar: Sim, e pras coisas entrarem na caixa. A placa do Arduino na verdade é maior que a caixa, mas inclinada ela coube. Tive que cortar várias partes da caixa e de um jeito que desse pra fechar também. Acabou que tudo ficou no lugar.

BeteRum: Demorou quanto tempo pra fazer?
1mpar: Eu fiz um teste com uma outra. Depois que comecei a fazer esta final acho que demorei umas duas ou três horas.
BeteRum: Bem rápido.
1mpar: Sim. Pra programar também foi, porque só peguei as informações dos sensores e converti em notas/imagens no vvvv.

BeteRum: Quantos Arduinos você tem?
1mpar: Tenho três. Agora só um livre, o outro está numa outra caixa que fiz.

BeteRum: Faz o que essa outra caixa?
1mpar: Esta é mais complexa, pois usa todas as entradas do Arduino. Uso pra tocar como VJ. Ela controla o Resolume via midi: http://vj.1mpar.com/arduino.htm.

BeteRum:Você pretende fazer performances com o Therementos?
1mpar: Sim. Devo usar em algumas composições do meu projeto AV HOL e também produzir algumas composições específicas pra ela.



BeteRum: Massa esse outro hein? Você pôs uma cobertura chique.
1mpar: Pois é. Eu fiz o design que queria, imprimi num papel adesivo e colei sobre a caixa. Neste o maior tempo que gastei foi pra fazer os buracos e encaixar tudo neles. A programação também é bem mais complexa que a do Therementos.

BeteRum: Porque escolheu Arduino?
1mpar: Gosto do Arduino porque é bem fácil de programar e é compatível com vários programas como vvvv, Processing, etc. Estes programas já têm patchs específicos pra ler as variáveis do Arduino. Aí é só você fazer o que quiser com elas.

BeteRum: Tem outros chip assim, que dá pra fazer essas coisas?
1mpar: Tem alguns parecidos, uns com mais entradas, mas não conheço outro tão compatível com os programas que uso. Também é barato. Custa $35. Isso fora. Mas tem umas versões nacionais.

BeteRum: Você usa Processing pra programar né?
1mpar: Pra esta caixa usei o Processing, porque tinham muitas variáveis e estava pesando um pouco pro vvvv. O Processing deu mais conta neste caso. Uso mais o vvvv, porque com ele você vai ligando os nodes e as coisas vão saindo. Depois de um tempo fica fácil de fazer as coisas. O Processing usei mais como se fosse um driver, que pega as variáveis e transforma em MIDI.

BeteRum: É dificil isso? Você aprendeu sozinho? É DIY?
1mpar: No vvvv não é difícil, depois que você acostuma. No Processing é tudo código mesmo, então se quer fazer uma coisa complexa o código vai ficar enorme e aí você tem que saber mais de programação pra limpá-lo. Aprendi tudo sozinho mesmo. Fui fazendo de acordo com minhas necessidades.

BeteRum: Você já programava antes? Conhece outras linguagens?
1mpar: Eu fazia umas coisas em Action Script. Depois, quando conheci o Processing, vvvv e Max/MSP não foi difícil me adaptar. Agora, C++ e outras linguagens mais complexas eu não sei mexer não.

BeteRum: Seu trabalho envolve bastante programação? A qualidade visual é incrível também, é tudo conectado AV?
1mpar: Em alguns casos sim, mas na maioria das vezes faço vídeos de forma 'tradicional', usando After Effects. Você diz no Therementos?
BeteRum: Em geral, porque você tem os projetos ADDD e o HOL. Ainda está fazendo os dois?
1mpar: Sim. O ADDD está um pouco parado porque não estamos tendo tempo de nos encontrar. No HOL é tudo sincronizado, se eu quiser. Uso um teclado que manda informação MIDI pros dois computadores, um pra áudio e outro pra vídeo.

BeteRum: E a música, você produz?
1mpar: No HOL sim. No ADDD é o Tee quem produz. Nos dois casos são todas músicas autorais.
BeteRum: Você usa o que pra fazer música?
1mpar: Basicamente o Reaktor dentro do Ableton Live. Uso sintetizadores que posso tocar ao vivo.

BeteRum: E pra se apresentar? Onde você prefere? Casa noturna, festival, rave, festa de casamento... hehe.
1mpar: Casamento com certeza não rsrs. Pro HOL eu prefiro um ambiente onde as pessoas possam assistir sentadas, prestando atenção ou festivais. Já o ADDD é pra VJing aí funciona melhor em clubs, festas.

