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Pantha Du Prince nos 3 anos do Vegas
04.07.08 12:153 comentários
Se você achava que o lineup gringo do aniversário de 3 anos do Vegas (3/10) já estava saudavelmente eclético (Glass Candy, James Murphy & Pat Mahoney, Efdemin e Ewan Pearson) a coisa ficou ainda melhor com o acréscimo do alemão Pantha Du Prince no lineup.

Pantha é autor de muitas faixas de deep techno que resvalam no minimal e emitem vibrações aconchegantes e calorosas (ouça seu remix para "Peacebone", do Animal Collective, ou "Eisbaden" e "Saturn Strobe", do seu álbum Bliss, do ano passado). Além de muitas faixas pelo selo Dial, ele também já assinou remixes para a Mute (Depeche Mode), Get Physical e Sonar Kollektiv.

Lembrando que o aniversário de 3 anos do Vegas rola não no clube em si mas na Flex (antiga Broadway, na Barra Funda).

Panhta du Prince - Saturn Strobe



Pantha du Prince - Florac

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Jornalismo hard é isso aí
01.07.08 11:508 comentários
Ele já passou meses no meio dos Hell's Angels, causou louco de ácido em Las Vegas, entrevistou Muhammad Ali cara-a-cara no seu quarto de hotel, escancarou os bastidores de mais de uma eleição presidencial americana, apavorou o "white trash" que frequenta corridas de cavalo e cobriu competições de barco no Golfo do México turbinado de químicos. Era também um grande entusiasta de armas de fogo.

O jornalista e escritor americano Hunter S. Thompson é um desses personagens que parece ter sido inventado por alguma mente literária muito criativa.

Nesse caso, a mente pode ser dele mesmo. Afinal, entre os preceitos do estilo de jornalismo que ele criou, o gonzo, está a indefinição de onde acaba fato e começa ficção (a frase de William Faulkner de que "a melhor ficção é muito mais verdadeira do que qualquer tipo de jornalismo" é um lema gonzo). O Raoul Duke que vai cobrir uma corrida de carro em Medo e Delírio em Las Vegas (praticamente sem mencionar a corrida), com uma constelação de psicotrópicos e estimulantes na bagagem, existiu, foi inventado ou é um alter ego de Hunter?

PERTURBAÇÃO DA NORMALIDADE
Outro fundamento gonzo é o total e absoluto envolvimento do jornalista com a situação e as pessoas que está cobrindo. A subjetividade é obrigatória, necessária. Para deixar a aventura toda mais engraçada e arriscada, doses generosas de substâncias perturbadoras da normalidade entram na equação.

Segundo Hunter, o jornalista praticante desse estilo, que demole todo o procedimento tradicional de reportagem, precisa do "talento de um mestre do jornalismo, o olho de um artista/fotógrafo e o culhão enorme de um ator." E, em se tratando de Hunter, acrescente aí também uma acidez de corroer titânio, um senso de humor muito sofisticado e uma habilidade sobrenatural para ler o ser humano.

GONZO, O FILME
Um documentário sobre a vida de Hunter estréia este mês nos cinemas americanos. Chamado Gonzo: : The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson, é dirigido por Alex Gibney. O filme passou no festival Sundance no começo do ano e já vem recebendo boas críticas, incluindo aplausos da Rolling Stone americana, revista para a qual Hunter foi colaborador de 1971 até sua morte, em 2005. Entrevistas incluem o contemporâneo Tom Wolfe, o publisher da RS Jann S. Wenner o ilustrador Ralph Steadman (cujo traço neurótico era o acompanhamento ideal para a escrita de Hunter; veja um exemplo no cartaz do filme aí em cima).

O filme é narrado por Johnny Depp, fã religioso e amigo de Hunter até o fim. Foi Depp quem pagou o velório e cremação de Hunter.

Trailer de Gonzo



HUNTER EM PORTUGUÊS
Alguns livros de Hunter S. Thompson em português, todos lançados nos últimos anos pela Conrad: Hell's Angels, Medo e Delírio em Las Vegas (que inspirou um filme com Johnny Depp fazendo papel de Hunter) e A Grande Caçada aos Tubarões (traduzido por este que vos escreve. Imagine minha felicidade de fã quando recebi o email avisando que Hunter em pessoa tinha aprovado meu currículo; ele fazia isso com todos que os candidatos a tradutores de suas obras).

