[Bate-Estaca] Quando techno era sinônimo de inovação
13.06.08 10:2014 comentários
Tem três coisas saindo agora que relembram os tempos pioneiros do techno. Era uma época em que não havia milhares de sub-gêneros, facções e DJs inflacionados.
No começo dos anos 90 existia uma excitação fora do comum com o techno, que era sinônimo de inovação (hoje não é mais, desculpe... e olha que eu curto). Foi quando o techno, pela primeira vez, se tornou realmente popular na Europa.
WE CALL IT TECHNO!
Esse é o nome de um documentário lançado em DVD que registra os primórdios da cena alemã, entre 1988 e 93. Tem entrevistas com Sven Vath, Riley Reinhold, Ata, DJ Hell, Cosmic Baby, Mijk Van Dijk e Wolfgang Voigt. Caras como Cosmic Baby e Mijk Van Dilk não significam nada para a galera atual, mas eram superstars em seu país nesse tempo.
Trailer de We Call It Techno!
O filme promete muitas cenas, em vídeo e foto, de clubes e eventos históricos como o Omen, em Frankfurt, e a primeira Love Parade, de 1989, que, famosamente, reuniu 50 pessoas celebrando a queda do Muro de Berlim. Ele captura bem o nascimento do trance, que surgiu na Alemanha nesse tempo e era considerado nada mais que um sub-gênero do techno. Trance era considerado techno, portanto. Outros tempos mesmo...
Uma visão alemã da história da dance music é algo bem-vindo e necessário depois de tanto se ler sobre a versão inglesa e americana dessa mesma história. Ainda mais se levarmos em conta a importância da Alemanha no som que se dança hoje.
We Call It Techno! é dirigido por Maren Sextro e Holger Wick e tem 100 minutos de duração. Só um pequeno problema: é todo em alemão!
HARDFLOOR
E foi nesses primórdios alemães que surgiu esta dupla, responsável na época pela renovação da música a base de 303 (acid, em outras palavras). Com clássicos como "Aceperience" e "Mahogany Roots", o Hardfloor foi um dos nomes germânicos mais quentes desse período.
Depois de exaurir seu som acid bombado lá por 96, eles baixaram a bola e sumiram do radar. Nos últimos dois anos, voltaram com bons singles. E agora assinam uma coletânea pelo selo Platipus cheia de clássicos do techno das décadas de 80 e 90.
Intitulada Tales From the Unexpected, ela sai em 3 de julho e tem Robert Hood, Alter Ego, Steling Void, Nightwriters e Lab Insect entre suas faixas, além de um punhado de coisas mais recentes. "Quando ouço discos daquela época", disse Oliver Bondzio, que forma o Hardfloor com Ramon Zenker, "a música de hoje não se compara."
Eles já tinham feito uma coletânea homenageado dance music vintage lá por 1998. Era um volume da sensacional série X-Mix e passava o pente fino em preciosidades da acid house original, tipo 87 a 89. Um disco essencial!
Curioso é este novo sair pela Platipus. Na época áurea de Hardfloor, era um selo de trance melódico que flertava direto com o goa trance.
X-102 - MILLS E BANKS
Apesar da sensibilidade trance estar em alta na Alemanha do começo dos anos 90, sempre havia ouvidos para Detroit e seus mestres. O clube/selo Tresor, de Berlim, mesmo era um templo com sólidas conexões com a meca dos EUA. Em 1993, por exemplo, assinou a clássica compilação Tresor II - Berlin & Detroit - A Techno Alliance que juntava Blake Baxter com DJ Hell, Underground Resistance com Maurizio, Juan Atkins com 3MB, entre outros.
E lá tinha também a viajante "Mimas", do X-102, projeto de Jeff Mills, Robert Hood e "Mad" Mike Banks, do Underground Resistance. Sim, mais um entre os 856 mil projetos paralelos desse povo. Mas esse era especial, uma proposta de techno mais flutuante e sonhador, daqueles que vêem frotas integalácticas cruzando a Via Láctea onde outros vêem apenas escuridão e pontinhos de luz.
O único álbum do X-102, Discovers the Rings of Saturn, de 92, vai ser relançado agora com quatro faixas extras pela Tresor. Um EP em vinil com algumas faixas do disco acompanha. Mills e Banks (mas não Hood) vão fazer um live especial com todo o som dos "anéis de Saturno" no Sonar espanhol desse ano. Por enquanto, é a única apresentação marcada.
No começo dos anos 90 existia uma excitação fora do comum com o techno, que era sinônimo de inovação (hoje não é mais, desculpe... e olha que eu curto). Foi quando o techno, pela primeira vez, se tornou realmente popular na Europa.
WE CALL IT TECHNO!
Esse é o nome de um documentário lançado em DVD que registra os primórdios da cena alemã, entre 1988 e 93. Tem entrevistas com Sven Vath, Riley Reinhold, Ata, DJ Hell, Cosmic Baby, Mijk Van Dijk e Wolfgang Voigt. Caras como Cosmic Baby e Mijk Van Dilk não significam nada para a galera atual, mas eram superstars em seu país nesse tempo.
Trailer de We Call It Techno!
O filme promete muitas cenas, em vídeo e foto, de clubes e eventos históricos como o Omen, em Frankfurt, e a primeira Love Parade, de 1989, que, famosamente, reuniu 50 pessoas celebrando a queda do Muro de Berlim. Ele captura bem o nascimento do trance, que surgiu na Alemanha nesse tempo e era considerado nada mais que um sub-gênero do techno. Trance era considerado techno, portanto. Outros tempos mesmo...
Uma visão alemã da história da dance music é algo bem-vindo e necessário depois de tanto se ler sobre a versão inglesa e americana dessa mesma história. Ainda mais se levarmos em conta a importância da Alemanha no som que se dança hoje.