BeteRum: E o FAD? Como você teve a idéia?
1mpar: Eu e o Tee tivemos a idéia de fazer um festival de arte digital, acho que em 2006. Tocamos com o ADDD em alguns festivais e percebemos que em BH não tinha muita coisa acontecendo nesta área. Aqui tinha o Eletronika e grandes festas de música eletrônica, mas um festival que reunisse performances, instalações interativas e exposições não. Então escrevemos o projeto pra lei de incentivo, passamos e conseguimos o patrocínio. A segunda edição acontece semana que vem, de 12 a 15.03, nas estações do Metrô. Vamos ter quatro dias de exposições com as instalações e webarts, e no sábado, as performances.

BeteRum: Nossa, parece que vai ser bom, hein? Nível europeu ;)
1mpar: Esta edição foi bem corrida, mas conseguimos trazer trabalhos interessantes.
Tags: 1mpar, HOL, fad, festival, de, arte, digital, ADDD, vj, therementos, midi
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Vjing na Campus Party
22.01.09 14:37Deixe seu comentário
O Surfluz é uma mesa que permite desenhar no telão usando luz infravermelha. As imagens são animadas e aparecem no telão em tempo real, podendo ser mixadas às imagens do VJ e permitindo a participação do público.

O aparato foi construído pelo VJ pixel, no estilo "Criei, tive como" (alusão ao Creative Commons), utilizando apenas ferramentas open source.

pixel, assim com letra minúscula, é apenas um pedacinho de um jpeg, como ele mesmo diz. Ou seja, um componente de uma cena formada por diversos outros elementos. Esta metáfora também traduz a filosofia de seu trabalho, onde a criatividade é agregativa, ou seja, realizada em conjunto por diversas pessoas, colaborativamente, visando sempre o avanço das ferramentas e as disponibilizando para que a comunidade possa dar continuidade à evolução do conhecimento.

Desta maneira, ficam à disposição da criatividade livre, diversos recursos, desde softwares até hardware, como o Arduino. E já há muita gente construindo coisas bem divertidas com estes.

O VJ pixel está presente em diversos eventos esta semana na Campus Party. Quem se interessa em aprender mais sobre edição de vídeo e Vjing em software livre pode colar lá nesta sexta, às 14h00, para uma oficina sobre o LiVES, ministrada por ele e por Garbiel Salsaman.

Na sexta-feira ele faz palestra sobre o software. Aqui, ele explica de onde veio e como funciona toda essa história da mesa na entrevista abaixo, feita por gtalk, levemente adaptada ao estilo blog.

Bete: Quando você começou a fazer o Surfluz?
pixel: Comecei há aproximadamente três meses. Na verdade, ela ainda não está terminada. Estou testando várias possibilidades. A intenção é fazer um instrumento que permita que um VJ faça uma performance 'habitual', e ao mesmo tempo tenha mais flexibilidade de criação. Esse vídeo foi feito em outubro, logo quando comecei as experiências.



Bete: Você desenvolveu sozinho ou com mais alguém?
pixel: A pesquisa foi desenvolvida com ajuda de algumas pessoas. O Tiago Pimentel, com quem trabalhei no Casa Brasil (projeto de inclusão digital), e o Caio Luna (VJ do Desconstrução). Foi o Tiago que teve a sacada de usar aplicações em Processing. Eu estava pesquisando interfaces há uns meses e conversei bastante sobre o assunto.
A proposta é pensar em interfaces inusitadas, como usar um joystick de Playstation para controlar um software de edição de vídeo. Não é grande novidade, a diferença é que esse recurso poderá ser utilizado por milhares de pessoas assim que for incorporado ao LiVES. Acho que vai ser o primeiro programa de VJ que terá um recurso interno para utilização de joystick como controlador, mas não tenho certeza. Durante a pesquisa, acabei me deparando com o Wii e passei a pesquisar várias possibilidades de interfaces mediadas pelo Wiimote.
Inclusive, quando estava pesquisando essas interfaces mediadas pelo Wiimote, me deparei com a Linux Electronic Whiteboard, que é uma versão livre pro projeto do Johnny Chung Lee, e passei a fazer experiências com ele usando vários softwares. O Tiago me mostrou que era interessante fazer com Processing e como ficava bom com o Yellowtail. Então devo a ele um grande salto na pesquisa. O Caio me chamou pra levar a instalação pra uma festa que ele estava produzindo em Brasília e me ajudou construir a interface pra apresentar. Foi onde saiu esse vídeo.



