10.04.08 21:28
"O vendedor número um de músicas no mundo, o iTunes, entendeu já há algum tempo que música não é mais um produto, e sim, propaganda - a Apple vende iPods e o iTunes é o serviço que faz ser relativamente barato e fácil encher esses iPods. (...) O que as gravadoras chamam de ‘pirataria' é de fato distribuição de material promocional e esse modelo já tem precedentes. Ele se chama rádio e, mais recentemente, videoclipes."
O escritor Jackson West fez um ótimo texto no site Valleymag onde defende que a música não é mais um produto para se vender, mas sim, um meio de se fazer propaganda dos artistas. Para ele, a forma de se ganhar dinheiro nesse novo modelo é se concentrando em coisas que realmente são possíveis de serem vendidas nos dias de hoje: ingressos para shows, camisetas e carteirinhas para fã clube.
West vai ainda mais longe e afirma que iniciativas como o novo MySpace Music, o MusicNet e mesmo o novo Napster, estão fadados ao fracasso, pois as gravadoras insistem em ver as faixas como fonte de lucro e não como plataforma promocional.
Faz sentido, mas não parece uma mudança de pensamento que as majors adotarão sem antes espernear mais um pouco.


- quando esta ideia toda surgiu, o mp3 virou a `salvacao do artista independente em relacao aa ganancia das gravadoras` que inflavam o preco do cd a 30 reais por causa dos intermediarios. Com o mp3, o artista poderia vender direto pro publcio, como fez o Radiohead.
- Soh que o que ninguem preveu, eh que toda a estrutura de intermediarios migrou tb para o mp3. Nao por ganancia, mas porque eh impossivel um artista gerenciar a gigantesca rede e qtde de material. Hoje em dia, o caminho pra chegar no itunes eh:
artista>selo (indie/major)>distribuidora>loja.
o preco final eh de 1 dolar.
E nao importa mais lancar um album com 14 musicas (teoricamente, 14 dolares) pq o publico compra as musicas individualmente
O que acho meio louco, é esta atitude mundial em colocar tudo como 'luta contra as majors' esquecendo do proprio artista. Quando a gente (ou o Metalica) reclama, fica parecendo um bando de artista mesquinho, avarento, que quer manter alguns `privilegios`. E na verdade nao eh privilegio nenhum. Voce passa 3 meses fazendo 1 musica, gasta sei lah quantas horas de trabalho, pro i-tunes impor o preco de 1 dolar, ficar com 30% pra eles e ainda ajudar a disseminar a ideia que o artista tem de ganhar com show.
As melhores musicas dos Beatles foram feitas quando eles nao faziam mais shows, e passavam o ano todo pesquisando novos sons em estudio. Um trabalho incomensuravel pra musica contemporanea? Agora... imagina se eles tivessem que fazer 80 shows por ano pra pagar o feijao com arroz! Qto menos $, menos qualidade
Ninguém vai preso por copiar música assim como ninguém ia preso por copiar um LP numa fita Basf. Agora, abra um site e venda música, software ou filme copiados para ver onde você vai parar.
A idéia do texto não é relativizar se a música deixa de ser obra de arte por ser vendida ou não (que eu saiba, Beethoven não ficou rico vendendo disco, fazendo clipe ou brigando por copyright). O fato, repito, é que o acesso ao download irrestrito é um fato, goste-se ou não. Pode-se escolher usar isso a seu favor ou tentar desligar a internet da tomada.
Concordo com você que a música é um é uma obra de arte e é um produto que tem dono e criador. O que a maioria das pessoas não entende (por burrice ou canalhice) é que o fato de não ter proriedades físicas (ou seja, não é uma coisa material como um anel) a torne algo suscetível a copia ou de propriedade juridica menor. Se vc copia uma musica ok, se vc rouba um carro vai para a prisão.
Isto remete a uma questão ignorada de modo geral: a diferença entre o que hj são dados (musica, filmes, softwares) e o que é "real". Afinal o que é dado pode ser "roubado" sem que o seu dono perca o bem, ou seja, pode ser copiado. Um carro não pode ser copiado, logo se alguem pegá-lo o dono o deixa de ter. Essa diferença cria uma sensação de que a cópia não é de todo crime, afinal.
Daí que surge a questão de que o importante é que quem cria o material tem o direito de vender e distribuir o mesmo do modo como acha mais conveniente, a despeito de mercado e etc.
Que é um fato que a situação pode ter invertido, ou seja, que agora a musica é que vende show e deixou de ser um produto em si, pode. Mas daí cabe a decisão do artista/label de ver o que é melhor para si em relação a vendas, marketing etc... Particularmente, eu nao acho errado um Metallica metendo o pau no Napster, por exemplo.
Quanto a Apple, sem comentários... Ela só anda vendendo mais porque conseguiu "casar" a venda das musicas ao seu produto, pelo menos muita gente acha isso lá fora, que é melhor comprar a musica pelo itunes se for escutar por ipod. Mas de todo modo é um formato de se trabalhar no futuro, ainda que me pareça meio falho (vender musica online e não fazer venda casada, quis dizer).