A partir da década de 80, Hunter foi ficando cada vez mais desgostoso e amargo com os rumos da política e da sociedade americana. Nos seus últimos anos, ainda escrevia (incluindo uma coluna de esportes para o site da ESPN), mas vivia isolado em seu bunker rural no Colorado, recebendo poucos e bons amigos. Sempre acompanhado de seu bom uísque, sua inseparável pistola e os acompanhamentos químicos de costume, Hunter se entediava com a velhice. Um dia perdeu a paciência e resolveu acelerar o processo. Puxou o gatilho e meteu uma bala na própria cabeça.

FRASES

"América... apenas uma nação de 200 milhões de vendedores de carros usados com todo dinheiro necessário para comprar armas e nenhuma restrição quanto a matar alguém no mundo que nos deixa desconfortável."

"Tenho uma teoria de que a verdade nunca é dita no horário comercial."

"Se você vai ser doidão, melhor ganhar pra isso, caso contrário será preso."

"Numa socidade fechada onde todos são culpados, o único crime é ser pego. Num mundo de ladrões, o único pecado final é a estupidez."

"A indústria musical é uma trincheira monetária cruel e rasa, um longo corredor plástico onde ladrões e cafetões correm soltos e bons homens morrem como cães. Tem um lado ruim também."

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Grandmaster Flash lança biografia
26.06.08 20:554 comentários
OK, eu ainda não li, mas assim que colocar minhas mãos no volume, pretendo devorar.

Afinal, é a biografia de Grandmaster Flash, um dos inventores do hip hop, um cara que nos anos 70 estabeleceu um padrão de manipulação de discos que vigora até hoje. Ele pode não ter inventado o scratch como diz (foi Grand Wizard Theodore), mas elevou essa técnica, além de outras que estavam engatinhando, à condição de ninja.

Daí ele teve uma penca de músicas que são como tábuas sagradas do hip hop e abriram o gênero para novos públicos: "The Message", com seu grupo Furious Five, o primeiro rap com mensagem política; "White Lines", com Melle Mel; "Scorpio" e "It's Nasty". Em 2007, Grandmaster Flash & Furious Five entraram para o hall da fama do Rock & Roll, o primeiro nome do rap a ter tal reconhecimento.

The Adventures of Grandmaster Flash: My Life, My Beats promete histórias de cocaína, de muita surra dada pelo pai tirano, de tretas com seu selo Sugarhill, de todas as dificuldades da vida no Bronx dos anos 70, que era literalmente selvagem e sem lei.

E tem a parte bonita, já que esta é principalmente uma história de inspiração, arte, música e conquista. Ou seja, as coisas que fizeram de Grandmaster Flash um herói da música contemporânea.
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Sorria, você está sendo filmado
23.06.08 19:254 comentários
Deu na Folha Online, quinta-feira passada (19/6).

Rio sanciona lei que obriga instalação de câmeras em raves e bailes funk

DEH OLIVEIRA
Colaboração para a Folha Online

O governo do Estado do Rio sancionou nesta quinta-feira uma lei que obriga os responsáveis por bailes funk e festas raves a instalarem câmeras nos eventos. As imagens gravadas terão de ser guardadas por no mínimo seis meses, período em que o material ficará à disposição da polícia.

A lei, nº 5.265, estabelece várias outras exigências relacionadas à segurança e comodidade do público, como instalação de detectores de metal, contrato com empresa de segurança autorizada a atuar pela Polícia Federal, previsão de atendimento médico e banheiros --químicos ou não-- na proporção de um masculino e um feminino para cada 50 pessoas.

Os responsáveis pelos bailes ou festas terão de fazer o pedido de autorização para a realização do evento à Secretaria de Segurança Pública do Estado com pelo menos 30 dias de antecedência. O evento não poderá ultrapassar 12 horas e, no pedido, deve constar hora para início e término.