Bete: Então, me explica a caixa. O que tem nela?
pixel: Caixa? Tela?
Bete: Sim, onde as pessoas passam o dedo pra desenhar, como chama?
pixel: Não é desenhado com o dedo, e sim com uma luz infravermelha.
Bete: A luz pega o movimento? Como faz?
pixel: Já viu sobre led throwing? Eu construí uns LEDs como aqueles.
Deixa eu pegar um link: http://vercodigofonte.blogspot.com/2006/02/led-throwing-action.html.
Eu me inspirei na maneira que eles constrõem os LEDs para arremessar. Tem gente que adapta canetas de verdade, como aqueles hidrocores Piloto, utilizando uma bateria, LED e um interruptor. Mas eu simplifiquei fazendo o interruptor rusticamente e utilizando apenas a bateria e o LED.

Bete: Teve que programar alguma coisa? No Processing ou outro?
pixel: Eu fiz modificações no Yellowtail pequenas, beeeeem pequenas.

Bete: Esse Yellowtail, o que é?
pixel: É um software escrito em Processing. Atualmente, a Surfluz usa só ele no Processing, mas já pesquisei outros softwares. A intenção é criar alguns também.
Bete: :)
pixel: Mas quero ver o que já existe primeiro. Uma das grandes vantagens do software livre é não ter que reinventar a roda. Além disso, é interessante. No lugar de ficar criando projetos novos, fortalecer outros já existentes, o que prefiro fazer. Tem gente que cria projetos do zero, parecidos com outros, para poder ter autoria, dizer que fez. Não é meu caso.
As pessoas normalmente perguntam: foi você que fez? O que você fez daí? Eu gosto de dizer que apenas juntei as peças. No Surfluz foi o que fiz. Juntei diversos softwares, fiz modificações e o mais importante, vou distribuir minhas modificações (avanços?) para a comunidade de volta. O controlador do LiVES com joystick veio do Surfluz. Eu o fiz junto com o Salsaman e testei, ainda testo, exaustivamente. Ele faz parte do Surfluz, na verdade, talvez não esteja funcionando bem, pois as pessoas correm pra tela e esquecem o controle, e olha que é beeeem divertido brincar com ele.

Bete: Mas o que faz o controle? A luz surfa. E o controle?
pixel: uhauhauhauauha
Bete: ahisuhaiushau
pixel: O Surfluz é composto de três elementos. Um deles é um computador com o LiVES, que é um software livre de VJing com o qual colaboro no desenvolvimento (testando, propondo recursos e traduzindo). O controle serve para controlar o LiVES. O LiVES dá a textura da imagem ou do fundo. O outro elemento é um computador que roda o Linux Whiteboard e o Processing. Ele é responsável por captar os movimentos do mouse e transformar em imagem. O terceiro elemento é um mixer de vídeo que junta as imagens dos dois, que são duas fontes de vídeo que podem criar uma composição de qualquer maneira que o mixer permitir. As maneiras que acho mais interessante são: A) usar a imagem que vem do LiVES como textura nos desenhos dentro deles. B) usar as imagens do LiVES como fundo dos desenhos.

Bete: Aí o público pode mexer? Como é a usabilidade? As pessoas pegam fácil?
pixel: Podem mexer no joystick, desenhar na tela, ou operar o mixer, como preferirem.
Olha o Yellowtail: http://processing.org/exhibition/works/yellowtail/index.html. Aí risca ele com o mouse apertando o botão esquerdo. Eu fiz modificações pra parecer melhor numa resolução maior em tela fullscreen. As pessoas pegam fácil a usabilidade. O joystick é um instrumento já conhecido e fácil de usar, então as pessoas vão mexendo aleatoriamente até entenderem o que os botões fazem. Na tela, a maior dificuldade, é entenderem que precisam apertar o fundo dos LEDs. Mas isso faz uma coisa legal, cria uma rede social, as pessoas vão ensinando umas às outras a usar. Estou pensando em fazer canetas "tradicionais" pra ajudar as pessoas a entenderem o que fazer. Tira um pouco da simplicidade, adicionando mais elementos. Gosto de fazer as coisas simples, para que as pessoas saibam que elas podem fazer em casa, desmistificar a metodologia. Por isso, essa pesquisa toda faz parte da MetaReciclagem.

