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Música não é produto, mas sim, propaganda
10.04.08 21:28
"O vendedor número um de músicas no mundo, o iTunes, entendeu há algum tempo que música não é mais um produto, e sim, propaganda - a Apple vende iPods e o iTunes é o serviço que faz ser relativamente barato e fácil encher esses iPods. (...) O que as gravadoras chamam de ‘pirataria' é de fato distribuição de material promocional e esse modelo já tem precedentes. Ele se chama rádio e, mais recentemente, videoclipes."

O escritor Jackson West fez um ótimo texto no site Valleymag onde defende que a música não é mais um produto para se vender, mas sim, um meio de se fazer propaganda dos artistas. Para ele, a forma de se ganhar dinheiro nesse novo modelo é se concentrando em coisas que realmente são possíveis de serem vendidas nos dias de hoje: ingressos para shows, camisetas e carteirinhas para fã clube.

West vai ainda mais longe e afirma que iniciativas como o novo MySpace Music, o MusicNet e mesmo o novo Napster, estão fadados ao fracasso, pois as gravadoras insistem em ver as faixas como fonte de lucro e não como plataforma promocional.

Faz sentido, mas não parece uma mudança de pensamento que as majors adotarão sem antes espernear mais um pouco.

Diogo Dreyer
Diogo Dreyer (diogo.dreyer @ gmail.com)
comentários
Jota Wagner
Jota Wagner (13.04.08)
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cabe aqui uma pequena explicacao deste novo mercado de mp3 aos leigos:
- quando esta ideia toda surgiu, o mp3 virou a `salvacao do artista independente em relacao aa ganancia das gravadoras` que inflavam o preco do cd a 30 reais por causa dos intermediarios. Com o mp3, o artista poderia vender direto pro publcio, como fez o Radiohead.

- Soh que o que ninguem preveu, eh que toda a estrutura de intermediarios migrou tb para o mp3. Nao por ganancia, mas porque eh impossivel um artista gerenciar a gigantesca rede e qtde de material. Hoje em dia, o caminho pra chegar no itunes eh:
artista>selo (indie/major)>distribuidora>loja.
o preco final eh de 1 dolar.
E nao importa mais lancar um album com 14 musicas (teoricamente, 14 dolares) pq o publico compra as musicas individualmente
Jota Wagner
Jota Wagner (13.04.08)
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sao validas as replicas de todos aqui. Mas o que mais me revolta nem eh tanto a pirataria, ja que a venda de mp3/beatports da vida crescem a cada ano, se tornando um novo `mercado`.
O que acho meio louco, é esta atitude mundial em colocar tudo como 'luta contra as majors' esquecendo do proprio artista. Quando a gente (ou o Metalica) reclama, fica parecendo um bando de artista mesquinho, avarento, que quer manter alguns `privilegios`. E na verdade nao eh privilegio nenhum. Voce passa 3 meses fazendo 1 musica, gasta sei lah quantas horas de trabalho, pro i-tunes impor o preco de 1 dolar, ficar com 30% pra eles e ainda ajudar a disseminar a ideia que o artista tem de ganhar com show.
As melhores musicas dos Beatles foram feitas quando eles nao faziam mais shows, e passavam o ano todo pesquisando novos sons em estudio. Um trabalho incomensuravel pra musica contemporanea? Agora... imagina se eles tivessem que fazer 80 shows por ano pra pagar o feijao com arroz! Qto menos $, menos qualidade
Raul Cornejo
Raul Cornejo (11.04.08)
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Eu concordaria com o Jota há algum tempo, mas não mais. Discordo piamente do termo "propaganda" para designar essa mudança no valor atribuído à obra musical, mas isso tudo aí já foi dito por uma autoridade como Todd Terry há uns bons 3 anos, vai... em entrevista ele disse q antigamente tocava para divulgar seu trabalho como produtor e remixer, hj em dia o caminho é inverso.
Diogo Dreyer
Diogo Dreyer (11.04.08)
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Cj Hal, a postura do autor do texto que citei no post não é justificar a pirataria alheia e muito menos a dele. Essa questão que você colocou sobre a reprodutividade das obras de arte é tão velha quanto Theodor Adorno e a Escola de Frankfurt, que já tratavam do assunto. Não é exclusividade dos século XXI a cópia de músicas. O que aconteceu foi que a internet a tornou imensurável e inviabilizou um tipo de negócio (o das gravadoras).

Ninguém vai preso por copiar música assim como ninguém ia preso por copiar um LP numa fita Basf. Agora, abra um site e venda música, software ou filme copiados para ver onde você vai parar.

A idéia do texto não é relativizar se a música deixa de ser obra de arte por ser vendida ou não (que eu saiba, Beethoven não ficou rico vendendo disco, fazendo clipe ou brigando por copyright). O fato, repito, é que o acesso ao download irrestrito é um fato, goste-se ou não. Pode-se escolher usar isso a seu favor ou tentar desligar a internet da tomada.
Cj Hal
Cj Hal (11.04.08)
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Jota Wagner, eu não creio que seja "imposição do mercado", pelo menos não do mercado "classico", já que estes são os maiores interessados em continuar vendendo musica, tanto mais no formato de venda clássico pois sempre funcionou. Eu vejo esta visão de "Música é propaganda" mais na cabeça de quem quer criar uma justificativa pela pirataria alheia, a dele inclusa.

Concordo com você que a música é um é uma obra de arte e é um produto que tem dono e criador. O que a maioria das pessoas não entende (por burrice ou canalhice) é que o fato de não ter proriedades físicas (ou seja, não é uma coisa material como um anel) a torne algo suscetível a copia ou de propriedade juridica menor. Se vc copia uma musica ok, se vc rouba um carro vai para a prisão.

Isto remete a uma questão ignorada de modo geral: a diferença entre o que hj são dados (musica, filmes, softwares) e o que é "real". Afinal o que é dado pode ser "roubado" sem que o seu dono perca o bem, ou seja, pode ser copiado. Um carro não pode ser copiado, logo se alguem pegá-lo o dono o deixa de ter. Essa diferença cria uma sensação de que a cópia não é de todo crime, afinal.

Daí que surge a questão de que o importante é que quem cria o material tem o direito de vender e distribuir o mesmo do modo como acha mais conveniente, a despeito de mercado e etc.

Que é um fato que a situação pode ter invertido, ou seja, que agora a musica é que vende show e deixou de ser um produto em si, pode. Mas daí cabe a decisão do artista/label de ver o que é melhor para si em relação a vendas, marketing etc... Particularmente, eu nao acho errado um Metallica metendo o pau no Napster, por exemplo.

Quanto a Apple, sem comentários... Ela só anda vendendo mais porque conseguiu "casar" a venda das musicas ao seu produto, pelo menos muita gente acha isso lá fora, que é melhor comprar a musica pelo itunes se for escutar por ipod. Mas de todo modo é um formato de se trabalhar no futuro, ainda que me pareça meio falho (vender musica online e não fazer venda casada, quis dizer).
proximos