Em caso de descumprimento da lei, as penalidades variam de suspensão do evento a multa de até 5 mil Ufirs (cerca de R$ 9 mil no Estado do Rio de Janeiro).

Segundo a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, na próxima semana o órgão vai estabelecer um prazo para que os realizadores de festas raves e bailes funks se enquadrem na nova lei, publicada no "Diário Oficial" do Estado nesta quinta-feira, após sanção do governador em exercício, Luiz Fernando Pezão (PMDB).
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Turntablists bagaceiros
20.06.08 16:159 comentários
Antes de mais nada, veja o vídeo abaixo:



Sacou a pegada? O povo aí mostra extrema destreza nas pick-ups, mas com uma postura bem largada, casual, quase displicente. Um segura o cigarrinho como se estivesse numa mesa de boteco, o outro, bem avonts com sua pança esbranquiçada à mostra, manda um scratch certeiro de vez em quando, um terceiro fica olhando e o cara nos discos segue fazendo malabarismos incríveis com os beats. O cara do microfone não sei quem é, mas certamente tomou algumas cachaças antes de começar o trampo.

Que diferença daquele padrão nerd, de cara amarrada, quase arrogante, que se leva suuuuper a sério, da grande maioria dos turntablists.

Mas o que se poderia esperar de um grupo chamado Birdy Nam Nam? Esse nome vem do excelente filme Um Convidado Bem Trapalhão, onde o atrapalhadíssimo Peter Sellers vai de bicão numa festa chique e causa do começo ao fim. Uma das frases antológicas do filme é quando ele conversa com um passarinho numa gaiola: "Nam Nam! Birdy Nam Nam!"

Mas voltando ao Birdy Nam Nam atual: eles são franceses, se criaram na cena hip hop de lá e em 2005 lançaram o que é, segundo eles, o primeiro álbum todo composto e tocado nos toca-discos (Birdy Nam Nam,que sai aqui agora pela ST2).

Pra você ver como os caras são bons: em 2000, ganharam o DMC mundial de apresentação em equipe. Sim, eles costumam tocar assim, os quatro, em várias pick-ups e mixers. E soa tão coladinho que parece que a música vem de um lugar só.

Hoje (20/6), eles tocam no Vegas, aqui em São Paulo.

Olha o vídeo abaixo, com eles em pose bem mais, digamos, profissional, e veja que espetáculo de sincronia e habilidade.

Birdy Nam Nam - Absesses

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Mágica amarela
19.06.08 00:305 comentários
Em homenagem aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, preparei uma seleção de japoneses e descendentes que deram boas contribuições para a música em vários estilos.

O Japão é um dos grandes mercados musicais do mundo. Bandas e DJs adoram dizer que lá rolam suas melhores gigs, muito por causa da empolgação e fanatismo do público (já viu no heavy metal quantos "live in Japan" existem?). Discos raros de jazz americano e música brasileira, que não se acha nem com reza braba nos seus países originais, continuam em catálogo no Japão.

E, por causa do amor e obsessão que tem pela cultura pop ocidental, o país é rico em interpretações locais dos sons que vêm de fora. Na outra ponta, são muitos os casos de DJs japoneses ou descendentes que se deram bem em outros países. Para representar isso, escolhi três DJs brasileiros de olhos puxados que todo mundo na cena eletrônica conhece bem.

YELLOW MAGIC ORCHESTRA Da terra das Rolands, Yamahas e Korgs vieram três
Cibo Matto
Cibo Matto
caras que inventaram o synth-pop japonês perfeito. Da virada dos 70 para os 80, lançaram vários discos e algumas faixas como "Computer Games" e "Firecracker" que tiveram profunda influência em produtores eletrônicos do Ocidente. Um dos YMO, Ryuichi Sakamoto, continuou uma bem-sucedida carreira de trilheiro de cinema.

MAJOR FORCE Projeto e selo que lançou a imortal "Return of the Original Artform", um estrago de breakbeats e samples picotados bem naquele estilo que fazia tanto sucesso no final dos anos 80 (a la Coldcut e Bomb the Bass). Nipo-hop em sua melhor forma.