Bete: O que dá pra controlar com os botões?
pixel: O joystick tem botões pra mudar de vídeo. Um pra "subir" o vídeo, outro pra "descer". Tem um botão pra pausar e despausar o vídeo, um pra limpar todos os efeitos, pra correr o vídeo pra "frente" e "trás", pra aumentar e diminuir a velocidade e botões de efeitos (finalmente descobri uma utilidade pra todos aqueles botões do controle do Playstation). Tem gente que fica brincando só um minutinho, tem gente que fica 10 minutos e volta. Teve um cara que ficou mais de meia hora. Ele ia e voltava o tempo todo. Tirou várias fotos e filmou um monte. Minhas 'canetas' parecem com essa só que com luz infravermelha:



Bete: A luzinhaaaaaaaaa, que fofa. Dá pra fazer com mais de uma luzinha ao mesmo tempo?
pixel: No momento não porque a luz funciona como mouse, mas quero escrever um programa que faça com toque. Aí podem ser usados vários dedos de uma vez e várias mãos, várias pessoas, pés, também nariz... Com cuidado, rola até com cotovelo. Viu o primeiro vídeo que mandei? Que é na parede?



pixel: Tiago é o cara que passa entre os segundos 23 e 25 do vídeo.
Tags: pixel, surfluz, campus, party, 2009, vjing, casa, brasil, linux, whiteboard, yellowtail, processing, vj
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Procurando o que fazer?
07.11.08 19:411 comentário
Nesta sexta-feira, dia 07.11, a Pupila acontece no Tapas Club, dentro do projeto NXT@STP, com apresentações do DJ Alex T, CJ Alexis (Visual Farm), Embolex LIVE A/V Set e Bijari com o novo projeto Maxifagia, apresentando Entropicália.

"Maximizando" a antropofagia, o Maxifagia é uma orquestra digital formada pela nova geração de produtores audiovisuais BijaRi, Database, Emmo Martins, Fabrizio Martinelli (Hateen), Killer on the Dancefloor e Roots Rock Revolution.

Para conhecer o grupo, que promete colocar todo mundo pra dançar:

- Bijari: núcleo de artistas visuais e multimídia especialistas em agradar nossos olhos
- Database: dupla formada por Lucio Morais e Yuri Chix
- Emmo Martins: produtor musical, compositor e guitarrista
- Fabrizio Marttinelli: guitarrista da banda Hateen
- Killer on the Dancefloor: junção dos DJs paulistanos Phillip A e Fatu
- Roots Rock Revolution: duo formado por Fábio Smeili e Willian Santos

O Entropicália foi apresentado no ON OFF do Itau Cultural e está sendo escalado para apresentações internacionais em 2009.

A junção da Pupila e Trusty acontece no NXT@STP, que traz ao Tapas Club neste mês de novembro núcleos de diferentes vertentes áudio visuais, num novo conceito de noite com muito conteúdo.

A proposta é juntar diferentes núcleos de DJs, VJs, produtores A/V, músicos e gravadoras. O evento tem transmissão ao vivo na rádio T.R.U.S.T.Y.

Local: Tapas Club
Endereço: Rua Augusta, 1246, Consolação, São Paulo
Tags: pupila, embolex, alexis, bijari, vj
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Pixelvärk: dor de pixels
22.10.08 00:04Deixe seu comentário
Berns 2.35:1
Berns 2.35:1



Terminou neste domingo, em Estocolmo, o Pixelvärk, versão sueca do evento Pixelache criado em 2002, na Finlândia.

VJ Mikael Wehner (Instructions), Anders Carleö e Morrsken
VJ Micke Wehner (Instructions) e Morrsken

O objetivo do Pixelache (dor de pixels, em inglês) e seus afiliados é trazer ao público a arte eletrônica, que mistura novas mídias e tecnologia. O evento trouxe este ano o colaborativismo como tema principal.

Martin Soderblom e Joel Dittrich
Martin Soderblom e Joel Dittrich, I <3 AG Studios










O Pixelvärk começou na sexta-feira, 17.10, num lugar chamado Berns 2.35:1, onde aconteceu uma jam de VJs promovida pelo VJ Union, com VJs e grupos como Dejakru, Fetish23, I <3 AG Studios, Instructions, Kirves, La Noche, Morrsken, Refekation, Sim On Wall, Startsladd, Vidiots e visuals by nino s.