We Call It Techno! é dirigido por Maren Sextro e Holger Wick e tem 100 minutos de duração. Só um pequeno problema: é todo em alemão!
HARDFLOOR
E foi nesses primórdios alemães que surgiu esta dupla, responsável na época pela renovação da música a base de 303 (acid, em outras palavras). Com clássicos como "Aceperience" e "Mahogany Roots", o Hardfloor foi um dos nomes germânicos mais quentes desse período.Depois de exaurir seu som acid bombado lá por 96, eles baixaram a bola e sumiram do radar. Nos últimos dois anos, voltaram com bons singles. E agora assinam uma coletânea pelo selo Platipus cheia de clássicos do techno das décadas de 80 e 90.
Intitulada Tales From the Unexpected, ela sai em 3 de julho e tem Robert Hood, Alter Ego, Steling Void, Nightwriters e Lab Insect entre suas faixas, além de um punhado de coisas mais recentes. "Quando ouço discos daquela época", disse Oliver Bondzio, que forma o Hardfloor com Ramon Zenker, "a música de hoje não se compara."
Eles já tinham feito uma coletânea homenageado dance music vintage lá por 1998. Era um volume da sensacional série X-Mix e passava o pente fino em preciosidades da acid house original, tipo 87 a 89. Um disco essencial!
Curioso é este novo sair pela Platipus. Na época áurea de Hardfloor, era um selo de trance melódico que flertava direto com o goa trance.
X-102 - MILLS E BANKS

Apesar da sensibilidade trance estar em alta na Alemanha do começo dos anos 90, sempre havia ouvidos para Detroit e seus mestres. O clube/selo Tresor, de Berlim, mesmo era um templo com sólidas conexões com a meca dos EUA. Em 1993, por exemplo, assinou a clássica compilação Tresor II - Berlin & Detroit - A Techno Alliance que juntava Blake Baxter com DJ Hell, Underground Resistance com Maurizio, Juan Atkins com 3MB, entre outros.
E lá tinha também a viajante "Mimas", do X-102, projeto de Jeff Mills, Robert Hood e "Mad" Mike Banks, do Underground Resistance. Sim, mais um entre os 856 mil projetos paralelos desse povo. Mas esse era especial, uma proposta de techno mais flutuante e sonhador, daqueles que vêem frotas integalácticas cruzando a Via Láctea onde outros vêem apenas escuridão e pontinhos de luz.
O único álbum do X-102, Discovers the Rings of Saturn, de 92, vai ser relançado agora com quatro faixas extras pela Tresor. Um EP em vinil com algumas faixas do disco acompanha. Mills e Banks (mas não Hood) vão fazer um live especial com todo o som dos "anéis de Saturno" no Sonar espanhol desse ano. Por enquanto, é a única apresentação marcada.
Tags: hardfloor, jeff mills, x-102, sven vath, mad mike banks, love parade, berlim
[Já viu?] Tropa de Elite vence Festival de Berlim
17.02.08 16:001 comentário
"Tropa de Elite", o mais recente fenômeno do cinema nacional, ganhou esse fim de semana o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim, vencendo filmes como o maravilhoso "Sangue Negro".
Depois de todas as estratégias para o lançamento nos cinemas daqui, depois das declarações bombásticas, depois dos dvds piratas, o filme foi comprado pelos reis do marketing cinematográfico americano, os Weinstein e lançado com grande alarde no festival alemão, depois de ter sido tirado da lista de competidores de Sundance priorizando a maior visibilidade européia.
O filme foi durante o festival inteiro alvo de críticas de todos os lados, sendo tachado de fascista de um lado pela Variety, de fazer apologia ao mundo do crime pelo Liberation, de inconsistente estilisticamente por jornalistas do mundo inteiro.
E apesar de concorrer com filmes do porte de Mike Leigh e Paul Thomas Anderson, os favoritos, arrebanhou o prêmio máximo.
O diretor Padilha vinha de um documentário maravilhoso e de igual sucesso "Ônibus 174" e ao que tudo indica agora deve alçar vôos ainda maiores, apesar de eu apostar que esse ano "Tropa..." deva passar em todos os festivais possíveis e a estréia americana deva gerar um hype igual.
Todo mundo já viu o filme, viu o trailer, viu o DVD. Então eu coloco aqui um spin off do filme. E se "Tropa de Elite" fosse um romance?
Depois de todas as estratégias para o lançamento nos cinemas daqui, depois das declarações bombásticas, depois dos dvds piratas, o filme foi comprado pelos reis do marketing cinematográfico americano, os Weinstein e lançado com grande alarde no festival alemão, depois de ter sido tirado da lista de competidores de Sundance priorizando a maior visibilidade européia.
O filme foi durante o festival inteiro alvo de críticas de todos os lados, sendo tachado de fascista de um lado pela Variety, de fazer apologia ao mundo do crime pelo Liberation, de inconsistente estilisticamente por jornalistas do mundo inteiro.
E apesar de concorrer com filmes do porte de Mike Leigh e Paul Thomas Anderson, os favoritos, arrebanhou o prêmio máximo.
O diretor Padilha vinha de um documentário maravilhoso e de igual sucesso "Ônibus 174" e ao que tudo indica agora deve alçar vôos ainda maiores, apesar de eu apostar que esse ano "Tropa..." deva passar em todos os festivais possíveis e a estréia americana deva gerar um hype igual.
Todo mundo já viu o filme, viu o trailer, viu o DVD. Então eu coloco aqui um spin off do filme. E se "Tropa de Elite" fosse um romance?
Tags: tropa de elite, filme, cinema, berlim