KEN ISHII Ele é o produtor de techno japonês mais conhecido que existe e está na ativa desde os anos 90. Seu álbum Jelly Tones saiu pelo importante selo R&S em 1995 e acaba de ser relançado.

Satoshi Tomiie
Satoshi Tomiie
CIBO MATTO Dupla de meninas que faziam pop/rock delicado e sonhador que foi muito bem recebido em círculos alternativos dos EUA e Europa. A vocalista Miho Hatori seguiu uma interessante carreira solo.

TOWA TEI Ex-integrante do Deee-Lite e adepto de óculos de grau desproporcionais. Depois do fim do grupo, seguiu como produtor e artista solo, mesclando eletrônico, pop e até bossa nova. Entre seus trabalhos, tem um disco com Kylie Minogue.

SATOSHI TOMIIE Esse tem história pra contar. Em 1989, tocou teclados no deep house histórico "Tears", com Frankie Knuckles e Robert Owens. Depois engrenou uma vitoriosa carreira de DJ de house e progressivo e hoje é destaque em lineups de grandes clubes e festivais.

FUMIYA TANAKA Respeitado produtor de techno minimal e forte que lança desde
DJ Tahira
DJ Tahira
os anos 90. Já soltou várias faixas pela prestigiosa marca alemã Tresor. Fundou dois selos, Torema e Untitled.

DJ KRUSH Um demônio das pick-ups que primeiro apareceu ligado ao selo Mo'Wax fazendo beats abstratos e viajantes. Daí enveredou por caminhos mais hip hop e já colaborou com americanos de peso como Mos Def e CL Smooth.

DJ TAHIRA Mestre paulistano que manda sets ricos em referências de jazz, música brasileira, broken beat e funk clássico. Mas não para por aÍ: Tahira apavora também no house e no techno de bom gosto. Todo ano excursiona para o exterior e tem um podcast muito bom que você ouve aqui.

ELI IWASA Depois de anos comandando a melhor noite de techno do Brasil, o Technova, no Lov.e, essa moça empreendedora se jogou nas pick-ups e fez um ótimo nome como DJ, tocando muito no Brasil e no exterior. Ano passado, entrou como sócia da nova encarnação do clube Kraft, de Campinas.

NORI Esse rapaz foi criado nos beats acelerados e timbres ásperos do acid techno. Seu live PA bomba nas raves paulistanas e seu som já foi elogiado por gente como DAVE The Drummer. Já lançou pelo selo inglês Maximum/Minimum, de Chris Liberator.
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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Quando techno era sinônimo de inovação
13.06.08 10:2014 comentários
Tem três coisas saindo agora que relembram os tempos pioneiros do techno. Era uma época em que não havia milhares de sub-gêneros, facções e DJs inflacionados.

No começo dos anos 90 existia uma excitação fora do comum com o techno, que era sinônimo de inovação (hoje não é mais, desculpe... e olha que eu curto). Foi quando o techno, pela primeira vez, se tornou realmente popular na Europa.

WE CALL IT TECHNO!
Esse é o nome de um documentário lançado em DVD que registra os primórdios da cena alemã, entre 1988 e 93. Tem entrevistas com Sven Vath, Riley Reinhold, Ata, DJ Hell, Cosmic Baby, Mijk Van Dijk e Wolfgang Voigt. Caras como Cosmic Baby e Mijk Van Dilk não significam nada para a galera atual, mas eram superstars em seu país nesse tempo.

Trailer de We Call It Techno!



O filme promete muitas cenas, em vídeo e foto, de clubes e eventos históricos como o Omen, em Frankfurt, e a primeira Love Parade, de 1989, que, famosamente, reuniu 50 pessoas celebrando a queda do Muro de Berlim. Ele captura bem o nascimento do trance, que surgiu na Alemanha nesse tempo e era considerado nada mais que um sub-gênero do techno. Trance era considerado techno, portanto. Outros tempos mesmo...

Uma visão alemã da história da dance music é algo bem-vindo e necessário depois de tanto se ler sobre a versão inglesa e americana dessa mesma história. Ainda mais se levarmos em conta a importância da Alemanha no som que se dança hoje.