Visuals by Nino S: efeito de luz na cämera
Visuals by Nino S: efeito de luz na câmera





Uma jam de VJs é sempre interessante e pode ser considerada atividade preferida de 7 em cada 10 VJs. Para isso, o Berns é um lugar dos sonhos, com TVs de plasma em ambas as paredes, além de telão na parte central. O local comporta cerca de 200 e é um dos lugares interessantes para se passar uma balada em Estocolmo com noites que vão do eletrônico ao hip hop.

Startsladd
Startsladd










O set up montado foi bem organizado, com uma Edirol V4 (o mixer de vídeo do momento) para cada lado, dividindo as telas na direita e na esquerda entre os grupos que se revezavam, além de permitir a troca rápida entre um grupo e outro. Deu pra perceber que os programas preferidos dos que projetavam eram Module8 e Resolume.

Vidiots
Vidiots










O Berns é o subsolo de um grande salão tradicional, decorado estilo realeza sueca, bem chique, onde funciona um restaurante de comida asiática.

A jam de sexta-feira permitiu a público ter um panorama do que é feito na cena sueca com relação às imagens, e apesar dos trabalhos se diferenciarem, misturando vídeos, abstracionismos, animação e outras técnicas, o que os unia era a qualidade das imagens.


Tenda e visão do parque de dia
Tenda e visão do parque de dia










O Pixelvärk continuou no sábado, num parque chamado Haga, usado pelo rei como jardim, na Koppartäletn, a tenda de cobre. O diferencial da noite foi um jantar servido em meio a performances e instalações em vídeo.


Sonderbyggd
Sönderbyggd










A performance que deu vida à tenda de cobre, foi realizada pelo grupo Sönderbyggd, que utilizava ondas sonoras de caixas acústicas para movimentar e produzir interessantes texturas e formas em materiais como farinha de trigo e areia, obtendo feedback sonoro das trepidações. Algo um pouco complicado. Música tátil. As imagens eram captadas e mixadas no telão. Uma espécie de Laborg sólido.

O domingo, no Mejan Labs, foi de conversas em torno da arte de colaborar. A primeira falava sobre o Animata, um software para performance ao vivo baseado em criação de personagens. A ferramenta, escolhida pelo Pixelache como software do ano, também será apresentada na Altparty, em Helsinki.

O Pixelvärk faz parte de uma "rede" de eventos, ou de pixels, que começou na Finlândia, como Pixelache, e aconteceu em vários países, com o nome de Mal au Pixel na França, Afropixel em Dakar (Senegal), entre outros, inclusive Pixelazo na Colômbia, que teve participação de alguns VJs brasileiros em edições passadas.

Isso pode ser um bom pretexto para falar do Pixelache na Colômbia...

Agradecimentos especiais ao Andreas Apelqvist do Startsladd pelas belas fotos.


Tags: Dejakru, Fetish23, I <3 AG Studios, Instructions, Kirves, La Noche, Morrsken, Refekation, Sim On Wall, Startsladd, Vidiots, visuals by nino s, morrsken, pixelvark, pixelache, suecia
BeteRum VJ7
BeteRum VJ7 (beterum @ rediffmail.com)
Digital Spray no MIS
14.10.08 22:351 comentário

Neste sábado, 18.10, às 17h00, acontece a abertura da exposição "I/Legítimo: Dentro e fora do circuito", no MIS, em São Paulo, com a instalação-performance Digital Spray.

A criação, do artista multimídia Charlie e do artista plástico Highraff, promove uma interação entre a linguagem do grafite e do VJ.

Para a abertura, a entrada é gratuita e não precisa de convite.

"I/Legítimo" tem dois segmentos, um no MIS, chamado "Espaço em Movimento", e o outro, "Zonas de Ação", no Paço das Artes. A exposição traz a diversidade da arte que não se vê nos museus, com animação, arte digital, grafite, fotografia, vídeo, performance, hackerativismo, música e outros.

São trabalhos e ações de 42 artistas de diversos países como Daniel Lisboa, David Blandy, Desirée Holman, Gabriel Acevedo Velarde, Leandro Lima, Gisela Motta, Marcelo Cidade, Monsieur Chat, Nicolás Robbio, Peaches, Ricardo Zuniga, Roberto Bellini, Shaun Gladwell, Tiago Judas e Diego Tiradentes.

O MIS fica na Avenida Europa, 158, e o Paço da Artes fica na USP.

Veja mais infos nos sites: www.mis-sp.org.br e www.pacodasartes.org.br.
Tags: vj, laborg, digital, spray, charlie, vjing, grafite
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