We Call It Techno! é dirigido por Maren Sextro e Holger Wick e tem 100 minutos de duração. Só um pequeno problema: é todo em alemão!

HARDFLOOR
E foi nesses primórdios alemães que surgiu esta dupla, responsável na época pela renovação da música a base de 303 (acid, em outras palavras). Com clássicos como "Aceperience" e "Mahogany Roots", o Hardfloor foi um dos nomes germânicos mais quentes desse período.

Depois de exaurir seu som acid bombado lá por 96, eles baixaram a bola e sumiram do radar. Nos últimos dois anos, voltaram com bons singles. E agora assinam uma coletânea pelo selo Platipus cheia de clássicos do techno das décadas de 80 e 90.

Intitulada Tales From the Unexpected, ela sai em 3 de julho e tem Robert Hood, Alter Ego, Steling Void, Nightwriters e Lab Insect entre suas faixas, além de um punhado de coisas mais recentes. "Quando ouço discos daquela época", disse Oliver Bondzio, que forma o Hardfloor com Ramon Zenker, "a música de hoje não se compara."

Eles já tinham feito uma coletânea homenageado dance music vintage lá por 1998. Era um volume da sensacional série X-Mix e passava o pente fino em preciosidades da acid house original, tipo 87 a 89. Um disco essencial!

Curioso é este novo sair pela Platipus. Na época áurea de Hardfloor, era um selo de trance melódico que flertava direto com o goa trance.

X-102 - MILLS E BANKS
Apesar da sensibilidade trance estar em alta na Alemanha do começo dos anos 90, sempre havia ouvidos para Detroit e seus mestres. O clube/selo Tresor, de Berlim, mesmo era um templo com sólidas conexões com a meca dos EUA. Em 1993, por exemplo, assinou a clássica compilação Tresor II - Berlin & Detroit - A Techno Alliance que juntava Blake Baxter com DJ Hell, Underground Resistance com Maurizio, Juan Atkins com 3MB, entre outros.

E lá tinha também a viajante "Mimas", do X-102, projeto de Jeff Mills, Robert Hood e "Mad" Mike Banks, do Underground Resistance. Sim, mais um entre os 856 mil projetos paralelos desse povo. Mas esse era especial, uma proposta de techno mais flutuante e sonhador, daqueles que vêem frotas integalácticas cruzando a Via Láctea onde outros vêem apenas escuridão e pontinhos de luz.

O único álbum do X-102, Discovers the Rings of Saturn, de 92, vai ser relançado agora com quatro faixas extras pela Tresor. Um EP em vinil com algumas faixas do disco acompanha. Mills e Banks (mas não Hood) vão fazer um live especial com todo o som dos "anéis de Saturno" no Sonar espanhol desse ano. Por enquanto, é a única apresentação marcada.
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Eletrônica candanga se agita
09.06.08 21:453 comentários
Komka, um dos melhores DJs do Distrito Federal e um produtor de mão cheia, acaba de lançar seu selo, o Crunchy Music (algo como música crocante, belo nome!). O primeiro EP saiu agora e se chama Do You Feel Sexy?. Pode ser comprado em todas as lojas digitais importantes por aí. É techno electrificado de ótima qualidade.

Segundo Komka, "a idéia é fazer um lançamento por mês." O segundo disco da Crunchy, o EP Cauntención, é assinado pelo produtor M. Tahan e sai em julho. Todas as faixas do selo serão masterizadas em Frankfurt, diz Komka. Dá para ouvir tudo no MySpace do Komka.

Enquanto isso, os brasilienses do Delta W também vão ganhando mais espaço lá fora. A dupla formada por Fredy XTC e Tomás Seferin já ganhou destaque aqui no rraurl.com e faz um live PA inusitado, onde os dois usam máscaras e misturam o som de liquidificadores e aspiradores no seu groove.

A faixa "Bulgarian Structure", do Delta W, foi incluída num CD mixado do inglês Glimpse. O disco saiu pelo selo japonês P-Vine.
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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